segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Mulheres de Destaque: Carola Rackete, a capitã do Sea Watch 3 que foi presa por resgatar refugiados


     






       A crise dos refugiados atinge níveis desesperadores e, ainda hoje, há países que se recusam a recebê-los. A bem da verdade, os países têm uma obrigação de não-devolução dos refugiados para seu país de origem - ou seja, quando um refugiado entra em seu território, o Estado deve permitir sua permanência. No entanto, ainda não há nada que os obrigue a auxiliar os refugiados, mesmo com necessidades básicas. Quem faz esse trabalho - que se estende de construção para moradias até resgate dos refugiados que fazem a travessia pelo mar - são ONGs. A Sea Watch foi fundada em 2015 e surgiu da indignação de alguns europeus com a hipocrisia da União Europeia que prega a democracia e a defesa dos direitos humanos, mas fecha os olhos para os refugiados, sendo pela instalação de seguranças nas fronteiras ou por acordos com outros países para a devolução de nacionais, como no caso da Turquia. 



            Sea Watch 3 e a Justiça italiana






Carola Rackete, a corajosa integrante da ONG e capitã do Sea Watch 3, foi presa no dia 29 de junho de 2019 por entrar em território italiano sem autorização. Na embarcação - que estava à deriva há 17 dias - se encontravam 42 refugiados que foram resgatados do Mediterrâneo. Mesmo em condições precárias, nenhum país europeu autorizou a entrada do Sea Watch 3 em suas águas. O vice-premier e ministro do Interior da Itália Matteo Salvini alegou que Carola violou a lei ao forçar a entrada no porto de Lampedusa, no sul da Itália. Prender a capitã alemã foi um ato de crueldade, tanto pelos refugiados que ela ajudou a resgatar, tanto pela própria Carola, que arriscou sua vida nesta jornada. Felizmente, uma juíza italiana pensou assim também. Alessandra Vella acredita que Carola estava cumprindo seu dever de salvar vidas e que sua única opção era atracar na Itália, mesmo que os portos da Tunísia fossem mais próximos, uma vez que não seria seguro para os refugiados desembarcarem neste país - coisa que o Salvini pareceu ignorar completamente (e não surpreendentemente, ele busca frear as imigrações no país). Salvini inclusive chamou o Sea Watch 3  de navio pirata e ainda multou a ONG de resgate.






Comandante fora-da-lei presa. Navio pirata capturado. Máxima multa para a ONG. Imigrantes distribuídos para     outros países europeus. Missão cumprida.



O Ministro do Interior anunciou publicamente que expulsaria Carola da Itália assim que ela fosse liberada. Além disso, Rackete começou a receber ameaças pelo seu ato de bravura. Por causa desses dois fatores, a capitã preferiu ficar, por um tempo, em um lugar secreto para se proteger. Tal situação nos faz refletir porque constantemente pessoas que praticam o bem são reprimidas dessa forma. Felizmente, no dia 19 de julho, a Sea Watch informou que  a capitã voltou ao seu país natal, porém sem detalhes, a fim de manter a segurança de Carola.



Carola Rackete




            Carola nasceu na Alemanha, na cidade de Preetz. Seu currículo acadêmico é bastante impressionante. Ela primeiramente estudou na escola marítima da Jade University of Applied Sciences, onde se graduou em Ciência, nas áreas de ciência náutica e transporte marítimo. Essa graduação deu a ela o título de capitã pela Agência Federal Marítima e Hidrográfica da Alemanha, que cuida da segurança marítima, monitora poluição dos oceanos e aprova instalações em alto mar. Por dois anos, Rackete navegou por dois anos pelo Ártico e a Antártida, em expedições científicas, como parte do Instituto Alemão Alfred Wegener para a Pesquisa Polar e Marinha. Depois disso, por um curto período de tempo, ela trabalhou como voluntária para o Parque Natural dos Vulcões de Kamchatka. Após trabalhar em uma linha de navios de luxo de Mônaco, ela acompanhou o Greenpeace em suas expedições e também a British Antarctic Survey, que conduz pesquisas científicas na Antártica. Em 2018, ela se tornou mestre em gestão ambiental. Atualmente, ela comanda a embarcação Sea Watch 3, da ONG homônima. Além de tudo isso, ela foi a primeira mulher a comandar um navio de resgate humanitário.


