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terça-feira, 7 de dezembro de 2021

CÁTEDRA: Carolina Larriera além da "esposa do Sérgio"

Por Amanda Souza e Phietra Laidens*

    Carolina Larriera é economista argentina, formada por Harvard, que trabalhou nas Nações Unidas por um longo período, ingressando inicialmente como estagiária e em seguida designada para o Timor-Leste para atuar na pacificação do país, trabalhando em um projeto de concessão de microcrédito. Durante esse período, conheceu Sérgio Vieira de Mello, seu companheiro e o qual se refere até hoje como grande amor da sua vida. Em 2003, contra suas vontades, seguiram para o Iraque, para uma operação de paz perigosa, dado o contexto pós-2001. O objetivo da operação era a queda do ditador Saddam Hussein e a instauração da democracia no país. Contudo, em agosto a sede das Nações Unidas, situada em um hotel na cidade de Bagdá, foi alvo de um atentado, de autoria da Al Qaeda, resultando em 200 feridos, 22 mortos, sendo um deles Sérgio de Mello. 
    Carolina seguiu para a missão no Iraque a pedidos de Sérgio, pois mantinham uma união e naquele mesmo ano estavam se preparando para oficializar seu relacionamento em um casamento. Desde o atentado, Carolina relata a negligência advinda da ONU, uma Organização Internacional de renome a qual se dedicou por tantos anos de trabalho. Ela conta que no mesmo dia em que Sérgio veio a óbito, foi evacuada de Bagdá, esperando acompanhar o corpo de Sérgio até o Rio de Janeiro, cidade natal do diplomata e onde onde sua família morava. Contudo, eles foram separados, Carolina teve que pegar diversos voos e teve suas bagagens extraviadas, chegando ao Brasil somente ao final das despedidas, quando logo o corpo seguiu para a Suíça para ser enterrado contra a vontade de Carolina e da mãe do diplomata, Gilda. 
    O corpo de Sérgio foi enviado à Suíça pois a ONU reconheceu como atual cônjuge do diplomata sua ex-esposa, visto que o processo de separação entre eles não se havia findado. Por conta disso, Carolina, que era a atual companheira de Sérgio, não foi assumida como tal, mesmo vivendo um relacionamento aos olhos da ONU, acompanhando sempre o diplomata em eventos oficiais. 
    Desde 2003, Carolina reside na cidade do Rio de Janeiro, com Gilda (que infelizmente faleceu este ano aos 103 anos), com quem criou junto, no ano de 2008, o Centro Sérgio Vieira de Mello, onde mantiveram a história de Sérgio viva, perpetuando seu legado e o fazendo presente até hoje. O Centro tem como objetivo democratizar o ensino da diplomacia para os jovens sem acesso, como desenvoltura da oratória, etiqueta, ensino sobre negociações e resoluções de problemas. 
    No dia 20 de outubro deste ano, a Cátedra Sérgio Vieira de Mello do Centro Universitário Curitiba teve a honra de receber Carolina para uma conversa sobre sua trajetória e do Sérgio nas Nações Unidas. A exposição foi um momento especial para todos os presentes no evento, pois Carolina é nitidamente a história viva de vários fatos recentes. Muito mais do que ver Carolina continuar o legado de Sérgio, tivemos a oportunidade de conhecê-la além do que livros, filmes e documentários contam, um ser humano humilde, acessível, compreensivo e com disposição de mudar o mundo. Com certeza, depois desse momento, todos que ouviram as palavras de apoio que ela transmitiu, saíram inspirados a continuar com a chama para mudar o mundo acesa. 
Encontro virtual da CSVM - UniCuritiba com Carolina.

Referências
ZAIDAN, Patrícia. Carolina Larriera quebra o silêncio após 14 anos de injustiças. Cláudia, 2020. Disponível em: <https://claudia.abril.com.br/noticias/carolina-larriera/
LARRIERA, Carolina. Twitter. Disponível em: <https://twitter.com/harvardchick/status/1255674117656805381>.

*Amanda e Phietra são acadêmicas do curso de Relações Internacionais do UniCuritiba e fazem parte da CSVM - UniCuritiba.



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terça-feira, 28 de setembro de 2021

Volta ao Mundo em 7 Dias - Notícias de 20/09 a 26/09

  • Alemanha
    A Alemanha passa por um processo de negociação entre os seus principais partidos após disputa acirrada nas eleições que ocorreram neste domingo (26/09). O Partido Social-Democrata (SPD) de centro-esquerda, liderado por Olaf Scholz venceu as eleições com 25,7% contra 24,1% da União Democrática Cristã (CDU) liderada por Armin Laschet, conservador de centro-direita, seguidos pelo Partido Verde com 14,8% dos votos e pelo Partido Liberal Democrático (PDL) com 11,5%. Apesar da vitória, o SPD não possui assentos suficientes no parlamento e precisará formar coalizões para assumir o comando. Há de se destacar também o crescimento do Partido Verde, que obteve a maior vitória dos ambientalistas na história, impulsionados pela falta de posicionamentos efetivos do atual governo frente às mudanças climáticas e as enchentes que ocorreram no país. 
    Além disso, embora esse tenha sido o pior resultado do CDU desde de 1949, o partido não pretende abrir mão do poder e está disposto a formar coalizões com os partidos menores para obter maioria no Parlamento. É possível também que haja a formação do primeiro governo tríplice na Alemanha, inclusive com partidos rivais e de posicionamentos distintos. Esse processo de negociações pode demorar meses, o que significa que Angela Merkel deverá permanecer no controle até pelo menos o final deste ano. A atual chanceler, que decidiu se aposentar, deixará o cargo de liderança após 16 anos à frente do CDU. O novo chanceler a assumir terá a grande responsabilidade de governar a maior economia da Europa e a quarta maior do mundo tendo as questões ambientais como prioridade. 

