sábado, 20 de agosto de 2016

Resenha de Filme: O Terminal




Resenha -  O Terminal  

 Bruna Kipper Barreto Roca*




   A incerteza de passar pela imigração, o medo de algum pertence ter sido extraviado, o cansaço e o fuso horário, esses são apenas alguns fatores que podem gerar certa tensão ao desembarcar em outro país. No entanto, no filme americano de 2004 “O Terminal”, dirigido por Steven Spielberg e protagonizado por Tom Hanks, o personagem principal Viktor Navorski enfrenta obstáculos bem mais sinuosos que os habituais.




   A trama se inicia no aeroporto JFK, em Nova Iorque, quando agentes federais americanos tentam explicar a Viktor a situação peculiar de seu passaporte: quando Navorski, nacional da “Krakozhia”, estava em pleno voo seu país sofreu um golpe militar e cancelou os privilégios de viagens de seus habitantes – inclusive o seu passaporte. Os Estados Unidos não reconheceram o novo governo  -  é de se ressalvar que o filme neste ponto parece confundir os conceitos de reconhecimento de governo e de Estado – o que acabou por resultar em uma situação de apatrídia para Viktor Navorski. Sendo assim ele não possuía mais a identidade de seu país e também não se enquadrava em nenhuma das categorias previstas para a entrada nos Estados Unidos (asilado, refugiado, imigrante com pedido de visto de trabalho, etc). Viktor Navorski, porém, não fala inglês e pouco entende da situação, sendo instruído a aguardar na área de trânsito internacional enquanto tentavam regulamentar sua situação.




   Após diversas situações desconfortáveis - ainda que cômicas  -  encontros e desencontros com uma interessante aeromoça e inícios de amizade com os empregados do aeroporto, o Agente de Imigração, Frank Dixon  o oferece uma saída: que Viktor preencha um pedido de refúgio. Para se encaixar na posição de refugiado, o cidadão tem de ser alvo de perseguições ou correr risco de vida em seu país de origem. Por isto,  Navorski deveria declarar que tinha medo de retornar para a “Krakozhia” a fim de seu pedido ser levado adiante. Entretanto a grande ingenuidade do personagem perante a situação o leva a dizer que nada tem a temer de seu país natal, e sendo assim o Agente se encontrou novamente de mãos atadas. 




   Com sua rotina inusitada e carisma, Viktor, cultiva amizades e reconhecimento no JFK.  Com passar do tempo aprende inglês e  se encontra estabilizado no aeroporto. O conflito civil em seu país termina depois de nove meses e finalmente o homem pode realizar seu propósito em solo americano: ir em busca do autógrafo de um renomado músico de  jazz, façanha que prometeu a seu pai. Concluído seu objetivo e com sua documentação regulamentada, Navorski retorna a sua amada nação. 




            O filme demonstra claramente os complicados trâmites burocráticos que permeiam o controle migratório dos países, bem como a situação de criminalização do imigrante e as inúmeras restrições a sua liberdade de locomoção.  Em tempos globalizados, onde a abertura à circulação dos bens e capitais é progressiva, os seres humanos ainda são vistos como “ilegais” pelo simples fato de existirem em territórios diferentes ao da sua nacionalidade. Apesar de pitoresco, é digno de nota que o filme “O Terminal” é inspirado em uma história real: depois de ser impedido de entrar em território francês, o iraniano Alfred Mahran morou 18 anos no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris.







 *Bruna Kipper Barreto Roca é aluna do terceiro período do Curso de Relações Internacionais do UNICURITIBA.
















































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