            Como se pode notar, Carola Rackete é uma mulher extremamente corajosa - usar mulher e corajosa na mesma frase é quase um pleonasmo, certo? Por certo que ela merece todo o devido respeito e admiração de todas as partes do mundo (alô, Matteo Salvini?). Como ela mesma disse em entrevista ao jornal italiano La Repubblica “[...]Senti a obrigação moral de ajudar aqueles que não tiveram as mesmas oportunidades que eu.” Carola mostra uma rara consciência de seus privilégios e mais raro ainda é usar deles para poder ajudar os mais necessitados. Carola, você não verá isso, mas obrigada por ser exemplo. Você é uma incrível Mulher de Destaque.



*A ONG Sea Watch se mantém por meio de doações. Se você deseja ajudá-los, acesse o link abaixo para fazer sua contribuição.




Referências

https://sea-watch.org/en/sw-and-cpt-enforce-human-rights-eu-failed/













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quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Opinião: Boris Johnson - o primeiro ministro do Reino Unido e o Brexit



Por Ligia Penia e Michele Hastreiter


Atual primeiro ministro britânico e líder do partido conservador, Boris Johnson é uma das figuras políticas que está chamando atenção ultimamente. Sua carreira política é longa: foi prefeito de Londres de 2008 à 2016 e Secretário de Estado do Reino Unido para os Assuntos Externos e a Commonwealth britânica de 2016 a 2018. Antes disto, atuou no jornalismo, tendo trabalhado no Daily Telegraph e foi o chefe do jornal The Spectator.



Politicamente, começou como parlamentar, para então ser chefe do partido conservador, e aí sim, prefeito. Depois que Theresa May passou a chefiar o partido, Johnson se tornou o Secretário de Estado para Assuntos Externos, cargo ao qual renunciou em julho de 2018. Tomou posse no mesmo mês como Primeiro Ministro, depois da renúncia de Theresa May, que não teve sucesso na tentativa de obter aprovação parlamentar ao acordo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia. May desejou-lhe sorte em seu discurso de despedida, almejando também seu sucesso como um novo começo para a região, dizendo ser a prioridade agora, fazer acontecer uma saída que funcione para o Reino Unido.



Bolsonaro também desejou felicitações e afirmou o compromisso brasileiro com os valores de livre comércio que compartilham, através do seu twitter:



Jair M. Bolsonaro @jairbolsonaro 08:47 - 23 de jul de 2019

- Parabéns @BorisJohnson, novo Primeiro-Ministro do Reino Unido, eleito com o compromisso louvável de respeitar os desígnios do povo britânico. Conte com o Brasil na busca por livre comércio, na promoção da prosperidade para nossos povos, e na defesa da liberdade e da democracia.



Assim como o presidente brasileiro, não faltam polêmicas envolvendo Johnson. O político foi acusado de islamofobia, depois de dizer que os países islâmicos eram séculos atrasados e que mulheres que usam burca se parecem com caixas de correio. Johnson também apoiou a intervenção militar no Iêmen, para a qual o Reino Unido fornece armas e treinamento, mantendo sua comercialização com a justificativa de que há falta de evidências de quebra da lei humanitária internacional no conflito (seria proibida a exportação de armas se fosse comprovado que seu uso é contra civis) porém também se posicionou no sentido de bloquear os inquéritos das Nações Unidas sobre os eventuais crimes de guerra cometidos pelos sauditas na região.



Boris Johnson ameaçava  sair, no dia 31 de outubro, da União Europeia, com ou sem acordo. A saída sem acordo, no entanto, foi proibida pelo parlamento, já que poderia trazer substantivos impactos para economia global. Como resultado, Boris convocou uma moção pedindo eleições gerais.