A partir da esquerda: Armin Laschet, da União Social Democrata (CDU), Annalena Baerbock, do Partido Verde, e Olaf Scholz, do Partido Social Democrata (SPD) — Foto: AP Photo/Markus Schreiber, Michael Sohn. 

  • ONU
    O Brasil por tradição foi o primeiro país a discursar na Assembléia Geral da ONU nesta terça-feira, dia 21, representado pelo presidente Jair Bolsonaro, com um discurso questionável que foi amplamente criticado. Bolsonaro afirmou que desde que assumiu o poder o Brasil estaria a 2 anos e 8 meses sem casos de corrupção concretos, declarou que antes o país estava a beira do socialismo, frisou a importância da "família tradicional”, elogiou a legislação ambiental brasileira e seguiu listando uma série de supostos avanços e vitórias de seu governo, e por último, defendeu o “tratamento precoce” contra o Covid-19, um tratamento feito com remédios que foram comprovados sem eficácia pela comunidade científica e ainda afirmou que no dia 7 de setembro, feriado nacional de Independência do Brasil “milhões de brasileiros, de forma pacífica e patriótica, foram às ruas, na maior manifestação de nossa história”. 
    Porém, o discurso não foi o único destaque da passagem do atual presidente do Brasil e sua comitiva nos Estados Unidos, Bolsonaro também era o único líder do G20 a dizer que não tomou e que não tem a intenção de tomar a vacina. Uma foto do presidente jantando na calçada de um restaurante em Nova York teve grande repercussão, não é permitida a entrada de clientes que não possam provar estar vacinados nos restaurantes da cidade. Além disso, o Ministro da Saúde Marcelo Queiroga testou positivo para Covid-19 logo após ter participado da Assembleia Geral das Nações Unidas junto à comitiva, o que levou à suspensão da participação de todos os diplomatas brasileiros nas reuniões que ocorreriam na ONU. 
  • México/Haiti
    A situação nas fronteiras entre Ciudad Acuña, no México, e Del Rio, nos Estados Unidos causou comoção internacional na última semana. No dia 19 de setembro cerca de 15 mil imigrantes, em sua maioria haitianos, dentre eles mulheres grávidas e crianças, foram rodeados pelas autoridades em ambos os lados e duramente reprimidos. As imagens repercutidas da cavalaria estadunidense reprimindo os haitianos retrata o desespero dos imigrantes ao tentarem fazer a travessia perigosa do Rio Grande O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR) argumenta que é preciso que haja exceções humanitárias para protegê-los e facilitar o acesso a direitos básicos já que se encontram em situação de extrema vulnerabilidade. 
    As condições no Haiti são difíceis, o país sofre com desastres naturais, como grandes terremotos, furacões, tempestade tropical, além da crise política e econômica agravada após o assassinato do até então presidente do país. Os imigrantes se queixam de não conseguir emprego e não terem condições de vida no seu país e temem serem deportados. O presidente dos Estados Unidos não havia se pronunciado até esta sexta-feira (24/09) quando decidiu romper o silêncio e disse assumir a responsabilidade pelo ocorrido, segundo Biden, a palavra “vergonha” não seria suficiente para descrever o ocorrido, e disse ainda que ver pessoas serem tratadas de tal forma, atropeladas e amarradas é ultrajante.


    A política hostil norte americana, no entanto, permanece a mesma, as fronteiras continuam fechadas para requisição de asilo ou refúgio, e a lei permite que estrangeiros sem documentação sejam imediatamente deportados. No aeroporto de Porto Príncipe, no Haiti, as pessoas se aglomeram em volta dos aviões em busca de seus pertences que são jogados sem identificação, muitos também tentam entrar no voo de volta aos EUA. Essas expulsões em massa feitas pelos norte-americanos, sem levar em consideração a necessidade de proteção são incompatíveis com o Direito Internacional segundo Filippo Grandi, Alto Comissariado das Nações Unidas. 

  • Espanha
    O Estado espanhol tem lutado para lidar com as festas de rua ilegais que vem acontecendo no país. Com a volta às aulas, o atenuamento das medidas restritivas da pandemia e a chegada das festividades de Mercê (um festival tradicional Espanhol realizado em homenagem a Mare de Deu de la Mercè, a Santa Padroeira de Barcelona), as autoridades espanholas tem achado dificuldade em conter a aglomeração dos jovens. As festas começaram na sexta-feira, reunindo cerca de 15 mil pessoas, mas foi no sábado, dia 25, que os incidentes mais graves ocorreram. Em torno de 40 mil pessoas lotaram as ruas neste dia, a aglomeração terminou em violência com atos de vandalismo e agressões.
    Ada Colau, presidente da câmara de Barcelona, acredita que o problema deixou de ser uma questão de falta de civismo e já se tornou um problema de ordem pública, isto porque neste último sábado, 22 pessoas foram detidas, 40 ficaram feridas, das quais 13 vítimas de esfaqueamento ou cortes com vidros. Alguns grupos invadiram e vandalizaram o Palácio de Congressos, carros, motos e árvores foram incendiados e destruídos. Alguns argumentam que há a necessidade de reabertura dos locais de festas noturnas para descentralizar o passatempo juvenil, apenas as casas noturnas com áreas abertas estão permitidas de funcionar até então.

