segunda-feira, 22 de maio de 2017

Por Onde Anda: Marina Sperafico, egressa e assessora Técnica na Agência Paraná de Desenvolvimento




A seção "Por onde anda" entrevista egressos do Curso de Relações Internacionais do UNICURITIBA sobre experiências acadêmicas, profissionais e de vida concretizadas após o término do curso e é coordenada pela Prof. Michele Hastreiter e pela Prof. Angela Moreira.

Nome Completo: Marina Formighieri Sperafico
Ano de ingresso no curso de Relações Internacionais: 2006
Ano de conclusão do curso de Relações Internacionais: 2009
Ocupação atual: Assessora Técnica na Agência Paraná de Desenvolvimento


Blog Internacionalize-se: Conte-nos um pouco de sua trajetória profissional após a formatura no curso de Relações Internacionais.

Marina Sperafico:
Foi no meu último mês como estudante de Relações Internacionais que passei no processo seletivo para trainee da Amcham Brasil, uma organização não governamental e sem fins lucrativos que promove um melhor ambiente de negócios às empresas em geral. Trabalhei lá durante dois anos e, nesse período, completei uma pós-graduação em Gestão Estratégica de Empresas. Quando saí da Amcham entrei para a equipe de Renúncia Fiscal do Hospital Pequeno Príncipe, maior hospital filantrópico pediatrico da América Latina. Nesse período tive a oportunidade de lecionar em uma faculdade e obtive certificação em negociação e liderança pela Stanford Graduate School of Business. Depois, atuei em projetos sociais pontuais e eventos. Foi em 2015 que passei a integrar o time da Agência Paraná de Desenvolvimento, onde estou atualmente, levando, em paralelo, outra pós-graduação, desta vez na área de Negócios Digitais.

Blog Internacionalize-se: Qual a lembrança mais marcante do período de faculdade?
Marina Sperafico: Os momentos que mais me marcaram durante a faculdade foram aqueles em que experimentávamos o dia-a-dia do profissional internacionalista, nos quais podíamos sentir o que seria efetivamente atuar em nossa área, como os simulados da ONU, por exemplo.

Blog Internacionalize-se: Quais as aptidões e conhecimentos desenvolvidos no curso de Relações Internacionais que mais o ajudam na sua profissão atual.
Marina Sperafico: Até hoje me pego lembrando de conhecimentos de Sociologia e Filosofia que adquiri durante a faculdade, talvez porque sempre fui uma entusiasta dessas duas disciplinas. Pode ser um pouco abstrata a maneira por meio da qual tais matérias ajudam o profissional de RI, mas é inegável o seu impacto no dia-a-dia. O curso também ampliou consideravelmente meus conhecimentos em Economia, História, Política e Direito, conteúdos que uso todos os dias. Aptidões como a de análise de conflitos, observação de tendências macroeconômicas, desenvolvimento de estratégias e negociação (Teoria dos Jogos, por exemplo) também são fundamentais para a minha profissão e foram adquiridas ao longo do curso.

Blog Internacionalize-se: Qual foi a experiência mais desafiadora que já teve profissionalmente?
Marina Sperafico: Foram vários os desafios ao longo da minha trajetória profissional. Num primeiro momento enfrentei o preconceito de idade e de gênero (havia resistência por parte de muitos executivos, com os quais eu tinha que lidar diariamente, em levar a sério, aceitar ou considerar colocações feitas por mim). Depois, a liderança de equipes, que demanda sensibilidade, firmeza e jogo de cintura. E ano passado, por fim, trabalhei em um dos meus maiores desafios: desenvolver o setor Aeroespacial e de Defesa no Estado do Paraná, cuja cadeia hoje possui menos de 20 empresas, a maior parte delas fornecedora de serviços. Foram numerosas reuniões, palestras e negociações, no Brasil e no exterior, com empresas e representantes de governos e instituições, a fim de levantar informações, contatos e experiência para desenhar uma estratégia de atração de investimentos, que hoje está sendo executada no Município de Maringá.