 Trata-se de uma aposta arriscada de Johson, uma espécie de "all in": se os eleitores escolherem manter Johnson e dar a ele maioria Parlamentar, estarão concordando com a versão linha dura do Brexit e dando força para a postura conservadora...
Aguardamos as cenas dos próximos capítulos na esperança de que esse dia trinta e um de outubro não acabe se tornando o início de novas grandes crises e desentendimentos: realmente horripilante, como o Halloween, comemorado na data.
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domingo, 1 de setembro de 2019

Mulheres de Destaque: Michele Alessandra Hastreiter, professora no UNICURITIBA e responsável pelos blogs “Internacionalize-se” e “UNICURITIBA Fala Direito







Nossa Mulher de Destaque de hoje é alguém “pra lá” de especial! Aniversariante do dia, Michele Hastreiter é uma virginiana que gosta de desafios e não consegue ficar parada.

Embora quisesse, a princípio, cursar jornalismo, acabou por se graduar em Direito pela PUC/PR (2005-2010) e Administração Internacional de Negócios pela UFPR (2006-2009). Sem se contentar com a vida corrida de duas graduações simultâneas, Michele foi logo atrás de especializações. Em 2012 concluiu uma em Direito, Logística e Negócios Internacionais (PUC/PR) e, em seguida, iniciou seu Mestrado em Direito (PUC/PR). Ainda não satisfeita, em 2019 a querida professora do UNICURITIBA iniciou o Doutorado na Universidade Federal do Paraná.

Hoje, além de doutoranda, Michele é Professora de Direito Internacional Público e Privado no Unicuritiba, árdua defensora dos direitos humanos e dos menos favorecidos (inclusive, quando criança, fez um fã-clube do Rubinho Barrichello), apaixonada pela saga Harry Potter, feminista, esposa do Fernando e, principalmente, mãe da Juju!

Como se não bastasse tudo isso, é pesquisadora na área de Direito Internacional, membro do Núcleo de Estudos Avançados de Direito Internacional da PUC/PR e do Grupo de Estudos de Direito Autoral e Industrial (GEDAI), na UFPR. Também, dentro do UNICURITIBA coordenou com o professor Gustavo Blum o projeto “Orange Day”, em 2016, e atualmente coordena o Grupo de Pesquisa Direito Migratório e sua aplicação: em Curitiba, no Brasil e no Mundo.

 Carismática que só ela, Michele em 2019 deu um jeito de retomar um antigo sonho do jornalismo e passou ainda a coordenar os blogs “Internacionalize-se” e “UNICURITIBA Fala Direito”, onde conheceu a melhor equipe de editores (que, coincidentemente, redigiram esse texto em parceria).
 
“A Michele me encanta todos os dias com a sua dedicação, sua franqueza e sua capacidade intelectual privilegiada. Fico sempre muito orgulhoso de saber que, em tempos difíceis como os atuais, os alunos dela podem  contar com um pouco da luz que ela traz, todos os dias, para nossa família. Feliz aniversário!” - Fernando Castro

“Conheci a Michele no meu primeiro semestre do curso de Direito, momento em que foi minha professora! Lembro-me de suas aulas, bem como dos júris simulados por ela realizados. Após nove semestres, nos encontramos novamente! Agora, além de ser sua aluna, sou também uma das redatoras do Blog  por ela coordenado. Que honra, não é mesmo?
A professora Michele é uma pessoa maravilhosa que aquece o coração dos universitários com toda a sua sabedoria. Ressalto, ela não inspira apenas o corpo discente, mas também todos aqueles que estão ao seu redor.
Neste dia tão especial, desejo que sua vida seja repleta de vitórias e que a felicidade esteja sempre ao seu lado!” - Helem Keiko Morimoto