Referências
Germany elections: Centre-left claim narrow win over Merkel's party. CNN INTERNATIONAL. 27 de set. 2021. Disponível em: https://edition.cnn.com/2021/09/26/europe/germany-election-results-polls-2021-grm-i ntl/index.html.
Eleição na Alemanha: centro-esquerda derrota partido de Merkel mas pode demorar para formar governo. BBC Internacional. 27 de set. 2021. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-58704584.
Biden assume responsabilidade por perseguição a haitianos na fronteira: “ultrajante”. El País. 24 de set. 2021. Disponível em: https://brasil.elpais.com/internacional/2021-09-24/biden-assume-responsabilidade-p or-perseguicao-a-haitianos-na-fronteira-ultrajante.html.
Migração para os EUA: 5 perguntas para entender êxodo de haitianos. G1 Mundo. 27 de set. 2021. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/09/27/migracao-para-os-eua-5-perguntas-p ara-entender-exodo-de-haitianos.ghtml.
“É preciso aguentar para sobreviver”: o drama dos haitianos na fronteira dos Estados Unidos. El País. 24 de set. 2021. Disponível em: https://brasil.elpais.com/internacional/2021-09-21/e-preciso-aguentar-para-sobrevive r-o-drama-dos-haitianos-na-fronteira-dos-estados-unidos.html.
Mudanças climáticas intensificam crise na fronteira dos EUA; situação deve piorar. CNN Internacional. 19 de set. 2021. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/mudancas-climaticas-intensificam-crise-na-fronteira-dos-eua-situacao-deve-piorar/.
Veja e leia a íntegra do discurso de Bolsonaro na Assembleia Geral das Nações Unidas. G1 política. 21 de set. de 2021. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/09/21/veja-a-integra-do-discurso-de-bolson aro-na-assembleia-geral-da-onu.ghtml.
COVID-19 vaccine skeptic Bolsonaro gets a pass at U.N. but not New York restaurants. Reuters. 20 de set. 2021. Disponível em: https://www.reuters.com/world/vaccine-skeptic-bolsonaro-gets-pass-un-not-new-york -restaurants-2021-09-20/.
Brazil’s health minister tests COVID positive at UNGA. Al Jazeera. 22 de set. 2021. Disponível em: https://www.aljazeera.com/news/2021/9/22/brazils-health-minister-tests-covid-19-pos itive-at-unga.
Violence breaks out at Barcelona street parties that attracted 40,000 people. El País. 28 de set. 2021. Disponível em: https://english.elpais.com/spain/2021-09-27/violence-breaks-out-at-barcelona-street- parties-that-attracted-40000-people.html 








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quarta-feira, 19 de maio de 2021

Israel e Palestina: entenda o conflito que persiste há 100 anos


    Mísseis. Atentados. Mortes. Inocentes. Religião. Território. Jerusalém. Gaza. Judeus. Árabes. Israel. Palestina. São estas algumas das palavras que tomaram os noticiários nas últimas semanas. O conflito entre Israel e Palestina tem protagonizado confrontos violentos que foram agravados no começo do Ramadan, período de jejum sagrado árabe. O combate tem chamado atenção devido à resposta agressiva da força militar israelense contra protestantes palestinos. A luta é em parte motivada pela disputa por Jerusalém, cidade considerada, pelos israelenses e pelos palestinos, a capital de seus respectivos Estados. Entretanto, o que vemos em 2021 é resultado dos mesmos fatores nascidos há mais de 100 anos. Então quando, e como, tudo isso começou?
    Após a queda do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha deteve o controle da região da Palestina. Tensões começaram a surgir quando os britânicos propuseram um “Lar Nacional” para a comunidade judaica no território da Palestina. A carta que estabelecia a terra para o povo judeu tinha 67 palavras e foi assinada em de 2 de novembro de 1917. Chamada de “Declaração Balfour”, é o ponto inicial do conflito israelense-palestino. 
    Antes da declaração, a Palestina possuía maioria árabe, e apenas 15% da população era judaica. Após a implementação do novo território, entre 1920 e 1940, milhares de judeus migraram para a Palestina escapando das perseguições e atrocidades do Holocausto, e a violência entre árabes, judeus e contra os britânicos aumentou expressivamente. Em resposta, A Organização das Nações Unidas, em 1947, votou pela divisão da Palestina em Estado Judeu e Estado Árabe, mas Jerusalém, sagrada para ambos, recebeu o título de cidade internacional.

Divisão da Palestina votada pela ONU. Reprodução: BBC 


    A divisão proposta pela ONU foi bem aceita pelos líderes judaicos, mas não satisfez os palestinos. Em 14 de maio de 1948, após a saída dos britânicos da Palestina, os judeus declararam a criação do Estado de Israel. Por consequência, Israel foi invadida por forças árabes, que incluíam a Jordânia e o Egito, o que culminou na Primeira Guerra Árabe-Israelense (1948-1949). A guerra foi devastadora para os palestinos. Jerusalém foi dividida em parte ocidental pertencente a Israel, e a oriental, a Jordânia. A faixa de Gaza foi ocupada pelo Egito.

Divisão após a Guerra. Reprodução: BBC 


    Os conflitos continuariam por décadas. Em 5 de junho de 1967 começava a Guerra dos Seis Dias, que após seu término, favoreceu Israel na conquista de territórios e redesenhou o mapa do Oriente Médio. Agora, Gaza e Cisjordânia (no mapa como “West Bank”) foram ocupadas por Israel. O desenho de 67 é similar ao atual, com mudanças geradas por tratados de paz de Israel com países vizinhos e o aumento da influência israelense nos territórios palestinos, através da instalação de assentamentos, o que é ilegal perante o direito internacional.