Blog Internacionalize-se: Qual conselho deixaria para os nossos alunos?
Marina Sperafico: Há muitos espaços e oportunidades para o profissional de RI no mercado de trabalho. No entanto, é importante ter foco. Por meio de leituras, conversas e estudos, descubra o que existe lá fora. A partir daí, identifique aquilo que te impulsiona, que faz sua auto-confiança crescer; identifique seu sonho. Depois, trace uma estratégia para alcançá-lo e dedique-se a ela, seja por meio do trabalho, seja por meio de estudos ou, melhor ainda, pelos dois. Todas as profissões têm seus exemplos de grande sucesso. Para ser um deles, basta atingir a excelência, confiando na sua estratégia e tendo o discernimento de adequá-la quando necessário. Por fim, além de prazeroso, é muito mais fácil sermos os melhores no que fazemos quando fazemos o que amamos.

Blog Internacionalize-se: Conte-nos sobre como é o seu trabalho na Agência Paraná de Desenvolvimento?
Marina Sperafico: Além de ser responsável por toda a parte de Comunicação, Marketing e Eventos, que promove a imagem da agência (notícias, site, materiais) e a prospecção de novos investidores, atuo na captação ativa de novos investimentos para o Estado do Paraná. No ano passado trabalhei de forma intensa em um projeto de desenvolvimento do setor Aeroespacial e de Defesa no Estado, que este ano está sendo implantado no Município de Maringá, e hoje trabalho na prospecção e atendimento de empresas interessadas em investir no Brasil, estejam elas já localizadas no país ou não, procurando trazê-las para o Paraná e fornecendo serviços de assessoria em levantamento de dados importantes para a tomada de decisão, localização de áreas, articulação governamental e não-governamental, incentivos fiscais e outros.

Blog Internacionalize-se: Como foi o seu processo de recrutamento? O que considera ter sido decisivo para ter sido selecionada?
Marina Sperafico: Networking. Essa foi a peça fundamental. Um ex-colega de trabalho meu foi abordado pelo meu gestor atual e me indicou para o cargo. Outros fatores, contudo, também influenciaram a decisão dele em me contratar, como a formação em Relações Internacionais e a fluência em vários idiomas.

Blog Internacionalize-se: Quais são as atividades que você realiza ou já realizou na Agência Paraná de Desenvolvimento?
Marina Sperafico: Prospecção de empresas nacionais e internacionais com potencial de investimento no Brasil, apoio a empresas investidores, análise do cenário internacional, elaboração de estratégias para desenvolvimento setorial, criação de uma proposta de valor para o Paraná e promoção da sua imagem para potenciais investidores, organização de eventos e participação em conferências e feiras nacionais e internacionais e articulação governamental, empresarial e institucional.

Blog Internacionalize-se: Quais as principais dificuldades para a atração de investimentos estrangeiros no Brasil?
Marina Sperafico: Na minha opinião, as principais dificuldades para a atração de investimentos estrangeiros ao Brasil são a insegurança jurídica e a instabilidade econômica, geralmente engatilhadas por questões políticas. Burocracia e complexidade do sistema tributário também são entraves para um maior fluxo de investimentos, ainda que menos impactantes. As empresas reconhecem o grande mercado consumidor que o Brasil possui e têm interesse em acessá-lo, mas são obrigadas a recuar quando os riscos dos investimentos se tornam mais altos que os retornos previstos.
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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Redes e Poder no Sistema Internacional: Redes da Guerra e suas consequências na escravização de populações africanas





A seção "Redes e Poder no Sistema Internacional" é produzida pelos integrantes do Grupo de Pesquisa Redes e Poder no Sistema Internacional (RPSI), que desenvolve no ano de 2017 o projeto "Redes da guerra e a guerra em rede" no UNICURITIBA, sob a orientação do professor Gustavo Glodes Blum. A seção busca compreender o debate a respeito do tema, trazendo análises e descrições de casos que permitam compreender melhor a relação na atualidade entre guerra, discurso, controle, violência institucionalizada ou não e poder. As opiniões relatadas no texto pertencem aos seus autores, e não refletem o posicionamento da instituição.



