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terça-feira, 13 de agosto de 2019

Mulheres de Destaque: Angela Moreira – 20 anos dedicados a docência





Por Maria Letícia Cornassini
*Texto escrito a partir de entrevista com a Professora.

Pelos corredores do UNICURITIBA, circula uma das 100 primeiras formadas de Relações Internacionais do país. Descendente de uma família de imigrantes, a professora Angela Moreira foi inspirada pela história dos pais, seu gosto por cinema – e com isso o conhecimento de culturas de outros países- e suas habilidades com idiomas para embarcar na jornada das Relações Internacionais. Não só isso, a professora conta que seu desejo por trabalhar com uma coisa que a fizesse feliz pelo resto da vida e o respeito pelas diferenças- cultivado desde cedo dentro de sua família- foram também fatores contribuintes na escolha de seu curso, mesmo que ele fosse tão novo.

Ativista desde cedo, a professora lutava pela redemocratização já antes de iniciar a faculdade. Chegou a ir ver Fernando Gabeira no dia de sua colação do segundo grau. Em seus tempos de UNB, conta que havia um respeito maior pelas críticas de lados opostos dentro do meio acadêmico. Após a faculdade, estava num mercado que rapidamente absorvia os profissionais de R.I. que não iam para o Itamaraty, devido a alta demanda. Durante a faculdade, a professora dava aulas particulares de apoio à crianças, mas começou de fato sua carreira como internacionalista formada na Secretaria de Assuntos Internacionais com a UNESCO.

Com vontade de falar Francês, a professora buscou nos jornais da época bolsas que a oferecessem essa oportunidade, se candidatou e foi aceita no programa de bolsas para francofonia ofertado pelo Governo do Quebec, no Canadá. Ela conta que sempre teve encorajamento dos pais para que buscasse esse tipo de experiência e como não queria seguir o padrão que ainda era imposto às mulheres no Brasil, embarcou rumo a um novo país. Mesmo não falando direito o idioma, a vontade de crescer a fez persistir e cursar o mestrado no Canadá.

Ainda no Canadá, trabalhou na Organização da Aviação Civil Internacional e, além da experiência de trabalho em uma Organização das Nações Unidas, conta que a experiência a deu muita autoconfiança e oportunidades de convivência com diferentes pessoas e culturas – até mesmo dentro dos elevadores. Suas experiências no país não pararam por aí, participou de um programa da rádio comunitária em que toda semana, por três anos, ajudava a divulgar o Brasil em francês. Também fez trabalho voluntário auxiliando o governo como tradutora nos atendimentos à crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade vindos da Ilha da Madeira e dos Açores.

Com uma carreira que nunca foi planejada, e sim guiada pelas oportunidades, a professora voltou para o Brasil e foi trabalhar na UFPR, logo em seguida indo trabalhar na Renault, quando a empresa começou a ser instalada em Curitiba. Sua carreira na docência começou com um convite de seu chefe da UFPR para incorporar o curso de Relações Internacionais em uma outra faculdade, já que naquela época Angela era a única internacionalista de formação em Curitiba. Sua carreira no UNICURITIBA começou com as aulas de Política Internacional Contemporânea nos primórdios do curso de R.I. na instituição. Logo em seguida foi convidada a assumir a Coordenação do curso, e, em meio à circulação entre diversas universidades - a professora chegou a trabalhar em quatro universidades ao mesmo tempo - e participações em bancas, foi conhecendo e chamando professores para compor o corpo docente do curso.

Nestes anos como internacionalista, conta que percebeu dificuldades na carreira acadêmica por ser mãe, já que muitas vezes a dupla jornada não deixava tempo para dedicação a produção acadêmica. Além disso, conta que muitas vezes o fato de ser mulher acaba não gerando convites para convivência nos círculos sociais em que circulam as oportunidades.

Quanto aos objetivos futuros, a professora diz que planeja continuar a aprender e sair de sua zona de conforto.