Divisão de 1967 e divisão atual. Reprodução: BBC 

    Voltando para o presente, vamos recapitular Jerusalém, cidade dividida durante as guerras árabe-israelenses, com israelitas no Oeste e palestinos ao Leste. Para Israel, a cidade proclamada capital é patrimônio religioso por ser a “terra prometida” dada por Deus à Abraão. Para os Palestinos, Jerusalém é sua herança histórica e capital da nação que desejam formar. Diversas tentativas de instaurar a paz aconteceram, algumas propunham a solução de dois estados, ou “estado duplo”.
    A chamada solução de dois estados foi a fórmula consagrada na Resolução 181 para a partilha da Palestina entre um estado judeu e um árabe. Na verdade, nenhum dos dois povos queria a partilha. Os judeus consideravam a chamada Terra Prometida como sua, desde a Antiguidade com base na Torá e os palestinos por sua vez, que já habitavam a região há 1400 anos, não compreendiam por que tinham que dividir a terra onde viviam há tanto tempo com grupos de alemães, russos, poloneses e outros povos europeus por causa de uma perseguição (o Holocausto) com a qual eles não tinham relação alguma. Ocorre, no entanto, que o movimento sionista se organizou e se preparou muito melhor do que os árabes, angariando votos para a aprovação da Resolução 181 na Assembleia Geral, enquanto os árabes aparentemente não acreditavam que a mesma passaria ou que seria efetivada (lembremos que a ONU era uma Organização recém-criada e sua antecessora a Liga das Nações ficou célebre pela não efetividade de suas resoluções).” – Comenta o Professor Andrew Traumann.
    Atualmente presenciamos um dos momentos mais críticos da batalha herdada de décadas de guerras por território. As áreas de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém são focos da tensão entre palestinos e israelenses. A faixa de Gaza é comandada pelo grupo militar chamado “Hamas”, que desde 2007, ano de sua criação, tem enfrentado Israel. Israel e Egito controlam severamente as fronteiras que dividem com Gaza para impedir a entrega de armas para o Hamas.
    O conflito que vemos hoje agravou-se com a expulsão de famílias palestinas da região leste de Jerusalém, e com a proibição imposta aos árabes de celebrarem o Ramadan no tradicional Mosque Al-Aqsa. Os palestinos em Gaza e Cisjordânia dizem sofrer pelas restrições de Israel, este que justifica suas ações como um modo de proteção contra a violência palestina. Israel tem sido alvo de críticas por usar de sua avançada força militar para bombardear as áreas ocupadas por palestinos, como Gaza, que não possuem condição de retaliação no mesmo nível. 
    Até o dia de hoje, aproximadamente 200 pessoas, maioria palestinos, morreram nos confrontos. A situação deixa uma série de questões sem concordância entre os dois lados: para onde irão os refugiados palestinos, se os judeus instalados em territórios palestinos devem ser removidos, se Jerusalém deve ser dividida e se o Estado da Palestina deve ser criado.
    Acho muito difícil uma vez que desde 1967 Israel vem construindo assentamentos ilegais nos territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias. Segundo a Resolução 242 esses territórios capturados juridicamente encontram-se sob disputa e oficialmente não pertencem a ninguém. Por isso Israel é acusado de ocupar a Cisjordânia com judeus para criar o que chamamos nas Relações Internacionais de fait accompli, ou seja, um fato consumado e alegar que não pode retirar aquelas famílias que já moram na região há muitos anos. Não creio que ocorra uma mudança muito grande fora dessa dinâmica de conflitos esporádicos que tem sido a tônica nos últimos anos. Não há vontade política na opinião pública israelense, no Mundo Árabe e tampouco da comunidade internacional para que vejamos mudanças significativas a curto prazo.” – Andrew Traumann.
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terça-feira, 16 de março de 2021

Volta ao Mundo em 7 Dias - Notícias de 08/03 a 14/03



  • Brasil

    No dia 8 de março, o ex-presidente Lula da Silva (PT) teve anuladas todas as condenações em relação ao triplex e ao Sítio de Atibaia, que foram feitas pela Justiça Federal do Paraná, na operação Lava-Jato. A decisão foi tomada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, por conta de um recurso da defesa do ex-presidente, que argumentou que os processos não deveriam ter sido julgados na 13a Vara de Curitiba. O ministro determinou que o julgamento deveria ter acontecido em Brasília. Com essa anulação, Lula fica elegível para as próximas eleições presidenciais de 2022. A Procuradoria Geral da República pode recorrer à decisão, onde a Segunda Turma da corte, composta por Carmen Lúcia, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Kassio Nunes Marques, analisará o caso. 

    Bernie Sanders, atual senador americano e pré-candidato nas últimas eleições presidenciais dos Estados Unidos, comemorou a decisão em sua conta no Twitter. "Como presidente, Lula fez um trabalho incrível para diminuir a pobreza no Brasil e para defender os trabalhadores. É uma ótima notícia que essa condenação altamente suspeita foi anulada. Essa é uma importante vitória para a democracia e a justiça no Brasil", disse o senador. 

Reprodução: Twitter

    O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), usando máscara, sancionou uma medida provisória e dois projetos de lei em relação às vacinas contra o Coronavírus, na quarta-feira (10). O projeto de lei facilita a compra de vacinas pela União, governos estaduais e municipais e iniciativas privadas, enquanto a medida provisória permite a compra das vacinas antes do aval da Anvisa. 