Redes da Guerra e suas consequências na escravização de populações africanas
Como as redes de guerra entre tribos africanas pré-coloniais (pré seculo XV) foram um fator facilitador para a escravidão nas Américas

Camila Ersina *

O presente artigo busca analisar como as redes da guerra entre tribos africanas pré-coloniais e seus processos transformadores ao longo dos séculos, favoreceram os processos de dominação e degradação europeia das populações do continente durante o período de escravidão nas Américas.

Embora em períodos distintos, sabe-se que a escravidão ocorreu em todos os continentes do planeta, tornando-a uma instituição consolidada há muitos séculos. No entanto, autores divergem sobre algumas questões concernetes à ela, no que diz respeito, por exemplo, desde a forma com a qual os escravos eram obtidos, passando pelo sistema de escravidão e até a dinâmica com a qual as sociedades escravistas se estruturavam.

Desse modo, é importante trazer a definição do conceito de escravidão. De acordo com Paul Lovejoy (2002), é possível compreender a escravidão ocorrida na África como a forma de exploração na qual os escravos eram considerados propriedade, e eles, em geral, se tornavam estrangeiros alienados das questões jurídicas e sociais do território em que se encontram. A coerção era considerada, nos sistemas escravistas, um mecanismo legitimo e importante para a manutenção do regime, usado como punição dentro dessa instituição. Por fim, os escravos não possuíam direito à sua própria sexualidade e capacidade reprodutiva, uma vez que eram utilizados para a criação de mais mão-de-obra escrava.

No continente africano, a escravidão também ocorreu mesmo antes da chegada dos europeus. Porém, havia uma diferença na sociedade escravista africana com relação ao projeto de poder escravista colocado em prática pelos europeus, pois, de acordo com João José Reis (1987), a escravidão pode ser diferenciada entre sua versão doméstica e sua versão mercantil, o que seria um ponto-chave na questão. A escravidão praticada no continente africano antes do século XV era de caráter doméstico, na qual os escravos eram obtidos em sua grande maioria através de guerras justas entre as diversas tribos africanas, sendo a violência a base da produção de escravos cativos. 

Assim, a escravidão estava associada à agricultura, e nessas sociedades preferia-se escravas mulheres, pois eram elas as encarregadas de cuidar das lavouras. Devido à poligamia, ao tornarem-se escravas, elas também passavam a ser esposas do seu senhor, e quanto mais esposas um proprietário de escravos tivesse, mais mão de obra teria para cuidar das lavouras e das tarefas domésticas. As escravas também serviam para procriar, e seus filhos, ainda que escravos, seriam incorporados à sociedade e poderiam casar com mulheres livres. Quando seu senhor morresse, os filhos e suas e esposas tornavam-se livres. As guerras entre as tribos podiam ser econômicas e objetivavam angariar escravos. Os saqueamentos de tribos rivais e sequestros de seus indivíduos também eram mecanismos muito recorrentes dentro das guerras tribais africanas (REIS, 1987).

A partir da obtenção de escravos através do uso da violência oriunda das guerras, as sociedades africanas se fundaram, e se consolidaram. Algumas delas eram apresentavam tanta complexidade quanto a sociedade europeia, embora, com relação ao mundo europeu e ocidental, estivessem isoladas socialmente no interior do continente. Nessas sociedades, os escravos adultos do sexo masculino não eram muito valorizados, pois acreditava-se que esses poderiam representar uma maior resistência à sua escravização e por consequência causar rebeliões que causariam desalinho às sociedades africanas (REIS, 1987).

Dessa forma, após a chegada dos europeus no final do século XV, e o estabelecimento de suas feitorias na costa oeste da África, bem como nas ilhas africanas do atlântico, a elite africana encontrou uma saída para esse imbróglio. Eles, então, passaram a destinar esses escravos para a chamada escravidão mercantil em troca de produtos oriundos da Europa e da Ásia que os interessavam. Reis (1987) classifica a escravidão mercantil como institucionalizada. Para o autor, há uma necessidade de haver um órgão regulador e especializado que se orienta a partir de um heirarquização política e econômica, e que possui também aparato militar, mas sobretudo demanda (compradores), que seria o Estado mercantil europeu. 