"Minha história com a Michele começou muito antes de eu sonhar que um dia teria a chance de manter contato com uma pessoa tão inspiradora. Em meu momento de maior dúvida sobre a carreira certa a seguir e do porquê da minha escolha pelo Direito, fui despretensiosamente assistir a uma palestra sobre Direito Internacional. Meu primeiro choque foi quando a palestrante subiu ao palco e pensei “não sabia que podia ser professora tão jovem”. Meu segundo choque foi encontrar a área que realmente me fez ter certeza de seguir o Direito, a de Direito Internacional. Lembro até hoje das explicações. A paixão crescente pelo Direito Internacional me levou ao curso de Relações Internacionais. Dois anos depois da palestra, qual foi a minha surpresa? A palestrante que eu tanto admirei seria agora minha professora. De lá para cá, a cada aula da Michele tenho um novo choque (no bom sentido). Me surpreendo com tudo o que ela ensina (sobre matérias e sobre a vida), com a pessoa que ela é, com suas conquistas e com tudo o que ela transmite. Não consigo pensar em um melhor exemplo de mulher de destaque: mãe, professora, aluna, pesquisadora, sonhadora, feminista. Michele realmente é a personificação de várias mulheres em uma só, e neste dia especial, nada mais justo que exaltar isto e agradecer por todo o exemplo e os ensinamentos que ela transmite a cada oportunidade.”  - Maria Letícia Cornassini

“A Michele sempre foi uma professora e pessoa que admirei muito: pelo seu conhecimento, sua desenvoltura, dedicação, sua postura; sempre foi uma daquelas professoras excepcionais e isso todo mundo vê. O projeto do blog, e ter a oportunidade para escrever nele, foi muito importante pra mim, e gostaria de agradecer o empenho dela e essa oportunidade. Eu lembro que assim que a Juju nasceu, a Michele postou uma foto dela com um tip top que dizia: lute como uma garota, e eu pensei: “nossa, realmente estamos mudando o mundo!” Obrigada, Michele, por mudar nossos mundos e fazer sempre além! Feliz aniversário!”. - Lígia Penia

"Desde a primeira vez que a Michele entrou em sala para me dar aula de Introdução ao Direito, eu notei uma energia diferente nela (foi ela quem plantou em mim a vontade de ser professora). E ao longo daquele semestre, percebi-a como uma mulher forte, inteligente e guerreira, que entendia as limitações que - infelizmente - acompanham uma mulher na sua vida, mas que lutaria até o fim para mudar esse cenário. Tive a sorte de ter mais uma matéria com ela e admirar ainda mais essa Mulher de Destaque. Quem conhece a Mi, sabe que o sorriso dela contagia e suas ideias alimentam nossos sonhos. Felizmente, como muitos nesse blog, ela também tem uma jornalista dentro de si e ajudou todos nós a perceber que podemos correr atrás desse sonho também. A oportunidade de participar desse projeto é indescritível e só foi possível por causa dela. Espero que nossa caminhada juntas seja muito longa! Amo tê-la como professora, redatora, e acima de tudo, amiga. Prof, que sua vida seja intensa e cheia se projetos maravilhosos para mudar o mundo, estamos com você nessa! Que nunca te falte amor e alegria! Feliz aniversário <3" - Manuela Paola

“Admiração à primeira vista. Acho que é isso que define o que senti e sinto pela Michele. Nos conhecemos no processo seletivo para o blog e em poucos minutos de conversa já estávamos rindo das coincidências entre nossas vidas e escolhas. De lá pra cá, essa admiração só aumentou. Sua dedicação, força de vontade e amor pelas coisas que faz me inspiram a ir atrás dos meus objetivos e a acreditar que um mundo mais justo, igualitário e sem discriminações ainda é possível se cada um fizer um pouquinho. Sua paixão pelas aulas, seu constante sorriso no rosto e paciência para ensinar sobre temas que, infelizmente, são tão desvalorizados. Fazer parte do blog com a Michele, além de trazer à tona o velho sonho de ser jornalista, me traz a liberdade sobre escrever sobre assuntos importantes, complexos e atuais, mas, principalmente, me dá a certeza que não estou sozinha na busca por um futuro melhor para todos (e para a Juju). Nesse início de um novo ciclo, Michele, não te desejo nada menos do que toda a alegria do mundo, e muita força para continuar sendo essa mulher de fibra e guerreira que você já é! Feliz aniversário!” - Giovanna Maciel

“Meu contato com a professora Michele é recente e, infelizmente, ainda não tive a oportunidade de ter aulas com ela. Infelizmente porque é fácil perceber como ela é gentil e está sempre disposta a ajudar seus alunos. No processo seletivo, a gente teve a sensação de se conhecer de algum lugar e logo descobri que era pelo fato de eu saber que ela faz parte de uma família linda, que já tive um pouquinho de oportunidade de conhecer. Parabéns, muitas felicidades e alegria. Quando precisar de mais um integrante para o FALE da Hermione, estamos por aqui” - Felipe Ribeiro