  • Bolívia

    No sábado (13), foi confirmada a prisão da ex-presidente boliviana Jeanine Añez. Além dela, outros cinco ex-ministros são investigados por envolvimento na derrubada de Evo Morales, em 2019. A acusação do Ministério Público boliviano inclui terrorismo, traição e conspiração, segundo documentos que já circulam na internet. Añez foi encontrada dentro de uma cama box em sua residência. No momento da prisão, ela se escondeu dentro do móvel, mas foi encontrada pelos policiais. 


  • Mianmar

    O país asiático de Mianmar vem pedindo, desde 1o de fevereiro de 2021, o retorno da democracia no governo. Desde que o exército derrubou o líder Aung San Suu Kyi, a população protesta em oposição ao novo regime. A justificativa para a derrubada da Liga Nacional para a Democracia foi uma enorme fraude nas eleições de novembro do ano passado. Mais de 80 pessoas morreram nos confrontos contra as forças de ordem, que utilizam gás lacrimogêneo, balas de borracha e munição real. Apenas no domingo (14), dezoito pessoas, ao menos, foram vítimas da violência e repressão. 


  • Reino Unido

    Em Londres, o desaparecimento e morte de Sarah Everard, no dia 3 de março de 2021, está causando grandes manifestações pela busca de justiça e contra a violência contra a mulher, além de levar diversas mulheres a relatar experiências de violência que já sofreram. O protesto teve caráter pacífico: flores e velas foram levadas em homenagem à Sarah. No entanto, a polícia agiu com violência, silenciando manifestantes e causando estrago nas homenagens para a jovem de 33 anos. O acusado pelo crime contra Sarah Everard é um policial Wayne Couzens, de 48 anos. No domingo (14), centenas de mulheres se encontraram em frente à sede da polícia e marcharam em direção a uma praça fora do parlamento. 


  • Brasil na ONU

    O Brasil foi alvo de duras críticas no discurso francês, no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, que aconteceu na terça-feira (9), um dia após o Dia Internacional da Mulher. Na ocasião, o Brasil se recusou a assinar um documento, realizado por mais de 60 países, que defende o direito de meninas e mulheres no que se refere ao acesso de direitos reprodutivos e sexuais. O Brasil lidera o Consenso de Genebra, que perdeu os Estados Unidos com a eleição de Joe Biden. Formado por países como Polônia, Hungria e países árabes, o grupo é uma coalizão de países ultraconservadores que visam impedir a ONU de ampliar direitos e proteção às mulheres. "Ficamos chocados com certas posições públicas aqui reiteradas, em particular pelo auto-intitulado Consenso de Genebra, que questiona a igualdade de gênero e a saúde e direitos sexuais e reprodutivos", disse o embaixador francês na ONU, François Rivasseau. 

Referências
STF anula condenações contra Lula: o que acontece agora. BBC NEWS. 8 mar. de 2021. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/brasil-56327483>.
USANDO máscara Bolsonaro sanciona lei que facilita compra de vacina contra covid-19. G1. 10 mar. de 2021. Disponível em: <https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/03/10/usando-mascara-bolsonaro-sanciona-lei-qu e-facilita-compra-de-vacinas-contra-covid-19.ghtml>.
EX-PRESIDENTE boliviana jeanine Añez é presa. G1. 13 mar, de 2021. Disponível em: <https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/03/13/ex-presidente-boliviana-jeanine-anez-e-pre sa.ghtml>.
AO MENOS 18 manifestantes mortos em Mianmar; protestos contra o golpe continuam. G1. 14 mar. de 2021. Disponível em: <https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/03/14/ao-menos-18-manifestantes-mortos-em-mianmar-protestos-contra-o-golpe-continuam.ghtml>.
CINCO manifestantes mortor em Mianmar; protestos contra o golpe continuam. UOL Notícias. 14 mar. de 2021. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2021/03/14/cinco-manifestantes-mortos-em-mianmar-protestos-contra-o-golpe-continuam.htm>.
LONDRES tem fim de semana de manifestações por assassinato de Sarah Evererard, G1. 14 mar. de 2021. Disponível em <https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/03/14/londres-tem-fim-de-semana-de-manifestacoes-por-assassinato-de-sarah-everard.ghtml>.
SARAH Everard, a mulher que desapareceu em Londres e cuja morte choca o Reino Unido. UOL Notícias. 14 mar. de 2021. Disponível em <https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2021/03/14/sarah-everard-a-mulher-que-desapareceu-em-londres-e-cuja-morte-choca-o-reino-unido.htm>.
BRASIL choca com propostas na ONU sobre direitos da mulher. UOL Notícias. 14 mar. de 2021. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2021/03/14/brasil-choca-com-proposta-na-onu-sobre-direitos-da-mulher.htm>. 


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segunda-feira, 22 de junho de 2020

Redação Internacional: o Brasil nas manchetes do mundo na semana de 14/06 a 21/06

                                          

Por Fernando Yazbek

            Em uma semana agitada na política nacional, os mais de um milhão de infectados pelo novo coronavírus quase não foram notícia. Com flagrante subnotificação de casos e de mortes, o país chegou à marca dos sete dígitos na última sexta-feira (19/06) e vai passando das 50 mil fatalidades pela covid-19. Enquanto isto, Brasília segue sem um ministro da Saúde há mais de mês e, agora, também sem chefe na pasta educacional. Os bastidores da capital federal já davam como certa a saída de Abraham Weintraub da Esplanada dos Ministérios desde que o cerco dos inquéritos sobre fakenews e ameaças ao Poder Judiciário se espreitou no agora ex-ministro. Demitido no mesmo dia em que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos), Fabrício Queiroz, foi preso em Atibaia – interior de São Paulo – na casa do advogado da família presidencial, Weintraub se despediu do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em um vídeo no qual avisava sua ida ao Banco Mundial. Antes deste anúncio, se ventilava a possibilidade de que o desgastado ministro assumiria um posto diplomático em Lisboa quando deixasse a Educação. 