Após toda sua trajetória, a professora Angela não é apenas uma internacionalista com um currículo ilustre. Ela é uma mulher que durante toda sua carreira sempre esteve disposta a enfrentar o medo. Que ousou quebrar padrões numa época em que já se tinha pré-estabelecido qual seria seu papel. Que estabeleceu as fundações de um curso inteiro, proporcionando oportunidades a centenas de alunos que almejavam uma carreira de internacionalista. Acima de tudo, uma grande mulher que - muitas vezes inconsciente disso - ali de cima do tablado inspira tantas outras a traçarem grandes histórias.
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segunda-feira, 1 de julho de 2019

Mulheres de Destaque: Alexandria Ocasio-Cortez, a mais nova congressista estadunidense da história.


Por Maria Letícia Cornassini



“Mulheres como eu não devem concorrer para o cargo”. É com esta frase que Alexandria Ocasio-Cortez, ou AOC como ficou conhecida popularmente, começa seu vídeo de campanha eleitoral. De fato, quando olhamos o cenário representativo norte-americano -composto 81% por homens brancos e em sua maioria empresários-, mulheres como Alexandria realmente não parecem se encaixar no Congresso. E foi justamente por esta razão que Alexandria concorreu à vaga de deputada do Partido Democrata pelo 14º Distrito contra o, até aquele momento, atual deputado, que permanecia no poder há 14 anos.

No começo de sua candidatura, parecia impossível que uma mulher, jovem, latina, residente de uma comunidade periférica e pertencente a classe trabalhadora pudesse destronar um candidato consolidado e com o apoio financeiro de diversas corporações. Em uma campanha eleitoral movida 100% por voluntários e sem receber doações de corporações, Alexandria priorizou ouvir a comunidade, e pensar nos problemas que ela mesma já havia sentido na pele, para escolher os objetivos que comporiam sua plataforma eleitoral.

Dentre os objetivos que compõem sua plataforma, estão: saúde e moradia como direitos básicos e coletivos; suporte à comunidade LGBTQ+,  à população idosa e aos direitos femininos; controle de armas; meio ambiente limpo e aumento do salário mínimo. Não só isso, durante toda sua campanha fez questão de distribuir materiais eleitorais nos idiomas de seus eleitores: inglês, espanhol e iemenita.

E agora você deve estar se perguntando: Falar é fácil, mas o que ela tem feito até agora?

Após ter sido eleita, e agora ter o título de representante mais jovem da história do Congresso Estadunidense, Alexandria tem feito campanha para a aprovação do “Green New Deal” –que propõe um modelo mais sustentável com objetivo de eliminar a poluição e diminuir as mudanças climáticas-; critica abertamente a liberdade e falta de controle concedida pela lei aos atos Presidente; luta pelo fim e critica os campos de detenção em que atualmente ficam os imigrantes e iniciou uma coalisão com o deputado que é seu maior crítico para propor uma lei que barre antigos políticos de participarem de atividades de lobby.

Sua trajetória em busca do cargo de deputada foi registrada pelo Netflix, e, junto à trajetória de mais três mulheres em busca de voz política, compõe o documentário “Virando a Mesa do Poder”. Como espectadores, ficamos cientes das dificuldades enfrentadas pela atual deputada ao desafiar um candidato cercado por lobistas e cujo poder lhe foi dado a tempos: estabelecimentos não permitem que ela exponha suas propostas; o representante não participa de debates dentro da comunidade junto à ela; tentam a intimidar. Em um momento, se preparando para o maior debate contra seu oponente, ela diz “Eu debaterei representando o movimento hoje. Não se trata de me eleger ao Congresso. Trata-se de nós chegarmos ao Congresso”. Vem daí o papel de destaque de Alexandria.

Isto porque ela não representa somente um novo rosto na política. Representa mais. Representa a ascensão de mulheres num lugar em que nunca foram muito ouvidas, nem mesmo no maior país democrático do mundo: o meio político. Representa a luta e o reconhecimento dos interesses de minorias, sejam elas étnicas ou sociais. Representa a nova política desmantelando o castelo de cartas sob o qual a velha política se baseava. Representa cada cidadão que se deparou com interesses de multinacionais, grandes corporações ou indústrias sendo colocados em primeiro plano na política de um país e pensou “mas não deveria ser assim...”.
Mais que tudo, Alexandria representa a democracia como ela, de fato, deveria ser: do povo e para o povo.

 
Referências:

Documentário “Virando a mesa do poder”- Netflix

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