“Conheci a professora Michele em uma palestra durante o Orange Day. Naquele dia cheguei um pouco depois do horário de início do Evento. A professora Michele já havia terminado sua fala. Ouvi as demais palestrantes, e aguardei as possíveis indagações dos presentes. Após a resposta de uma das palestrantes a uma pergunta sobre o feminismo, um aluno do curso de Relações Internacionais pediu que a Professora Michele abordasse o questionamento levantado. A clareza e inteligência na fala da professora me tornaram um fã. Mais tarde, tive a oportunidade de participar do Blog Unicuritiba Fala Direito, e pude não apenas confirmar minhas impressões a respeito da pessoa dedicada e humana que a Professora Michele é, mas também escrever, debater e pesquisar ao seu lado. Experiência riquíssima. Neste aniversário, além de expressar minha gratidão, desejo para a professora muitas felicidades, persistência, conquistas e saúde”. - Alan José de Oliveira Teixeira

 “Professora Michele, queria manifestar minha admiração pela profissional que é, e pelo olhar atento e receptivo a cada paixão e anseio de pesquisa de seus alunos. Foi inspirador fazer parte de seu grupo de pesquisa sobre a Nova Lei de Migração e, neste ano, um desafio (em termos criativos) apaixonante compor a redação do Blog Fala Direito sob sua coordenação. Por fim, faço uso das palavras de Edgar Morin, um antropólogo e filósofo que a nós é tão caro, e que tive o prazer de ler graças à sua orientação. Tal leitura me permitiu explorar reflexivamente sobre o ser e o viver humano. Obrigada! —> “Cada ser humano é um cosmos, cada indivíduo é uma efervescência de personalidades virtuais, cada psiquismo secreta uma proliferação de fantasmas, sonhos, ideias. Cada um vive, do nascimento à morte, uma tragédia insondável, marcada por gritos de sofrimento, de prazer, por risos, lágrimas, desânimos, grandeza e miséria. Cada um traz em si tesouros, carências, falhas, abismos. Cada um traz em si a possibilidade do amor e da devoção, do ódio e do ressentimento, da vingança e do perdão. Reconhecer isso é reconhecer também a identidade humana.” (MORIN, Edgar. Terra-Pátria. Porto Alegre: Sulina, 2003, p. 59)” — Rafa Pacheco.

“A professora Michele foi muito importante na minha vida universitária. Com ela, eu me encontrei no curso de relações internacionais, aprendi a gostar de direito e de escrever. Suas aulas sempre foram maravilhosas, o que já era de se esperar com uma mulher empoderada, inteligente e simpática! Agora, nessa nova etapa, eu te desejo tudo de bom, professora! Que você tenha um ano incrível, cheio de alegrias! Feliz aniversário, prof.” - Vinicius Canabrava

“Desde a primeira aula com a professora Michele, pude ver o quão dedicada ela é, pois tem o dom de lecionar, cativando os alunos para a disciplina e tornando as aulas muito dinâmicas e interativas. Além de ser querida, muito respeitosa e dedicada, é um grande exemplo contra qualquer comentário machista que venha limitar a capacidade de uma mulher. Quero agradecer muito a professora, por confiar a mim a responsabilidade de ser um dos redatores do blog de R.I. e dizer que a admiro muito”. -  Igor Brandão

 

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quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Mulheres de Destaque: Janiffer Zarpelon, professora do UNICURITIBA e estudiosa do feminismo nas Relações Internacionais


Por Ligia Maffessoni



Professora da UNICURITIBA desde 2012, ficando fora um ano devido ao Doutorado e retornando em 2015, Janiffer Zarpelon é bacharel em Relações Internacionais, Mestre e Doutora em Sociologia Política. Desde cedo, trilhou uma carreira longa com diferentes experiências: primeiro trabalhou com projetos ambientais; depois na área de comércio exterior realizando atividades relacionadas à exportação; e na área de marketing e negociação internacional. Em todas essas experiências aproveitou para divulgar o campo das Relações Internacionais entre seus empregadores, muitos que não conheciam as vantagens e competências do curso, mas se impressionaram com sua capacidade de negociação internacional, devido à complexidade interdisciplinar e ampla compreensão acerca do sistema internacional.