Reis (1987) também pontua que a diferença entre as duas formas de escravidão reside justamente na relação entre senhor e escravo, diferenciando também pelo motivo pelo qual esses escravos foram produzidos, ou seja, a razão ou demanadas interna (dentro do continente africano) e externa (tráfico atlântico de escravos) às quais eles devem atender.

Para Lovejoy (2002), a escravidão sofreu um processo de transformação, já que ela passou a ser um “modo de produção”. Antes da chegada dos europeus, havia outras formas de subordinação, mas após a criação da rede de escravidão atlântica, essas outras formas de subordinação foram diminuindo à medida que a escravidão europeia aumentava consideravelmente. 

O tráfico de escravos foi responsável pela maior migração forçada de pessoas. Um fator que fez com que o fluxo mercantil de escravos se intenssificasse durante os séculos XVII e XVIII foi o fato de que os europeus passaram a fornecer armas produzidas através de técnicas ocidentais às elites africanas. Isso acabou por tornar as guerras regionais irregulares, ou seja, desproporcionais se comparadas ao padrão anterior. Dessa forma, consequentemente, o fluxo de escravos aumentou consideravelmente, já que o conluio entre a predação europeia e o interesse de algumas elites africanas acabou por se reunir durante este processo. 

Como a demanda do tráfico atlântico era maior por escravos adultos do sexo masculino, os interesses se conciliaram e isso foi um dos fatores não somente determinantes, mas também facilitadores para a escravidão nas Américas, pois esse excedente de mão de obra podia ser realocado para além-mar sem haver grandes conflitos entre as elites africanas e os europeus. Acreditava-se que os escravos homens aguentariam por um tempo mais prolongado que as mulheres as condições precárias da travessia, com provisões escassas e risco de contrair doenças nos navios. Esse fato deve ser visto com associação à demanda interna das sociedades africanas, como mencionado, que valorizava escravas mulheres.

Por fim, mas não menos importante, como fator facilitador para a escravidão na América, foram, com certeza, as redes de guerras estabelecidas antes da chegada dos europeus, estes que alicerçaram-se nas já existentes redes de transmigração de escravos, para elaborar um aparato institucional mais especializado, viabilizando, assim, um quadro mais oportuno para institucionalizar a escravidão no continente americano.

* Camila Ersina é acadêmica do curso de Relações Internacionais do Centro Universitário Curitiba (UNICURITIBA), e membro do Grupo de Pesquisa "Redes e Poder no Sistema Internacional".


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LOVEJOY, Paul E. A escravidão na África: Uma história de suas transformações. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

REIS, João José. Notas sobre a escravidão na África pré-colonial in: Estudos Afro-Asiáticos, 14 Ed. Setembro de 1987.

SILVA, Aberto da Costa. A África e a escravidão de 1500 a 1700. Rio de Janeiro: Nova Fronteira/FBN, 2002.

SILVA, Aberto da Costa. Imagens Da África: Da antiguidade ao século XIX.

PATRICK, Manning. Escravidão E Mudança Social Na África.

TAVARES, Talita. Escravidão Interna Na África, Antes Do Tráfico Negreiro.
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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Direito Internacional em Foco: A polêmica ligação de Donald Trump à Presidente de Taiwan






A seção "Direito Internacional em Foco" é produzida por alunos do 3° período do Curso de Relações Internacionais da UNICURITIBA, com a orientação da professora de Direito Internacional Público, Msc. Michele Hastreiter, e a supervisão do monitor da disciplina, Matheus Walger Nascimento. As opiniões relatadas no texto pertencem aos seus autores e não refletem o posicionamento da instituição.