        E a mídia portuguesa não viu a possível indicação com bons olhos. O Diário de Notícias lembrou que Weintraub “acumula gafes” e é tido no meio jornalístico e acadêmico como o “pior ministro da história”. O jornal citou o editorial da Folha de São Paulo que o classificava como um “jagunço do bolsonarismo que envergonha a pasta” [de educação]. Trazendo depoimentos de eurodeputados portugueses, o Diáriorepercute falas de que “Portugal não é caixote de lixo do bolsonarismo”. A matéria relembra ainda os inúmeros erros gramaticais do mandatário do MEC, suas ligações com manifestações antidemocráticas milicianas e seus erros geopolíticos ao atacar a China em tom claramente xenófobo. 


         Weintraub chegou ao estado norte-americano da Flórida já neste sábado (20/06), depois de manifestar pressa em sair do Brasil em face das investigações que correm contra ele no Supremo Tribunal Federal. Tendo seu nome indicado para o cargo de diretor-executivo do Banco Mundial, o ex-ministro embarcou para os EUA com passaporte diplomático do executivo federal e só foi desvinculado do governo por edição extra do Diário Oficial quando já estava em solo estadunidense. O jornal Miami Herald noticiou a tragédia brasileira da marca do milhão de infectados comentando que o presidente Bolsonaro “ainda menospreza os riscos do vírus”, isto “apesar das mais de 50 mil mortes”. Para o Miami, destino primeiro de Weintraub, a ala ideológica do governo brasileiro insiste que o impacto do distanciamento social na economia “é pior que a própria doença”. O jornal alerta que cidades brasileiras onde o contágio estava controlado, como Porto Alegre, agora sofrem com a escalada da epidemia e com as lotações dos leitos de UTI. 

       Já Curitiba foi destaque negativo na versão em português do espanhol El País. A capital paranaense que tinha a situação estável no início do mês de maio e adotaria o “modelo sueco” de reabertura, segundo o prefeito Rafael Greca (DEM), teve seu risco de alerta aumentado de moderado para médio nas últimas semanas. Na cidade, são cinco mortes atribuídas a causas respiratórias para uma de covid-19, aponta o El País como provável sintoma de subnotificação curitibana, que vê seu Hospital do Trabalhador com 88% dos leitos ocupados. 

         Em castelhano, o El País destacou a saída “sem sobressaltos” do ministro Weintraub como a quarta baixa ministerial durante a pandemia, sendo a décima segunda troca na Esplanada. Em tom crítico, o jornal sublinha que, antes de deixar o cargo, o então ministro revogou decretos aprovados em 2016, ainda na presidência de Dilma Rousseff, que regulamentavam cotas para negros, indígenas e deficientes para vagas em pós-graduações nas universidades federais. 

            Mas o juízo feito pela mídia espanhola ao Brasil veio em artigo de opinião intitulado “Camisa de força”, na segunda-feira (15/06) no mesmo jornal. Nele, lê-se que “nada de bom poderia ter saído da união de um capitão desequilibrado e um charlatão fisiológico”, em referência a chapa presidenciável Jair Bolsonaro e seu vice General Hamilton Mourão (PRTB). Mais a frente, a aliança do presidente com o eleitorado evangélico é chamada de “patológica” e as reformas ultraliberais e moralistas, que seguem os ensinamentos de Olavo de Carvalho, são tidas como “paranoicas”. O artigo conclui que Bolsonaro vestiu a “camisa de força” da democracia e leva o Brasil ao mesmo destino de Nicarágua, Venezuela e da antiga República de Weimar, um século atrás na Alemanha. 

        A mídia alemã, por sua vez, utilizou-se do argumento da congressista socialdemocrata europeia Delara Burkhardt de que “o desmatamento na Amazônia não é apenas um assunto brasileiro” para repercutir a estratégia da Comissão Europeia de barrar que produtos de origem no desmatamento cheguem no mercado do continente. Os deputados do órgão executivo da União Europeia acusaram o governo brasileiro de “explorar a pandemia para fazer avançar o desmatamento na Amazônia e privar os povos indígenas de seu habitat”, deu a Deutsche Welle. 

            Ainda na emissora internacional alemã, o Brasil foi notícia por se posicionar contra a criação de uma comissão de inquérito internacional para investigar abusos e violência policial contra a população negra nos Estados Unidos. A decisão veio em uma reunião extraordinária do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, da ONU. O argumento brasileiro é de que “o problema do racismo não é exclusivo de uma região específica”. Com este alinhamento a Washington, Brasília se afastou de todas as nações africanas que se uniram no projeto de resolução pedindo uma comissão de inquérito internacional antirracismo. 

          A prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do Senador Flávio Bolsonaro quando então Deputado Estadual fluminense, também repercutiu na mídia estrangeira. O nova-iorquino Bloomberg avalia que vários aliados do presidente Bolsonaro têm enfrentado semanas difíceis em investigações contra corrupção e notícias falsas. Queiroz é um “amigo de longa data” da família presidencial, lembra a rede de televisão americana, citando que foram vistos juntos “pescando, comendo churrasco e na praia”. 