Seus esforços começaram cedo: quando se nasce num contexto de opressão, percebê-lo e querer fazer diferente pode se tornar um objetivo. No seu caso, esse objetivo foi a independência, começou a trabalhar com quinze anos em uma loja de roupas. Quando cursou o curso de Relações Internacionais, seus professores foram na sua maioria homens. Foi no mestrado que teve maior contato com pesquisadoras, momento em que pode questionar a realidade sobre a desigualdade de gênero no Brasil e no mundo e enxergar ainda mais as assimetrias sociais envolvendo as mulheres, motivando a pesquisa, ainda de forma tímida, sobre as teorias de gênero no campo da Sociologia e das Relações Internacionais. Sua orientadora, que também era jovem, foi um exemplo para se identificar profissionalmente.



Seus temas de pesquisa foram: na graduação, sobre a escassez de água e os problemas transfronteiriços no uso do Aquífero Guarani ( um dos maiores reservatórios subterrâneos de água doce do planeta) pelos países do Mercosul, na Especialização pela UFPR, sobre Meio Ambiente, Educação e Desenvolvimento, quando realizou um estudo sobre a importância da Educação Ambiental no Aquífero Guarani. No mestrado em Sociologia Política pela UFSC, realizou um estudo sobre os conflitos e os impactos socioambientais do uso e gestão da água no Aquífero Karst em Colombo.



Passou a lecionar em 2006, ano em que tinha apenas 26 anos. Por ser nova, passou pela dificuldade de ser reconhecida no trabalho, visto que muitos dos seus alunxs eram mais velhos do que ela. Com objetivo de ganhar experiência e amadurecer em alguns temas, levou 5 anos para decidir fazer o doutorado. Sua pesquisa no doutorado no programa de Pós Graduação em Sociologia Política pela UFSC foi sobre a política externa brasileira e como o Brasil se transformou de um receptor para um doador em cooperação técnica internacional na área da saúde.



Tem buscado participar em diversos congressos e seminários a fim de atualizar suas pesquisas e trocar ideias com outros pesquisadores da área. Recentemente participou do 7º Encontro da ABRI  e do Congresso Latino-americano de Ciência Política no México. A professora também tem livros publicados, sendo o mais novo da coleção Os Grandes Julgamentos da História, com o título “Ruanda, o julgamento de Pauline Nyiramasuhuko”, que que analisa o papel do Tribunal de Ruanda para julgar os acusados do genocídio de Ruanda e sobre a primeira mulher julgada pelo crime de genocídio perante uma corte penal internacional em que relaciona as teorias de gênero a fim de analisar esse caso.

Quando lá atrás se sentiu inspirada pela presença feminina na academia, talvez não imaginava que se tornaria tamanha inspiração. Janiffer já orientou diversas publicações, mas também orientou diversas pessoas com seu exemplo, inteligência e força. Essa publicação é também uma comemoração de seu aniversário, e principalmente um agradecimento, à essa mulher de destaque.
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segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Em pauta: Regulamentação da profissão de internacionalista e a adesão ao conselho profissional de Economia.







Por Igor Brandão



Regulamentação da profissão de internacionalista e a adesão ao conselho profissional de economia.

No dia 27 de maio de 2019, o presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Wellington Leonardo da Silva, nos usos de suas atribuições, decide pela Resolução Nº 2.011[1], criar o registro do egresso de Relações Internacionais como profissional vinculado com Conselho. Esta foi publicada no Diário Oficial da União no dia 05 de julho deste ano (DOU nº 128, Seção 1, p.167[1]) e gerou uma polêmica de muita especulação a respeito dos possíveis benefícios que o internacionalista poderia ter ao portar a carteira de identidade profissional emitida pelo conselho.