A polêmica ligação de Donald Trump à Presidente de Taiwan

Katlen Carvalho, Maria Vitoria Essenfelder e Tiago Viesba


Segundo Francisco Rezek, para um Estado ter sua soberania reconhecida perante a sociedade internacional, há necessidade de preencher os seguintes requisitos: produzir normas jurídicas internacionais; se ameaçado, poder reclamar e pedir indenizações por atos ilícitos cometidos por outros Estados; possuir acesso aos sistemas internacionais de solução de controvérsias; tornar-se membro e participar plenamente da vida das Organizações Internacionais, estabelecer relações diplomáticas e consulares com outros Estados. Além de completar as seguintes competências: exercer o domínio sobre seu território, independentemente da vontade de qualquer outra fonte de poder; criar normas internas e julgar os atos cometidos em seu território; atribuir a nacionalidade de seu Estado; determinar o direito sobre as pessoas físicas e jurídicas.

Os Estados possuem como elementos o seu povo, um território e um governo que administra e exerce as prerrogativas soberanas – em nome do povo, que é o seu titular. A Convenção de Montevidéu aponta tais elementos como constituintes do Estado e estabelece que o reconhecimento do Estado pela comunidade internacional é mera declaração, não sendo necessário para que o Estado assim o seja. No entanto, tal reconhecimento torna-se imprescindível para a atuação do Estado na arena internacional.

O reconhecimento pode ser diplomático, de jure ou formal. Assim, um Estado pode reconhecer outro formalmente, com uma declaração ou uma notificação aos demais Estados, afirmando que reconhece a existência de um novo governo; diplomaticamente, com o envio de diplomatas ao novo Estado ou com a acreditação dos representantes diplomáticos em seu Estado; de jure, com a formalização de tratados com o novo Estado; formal, com a criação de projetos de cooperação conjunta, envolvendo o Estado que pretende reconhecer.

O reconhecimento de governo, por sua vez, pressupõe o reconhecimento prévio do Estado, dessa forma, o governo passa a ser um dos elementos constituintes deste. A comunidade internacional, no que diz respeito ao reconhecimento do governo, deve opinar sobre a legitimidade ou não de tal, sendo que o não reconhecimento de um governo como legítimo não necessariamente implica no não reconhecimento da soberania de um Estado. O que difere é que os países que não reconhecem um governo não mantêm relações como mesmo, ou seja, muitas vezes ocorre de um Estado ser reconhecido e seu governo não, por questões de afinidades políticas ou instabilidades governamentais como transições bruscas de governo.

Taiwan tem governo próprio eleito democraticamente, instituições independentes, moeda nacional, forças armadas, participa ativamente do comércio internacional e é membro da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC). Para efeitos práticos, é um Estado soberano, mas não é reconhecido pela ONU e pelas principais organizações internacionais – tampouco por grande parte dos países do mundo. Mantém relações diplomáticas apenas com 26 Estados.

Isto porque, no ano de 1949, quando ocorreu a revolução chinesa, Mao Tse Tung assume o poder na China continental, e o até então líder chinês, Chiang Kai Shek, fugiu do país e formou um governo ditatorial e autônomo em Taiwan, com o apoio dos EUA e reconhecimento da ONU. Até então, o governo de Mao Tse Tung não era reconhecido como legítimo pelas Nações Unidas. Porém em 1979, devido às influências da Guerra Fria e a aproximação dos EUA e da China, as Nações Unidas atenderam algumas demandas do governo da China Continental, sendo elas: o reconhecimento de uma única China, com a retirada de Taiwan da organização e a entrada da China no Conselho de Segurança.

Em fevereiro de 1972, com a visita do presidente americano Nixon à China, o processo de estabelecer relações diplomáticas entre os dois Estados começou. Essa visita produziu o “Comunicado de Xangai”, no qual as relações diplomáticas entre EUA e Taiwan foram oficialmente encerradas.

A política adotada pelos EUA em relação à República da China (Taiwan) e à China Continental é adotar a política de “Uma China”, no qual reconhece Taiwan como parte da República Popular da China no Comunicado Conjunto de 1979. Porém os EUA disseram que iriam manter cultural e comercialmente relações não oficiais com as pessoas de Taiwan, mesmo não apoiando a independência da província. Essas relações extraoficiais se dão pelo Instituto Americano em Taiwan (AIT), que é o responsável por implementar políticas norte-americanas em Taiwan.