     Costumeiro crítico do governo brasileiro, o inglês The Guardian faz detalhada apresentação do esquema das “rachadinhas” pelo qual pairam acusações contra Fabrício Queiroz e Flávio Bolsonaro. A matéria também conecta o ex-deputado estadual a membros do “notório esquadrão da morte mais letal” do Rio de Janeiro: a milícia Escritório do Crime. Guardian, fazendo um apanhado da repercussão na mídia brasileira, percebe que até sites “conservadores” como O Antagonista apontam o caso como bastante preocupante para o governo, uma vez que Queiroz foi preso em propriedade do advogado da família Bolsonaro. 

        O The New York Times, em letras garrafais, deu que o Brasil “pode virar o país com maior número de mortes pela covid-19” já no mês de julho, ultrapassando os Estados Unidos. O artigo traz a cronologia do vírus no país, demonstrando como alcançou-se um nível tão alto de contágio e o que as autoridades têm feito para frear o surto. Com a repercussão política da pandemia, Times enxerga que a responsabilização da crise só não caiu inteiramente no colo do presidente Bolsonaro por causa das reiteradas “ameaças de intervenção militar” para proteger seu grupo no poder.

            O polêmico retorno do futebol brasileiro foi pauta no La Nacion. O jogo no Maracanã vazio entre Flamengo e Bangu, vencido por 3 a zero pelos rubro-negros, foi a primeira partida oficial em quase 3 meses em toda a América do Sul, lembrou o periódico argentino, justamente no país latino mais afetado pela pandemia. O jornal questiona a razoabilidade da volta dos jogos, ainda mais num estádio onde funciona, há poucos metros de distância, um hospital de campanha onde morreram duas pessoas somente nos 90 minutos da partida.
            La Nacion faz um recorrido dos últimos acenos de proximidade entre o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, com Jair Bolsonaro. O “clube mais popular da cidade”, assim como o governo federal, tem rusgas com a Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Carioca. A reportagem destaca que torcedores rivais de Flamengo, Botafogo, Vasco e Fluminense protestaram unidos e pacificamente contra a retomada do calendário esportivo em uníssona desaprovação ao presidente da República.

       Atenuando a radical mudança no eixo diplomático, o Brasil foi o único país sul-americano a votar contra resolução na ONU que reconhece o direito internacional em territórios Palestinos e condena a violência por forças ocupantes sionistas. Além do Brasil, apenas outros oito países foram contrários ao documento. 
Ao mesmo tempo, o Brasil ganhou manchete no israelense The Jerusalem Post pelo pastor que teria pregado um “novo holocausto” proferindo insultos antissemitas durante um sermão no Rio de Janeiro. 

         O Brasil vai entrando no solstício de inverno com aliados presidenciais exilados e presos, de Weintraub e Queiroz a Sara Winter. Colecionando desprestígio na mídia e nas organizações internacionais, um milhão de brasileiros doentes não são o foco de um país que, abarrotado de inimigos e intrigas, não tem tempo de cuidar do seu povo. 



Referências:
ANDREONI, Manuela. Coronavirus in Brazil: what you need to know. The New York Times, 20 jun. 2020. Disponível em <https://www.nytimes.com/article/brazil-coronavirus-cases.html?searchResultPosition=1>
AZNÁREZ, Juan J. Camisa de Fuerza. El País, Madri, 15 jun. 2020. Disponível em <https://elpais.com/opinion/2020-06-15/camisa-de-fuerza.html>
BRASIL se posiciona contra inquérito da ONU sobre violência policial nos EUA. Deutshce Welle, 18 jun. 2020. Disponível em <https://www.dw.com/pt-br/brasil-se-posiciona-contra-inquérito-da-onu-sobre-violência-policial-nos-eua/a-53856798>
CHADE, Jamil. Contra palestinos, Brasil apoia Israel em voto na ONU. UOL, 19 jun. 2020. Disponível em <<https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2020/06/19/contra-palestinos-brasil-apoia-israel-em-voto-na-onu.htm>>
EL fútbol volvió em Brasil com polémica y a pocos metros de um hospital de campaña. La Nacion, Rio de Janeiro, 18 jun. 2020. Disponível em <https://www.lanacion.com.ar/deportes/futbol/el-futbol-volvio-brasil-polemica-pocos-metros-nid2382287>
IGLESIAS, Simone. Former Aide to Bolsonaro’s Son Arrested in Brazil Probe. Bloomberg, 18 jun. 2020. Disponível em <https://www.bloomberg.com/news/articles/2020-06-18/former-aide-to-bolsonaro-s-son-arrested-in-brazil-investigation>
LIPHSHIZ, Canaan. Brazilian pastor and congregants pray for another holocaust. The Jerusalem Post, Jerusalém, 20 jun. 2020. Disponível em <https://www.jpost.com/diaspora/antisemitism/brazilian-pastor-and-congregants-pray-for-another-holocaust-632138>
MOREIRA, João A. “Pior ministro de Bolsonaro” pode estar a caminho de cargo em Portugal. Diário de Notícias, São Paulo, 17 jun. 2020. Disponível em <https://www.dn.pt/mundo/pior-ministro-de-bolsonaro-pode-estar-a-caminho-de-cargo-em-portugal--12322472.html
OLIVEIRA, Joana. Dimite el ministro brasileño de Educación, que instó a enviar a la cárcel a los jueces del Supremo. El País, São Paulo, 18 jun. 2020. Disponível em <https://elpais.com/internacional/2020-06-18/dimite-el-ministro-brasileno-de-educacion-que-insto-a-enviar-a-la-carcel-a-los-jueces-del-supremo.html>
PHILLIPS, Tom. Brazilian police arrest Bolsonaro ally in corruption inquiry. The Guardian, Rio de Janeiro, 18 jun. 2020. Disponível em <https://www.theguardian.com/world/2020/jun/18/brazilian-police-arrest-bolsonaro-ally-in-corruption-inquiry>
RUPP, Isadora. Estratégia “sueca” falha e Curitiba volta a fechar bares e parques para frear coronavírus. El País, Curitiba, 15 jun. 2020. Disponível em <https://brasil.elpais.com/brasil/2020-06-15/estrategia-sueca-falha-e-curitiba-volta-a-fechar-bares-e-parques-para-frear-coronavirus.html>
SAVARESE, Mauricio. Brazil tops 1 million cases as coronavirus spreads inland. Miami Herald, São Paulo, 19 jun. 2020. Disponível em <https://www.miamiherald.com/news/article243676512.html>
UE quer boicote a produtos de áreas desmatas. Deutsche Welle, 19 jun. 2020. Disponível em <https://www.dw.com/pt-br/ue-quer-boicote-a-produtos-de-áreas-desmatadas/a-53875332>
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sábado, 20 de junho de 2020