Logo após tomar ciência do caso, a partir do Diário Oficial, no mesmo dia da publicação, a Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI), emitiu nota[2] destinada principalmente aos internacionalistas, onde repudiou com veemência a iniciativa do Cofecon e ressaltou a impossibilidade do referido conselho de regulamentar a profissão (em oposição ao Art. 1 na resolução[1]), assim como em delimitar as prerrogativas referente as atividades exercidas por estes profissionais.

Entretanto, vale ressaltar que a elaboração e estabelecimento de regulamentos profissionais independem da criação de lei, possibilitando as iniciativas de terceiros (como é o caso da decisão do Conselho), estas estando sujeitas as leis quando existirem, o que não é o caso para a profissão de internacionalista - hoje havendo apenas projetos de lei[3] ainda não votados em demais instâncias -, sendo a profissão de economista um caso oposto, onde a Lei Federal nº 1.411/51[4] estabelece as normas ao exercício laborativo.  

Vale ressaltar que as sanções possíveis para os profissionais de relações internacionais na esfera do Cofecon, só teriam abrangência institucional, no que se refere a participação e ao efetivo registro, não excedendo aos profissionais que optarem pela não adesão (como destacado no subitem 1° do Art., 2 e no Art. 3 da resolução[1]).

Em acréscimo, a Associação foi enfática em destacar que "o único efeito prático que a referida resolução traz é que aquelas e aqueles profissionais de Relações Internacionais que se registrarem nos Conselhos Regionais de Economia terão que pagar uma anuidade para terem uma carteira do Conselho, em que se lerá a palavra “Internacionalista””[2].

No subitem 1° do ART. 4[1], a referida resolução descreve claramente que o profissional internacionalista não poderá exercer as atividades conferidas aos economistas, da mesma forma que descreve sucintamente os principais benefícios que os membros teriam dentro do conselho: a carteira profissional diferenciada (ART. 5°[1]) e a disponibilização de espaços e a organização para reuniões dos profissionais (ART. 6°[1]), tendo o Cofecon e os Corecons (Conselhos Regionais de Economia) como uma espécie de coach e ponte para efetivação das idealizações destas reuniões.

Para embasar ainda mais esta discussão, que é muito recente para ser dada como finalizada, o Internacionalize-se foi ouvir a opinião da professora das disciplinas de Teoria Econômica, Economia Brasileira e coordenadora do curso de Relações Internacionais do Unicuritiba, além de egressa de Economia, Patrícia Tendolini Oliveira:

“Tenho acompanhado a reunião dos coordenadores de graduação dos encontros da ABRI nos últimos anos e a percepção que tenho é que essa regulamentação, caso acontecesse agora, seria precoce, uma vez que faz menos de dois anos que o curso passou a ter DCNs (Diretrizes Curriculares Nacionais). Muitos cursos ainda estão se adaptando às DCNs (de 2017) e a regulamentação, por hora, seria um passo adiante em relação a algo que ainda não se consolidou. A regulamentação em si é controversa uma vez que pode proporcionar segurança aos internacionalistas (em especial quando se pensa na candidatura a vagas, concursos e afins) mas também pode acabar criando amarras a sua atuação profissional – dado que hoje a atuação dos internacionalistas é muito ampla e diversificada.”

Agradecimentos em especial ao professor Gustavo Blum, que em muito colaborou para chegar até as referências sobre o assunto.

Referências:

1. ABMES - Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior - http://www.abmes.org.br/arquivos/legislacoes/Resolucao-CFE-2011-2019-05-27.pdf
2. ABRI - Associação Brasileira de Relações Internacionais - https://www.abri.org.br/informativo/view?TIPO=26&ID_INFORMATIVO=792
3. e-Democracia - Câmara dos Deputados - https://edemocracia.camara.leg.br/expressao/t/aprovacao-da-regulamentacao-da-profissao-relacoes-internacionais/59303
4. Planalto - Online - http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1950-1969/L1411.htm
5. Corecon/PR - https://www.coreconpr.gov.br/wp-content/uploads/2018/11/10-2018.pdf
- Educação Conteúdos Educacionais - https://www.educacao.cc/profissional/o-que-sao-profissoes-regulamentadas.html
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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Opinião: O descaso com a nossa Amazônia







Eram três horas da tarde e o céu de São Paulo estava escuro, mas não foi apenas a chuva que fez o dia virar noite. Uma frente fria que atingiu São Paulo somada com partículas da fumaça provenientes de incêndios florestais fez com que a capital paulista ficasse na escuridão no meio da tarde. 