A Lei de Relações de Taiwan (1979) fornece a base jurídica para a relação não-oficial entre os dois Estados e consagra o compromisso dos EUA de ajudar o Estado a manter sua capacidade defensiva. Para os americanos, manter as relações não-oficiais com Taipé é o maior objetivo, no desejo de uma paz duradoura e estável na Ásia, insistindo na resolução pacífica das diferenças entre os dois lados do Estreito, se opondo às mudanças unilaterais do status quo por qualquer um dos lados e encorajando ambas as partes a continuarem seu diálogo construtivo com base na dignidade e no respeito. Na prática, contudo, as relações entre China e Taiwan são mais complexas, uma vez que a República Popular da China possui mísseis nucleares apontados para a República da China. 



Por essa razão a ligação do atual presidente norte-americano Donald Trump à presidente de Taiwan gerou uma repercussão mundial, pois os EUA não reconhecem o país oficialmente, embora até hoje forneçam equipamento bélico para o mesmo. Este dado é confirmado pelo próprio presidente dos EUA em um Tweet publicado em forma de protesto contra as reclamações feitas pelo Ministro das Relações Exteriores da China, por ter feito a ligação para a presidente de Taipé, parabenizando-a por ter vencido as eleições. A polêmica se dá, basicamente, pelo fato de que para se reconhecer um governo a premissa é de que o Estado já tenha sido reconhecido previamente - o que não ocorreu por parte dos EUA por causa da política de Uma China.

Todas as relações com o povo de Taiwan ocorrem por meio do AIT, que é uma corporação privada, sem fins lucrativos, que executa serviços civis e consulares semelhantes aos postos diplomáticos.

A ameaça de um conflito militar entre China e Taiwan permanece constante, sendo que durante décadas não houve comunicação, viagens ou comércio entre os dois países. A tensão começou a diminuir nos anos 1990, quando Pequim e Taipé (capital de Taiwan) chegaram a um acordo para permitir ambiguidade deliberada sobre questões de soberania. Esse fato traçou o caminho para a cooperação econômica e cultural entre ambos os países. Desde então, os negócios taiwaneses têm investido bilhões no continente e milhões de turistas chineses têm visitado a província.

A ligação feita para a Presidente de Taiwan foi uma ligação oficial que abre a discussão de que os EUA poderiam estar dispostos a reconhecer a Província de Taiwan como o Estado Soberano de Taiwan e também representou a possível posição dos EUA com relação a ingerência nos assuntos regionais, levando em consideração que Trump demonstra uma tendência por atos unilaterais em sobreposição dos interesses norte-americanos, mesmo que em relação a outra potência.



Referências:


REZEK, Francisco. Direito Internacional Público, Curso Elementar. 16ª Ed. 2016. Capítulo I/ Seção VI

https://www.nytimes.com/2016/12/05/world/asia/china-donald-trump-taiwan-twitter.html

https://www.theguardian.com/us-news/2016/dec/03/trump-angers-beijing-with-provocative-phone-call-to-taiwan-president

https://twitter.com/realdonaldtrump/status/804848711599882240

https://www.nytimes.com/2016/12/05/world/asia/china-donald-trump-taiwan-twitter.html?_r=0

http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38191385

https://www.nytimes.com/2016/12/05/world/asia/china-donald-trump-taiwan-twitter.html?_r=0

http://www.taiwangovernmentusa.org/constitution.html

https://www.washingtonpost.com/opinions/trumps-taiwan-call-wasnt-a-blunder-it-was-brilliant/2016/12/05/d10169a2-bb00-11e6-ac85-094a21c44abc_story.html?utm_term=.fb58d773516f

http://g1.globo.com/mundo/noticia/por-que-a-conversa-de-donald-trump-com-a-presidente-do-taiwan-ja-gerou-um-conflito-diplomatico.ghtml





Referencia das fotos em ordem:

1. http://indianexpress.com/article/world/china-again-rejects-trumps-suggestion-to-negotiate-taiwan-4474989/