Dia Mundial do Refugiado - por que esta data é tão importante?



Desde 2001, o Dia do Refugiado é comemorado ao redor do mundo no dia 20 de junho - data em que foi celebrado o aniversário de 50 anos da Convenção das Nações Unidas Relativa ao Estatuto dos Refugiados. Esse tratado definiu quem era o refugiado, além dos deveres e direitos entre essas pessoas e os países que as acolhem. Mesmo sendo criado para resolver o cenário dos refugiados na Europa após a Segunda Guerra Mundial, a Convenção permanece, até hoje, sendo o principal pilar da proteção aos refugiados. 
Portanto, quem são essas pessoas e por que elas partem de seus países de origem? De acordo com a própria Convenção, "são refugiados as pessoas que se encontram fora do seu país por causa de fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, opinião política ou participação em grupos sociais, e que não possa (ou não queira) voltar para casa".  Conceituar o refugiado é um ato relativamente novo, mesmo que a sua prática não o seja. Há registros escritos há 3.500 anos de acolhimento e proteção a estrangeiros, durante o crescimento de grandes impérios do Oriente Médio. Ainda que naquela época, os motivos pudessem ser ligeiramente diferentes dos atuais, o medo sempre acompanhou os refugiados, do momento em que decidem sair de seu país e até mesmo depois de chegarem em outro território, uma vez que não há garantia de que serão tratados com dignidade em determinados países. 
Celebrar o dia 20 de junho é celebrar a força e a coragem dos que encontraram determinação para buscar uma vida melhor, muitas vezes em um lugar inteiramente diferente daquele com que estavam acostumados. Sua perseverança deve ser sempre admirada - os obstáculos no caminho não são poucos e não são raras as vezes em que a morte encontra pessoas antes que elas pudessem encontrar um lugar seguro para viver. Uma saída forçada de seu lar sempre terá motivos que não cabe a nós questionar. Nosso dever, ao receber refugiados, é abrigar e acolher, além de sempre lutar por melhores condições e direitos para quem não os tem. 
Todos os anos, para comemorar esse dias, a ACNUR - Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados - promove eventos ao longo do mês, como mostras de cinema, debates, exposições fotográficas e experiências gastronômicas, com o objetivo de integrar os refugiados na sua atual sociedade. Além disso, há também iniciativas independentes, porém com o mesmo objetivo: a integração. No ano de 2019, aconteceu a Copa dos Refugiados em diversas cidades brasileiras. O evento reúne, integra e confraterniza os refugiados de diferentes países, trazendo visibilidade para a causa. Em junho do mesmo ano, o grupo de extensão De Portas Abertas para o Mundo realizou, em Curitiba, uma festa cultural que contou com apresentações artísticas, como poesia, músicas e danças.
Neste ano de 2020, por conta da pandemia que assola o mundo inteiro, os eventos ficarão no ambiente online. A ACNUR promoverá lives com diferentes atividades artísticas e de lazer com a população refugiada, para reforçar o tema global: “Todos podem fazer a diferença: cada ação é importante”, mas sem esquecer das complicações que o Covid-19 trouxe. Confira os eventos através do link: https://www.acnur.org/portugues/diadorefugiado/. 

Referências
CONVENÇÃO de 1951. ACNUR. Disponível em: <https://www.acnur.org/portugues/convencao-de-1951/>.
REFÚGIO no mundo. IKMR. Disponível em: <http://www.ikmr.org.br/refugio/refugio-no-mundo/.
Dia Mundial do Refugiado celebra integração, promove cultura e debate os desafios do refúgio no Brasil. Nações Unidas Brasil. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/dia-mundial-do-refugiado-celebra-integracao-promove-cultura-e-debate-os-desafios-do-refugio-no-brasil/>.
Acontece no UNICURITIBA: Grupo de Extensão "De Portas Abertas para o Mundo" realiza evento para celebrar o Dia Mundial do Refugiado. Blog Internacionalize-se. Disponível em: <https://internacionalizese.blogspot.com/2019/07/acontece-no-unicuritiba-grupo-de.html>.
Em Pauta: Copa dos Refugiados acontecerá esta semana em Curitiba. Blog Internacionalize-se. Disponível em: <https://internacionalizese.blogspot.com/2019/09/em-pauta-copa-dos-refugiados-acontecera.html>.
Dia Mundial do Refugiado 2020. ACNUR. Disponível em: <https://www.acnur.org/portugues/diadorefugiado/>.
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