Desde o fim de julho, a região amazônica no estado de Rondônia vem sofrendo com incêndios. Especialistas dizem que o clima seco é propício para as queimadas, mas há um agravante: o incêndio intencional. Nos dias 10 e 11 de agosto, fazendeiros no Sudoeste do Pará promoveram o que foi chamado de Dia do Fogo, um ato que consistiu em queimar pastos e áreas em processo de desmate para “mostrar apoio às palavras” do presidente Jair Bolsonaro, que por sua vez, anunciou em julho que não confiava nos dados divulgados sobre o desmatamento da Amazônia pelo Inpe, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, um dos órgãos de mais credibilidade do Brasil. Hoje, em 12 de agosto, Bolsonaro comentou sobre os incêndios, alegando que eles foram promovidos por ONGs para “chamar atenção” contra o governo brasileiro. 


            Você deve estar se perguntando: não há nenhum projeto que auxilie e preserve a Amazônia? Ele existe e se chama Fundo Amazônia. Gerido pelo BNDES, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, seu objetivo é captar recursos e doações junto aos países desenvolvidos para investimentos em operações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento. Desde o começo, a Noruega era foi a principal doadora, seguida da Alemanha. O atrito com o governo brasileiro e os dois países começou quando foram surgiram desejos de alterar a configuração do COFA, o Comitê Orientador do Fundo Amazônia que determina as diretrizes e acompanha os resultados obtidos. O COFA é formado pelo governo federal, governos estaduais e sociedade civil. O governo Bolsonaro deseja aumentar a participação de representantes próprios; logicamente, Alemanha e Noruega se opuseram.


            As doações dos dois países europeus são condicionadas ao índice de desmatamento - ou seja, quanto menos Amazônia, menos dinheiro. Foi por isso que, na última semana de agosto, a Alemanha decidiu cortar o apoio financeiro para o Fundo Amazônia, dizendo que tem dúvidas quanto ao empenho em proteger a floresta do desmatamento e preservar o meio ambiente. Em resposta à chanceler alemã Angela Merkel, o presidente do Brasil disse “Pega essa grana e refloreste a Alemanha, tá ok?”.


            Seguindo o exemplo da Alemanha, a Noruega também cancelou repasses para o Fundo. O ministro do Clima e Meio Ambiente norueguês Ola Elvestuen afirmou que o Brasil quebrou um acordo com os dois países europeus supracitados, fazendo referência ao fato de que o Brasil suspendeu a diretoria e o comitê técnico do Fundo Amazônia sem concordância da Alemanha e da Noruega. “O que o Brasil fez mostra que eles não querem mais parar o desmatamento.", disse o ministro.


            A Amazônia queima, mas a atenção se volta para ela apenas quando chega nas capitais. Cidades em Rondônia já haviam experienciado a escuridão que os paulistas viram nesta terça-feira, mas isso não foi noticiado. O Brasil vive a maior onda de incêndios dos últimos cinco anos, com quase 72.000 focos, segundo o Instituto de Pesquisas Ambiental da Amazônia e o Inpe. O nível de queimadas é tão grande que as fumaças são visíveis pelo satélite da NASA. A Amazônia é de extrema importância para o equilíbrio e estabilidade ambiental do planeta. Apesar de voltar atrás na decisão de extinguir o Ministério do Meio Ambiente, o governo deixou a pasta ficar praticamente vazia. A decisão de se retirar do Acordo de Paris, que rege medidas de redução de emissão de gases estufas, foi também infeliz e cruel. Reservas indígenas e animais estão sofrendo e pouco se fala sobre eles. 


            A Amazônia está morrendo. E nada está sendo feito.



Referências











https://br.sputniknews.com/brasil/2019082014413370-temos-cidades-em-rondonia-cobertas-pela-fumaca-das-queimadas/






*A opinião expressa no artigo pertence à autora - e não necessariamente reflete um posicionamento institucional.
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