2. http://thestrategictimes.com/taiwan-claim-can-hit-china-with-missiles/

3. http://www.express.co.uk/news/world/739360/donald-trump-taiwan-Tsai-Ying-wen-china-phone-call-independence-president









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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Por Onde Anda: Camila Gonçalves Almeida, egressa e Assessora na Secretaria de Relações Internacionais e Cerimonial do Governo do Estado do Paraná



A seção "Por onde anda" entrevista egressos do Curso de Relações Internacionais do UNICURITIBA sobre experiências acadêmicas, profissionais e de vida concretizadas após o término do curso e é coordenada pela Prof. Michele Hastreiter e pela Prof. Angela Moreira.


Nome Completo: CAMILA GONÇALVES DE ALMEIDA

Ano de ingresso no curso de Relações Internacionais: 2010

Ano de conclusão do curso de Relações Internacionais: 2013

Ocupação atual: Assessora na Secretaria de Relações Internacionais e Cerimonial do Governo do Estado do Paraná



Blog Internacionalize-se:  Conte-nos um pouco de sua trajetória profissional após a formatura no curso de Relações Internacionais.

Camila Almeida: 
Durante a faculdade fiz estágio no Consulado do Reino dos Países Baixos em Curitiba, no qual tive contato com o Corpo Consular e instituições públicas. Após a formatura, tive a oportunidade de realizar um summer course na Universidade de Genebra sobre Understanding Global Governance, onde pude conhecer várias instituições internacionais e me apaixonei ainda mais pela área. No começo de 2015, através de alguns contatos já estabelecidos previamente, encaminhei meu curriculum à Secretaria de Relações Internacionais e Cerimonial do Governo do Estado e fui chamada para uma entrevista.


Blog Internacionalize-se: Qual a lembrança mais marcante do período de faculdade?

Camila Almeida:  Os debates calorosos em sala

Blog Internacionalize-se: Quais as aptidões e conhecimentos desenvolvidos no curso de Relações Internacionais que mais o ajudam na sua profissão atual.
Camila Almeida: Sem dúvida, a diplomacia.

Blog Internacionalize-se:  Qual foi a experiência mais desafiadora que já teve profissionalmente?
Camila Almeida: Em outubro de 2015 recebemos no Paraná o Príncipe Akishino e a Princesa Kiko do Japão para uma visita oficial de apenas um dia. Mas a preparação para que tudo ocorresse bem durou cerca de três meses. Recebemos também, em outubro de 2016, a comitiva do Conselho dos Países Árabes, composta por 13 Embaixadores e representantes da Câmara de Comércio Árabe brasileira, na qual, tivemos que readequar rigorosamente nosso formato de atendimento para atender os visitantes respeitando sua cultura. 


Blog Internacionalize-se: Como foi o processo para sua nomeação à Secretaria de Cerimonial e Relações Internacionais do Governo do Estado?
Camila Almeida: Durante a faculdade, me interessei na área da paradiplomacia então, este sempre foi meu foco. Apliquei para um estágio na secretaria, porém não tive sucesso. Enquanto estagiava no Consulado da Holanda, tive a oportunidade de aprofundar os contatos e depois de formada, encaminhei meu currículo e fui chamada para uma entrevista com o Secretário da pasta.

Blog Internacionalize-se: Quais as principais atividades realizadas nesta Secretaria?
Camila Almeida: Além de preparar e acompanhar o Governador nos eventos oficiais é da competência da Secretaria montar e acompanhar agendas oficiais para autoridades em visita ao Paraná.

Blog Internacionalize-se: Como é o dia a dia no seu trabalho?
Camila Almeida: Não há rotina. Nos dias que antecedem e durante as missões o trabalho é intenso e sem horário. Muitas vezes temos que receber autoridades no domingo ou acompanhar o Governador em algum evento durante o final de semana.

Blog Internacionalize-se: Como é o envolvimento dos governos estaduais nas relações internacionais contemporâneas?
Camila Almeida: Em torno de 10 anos atrás, o Governo Federal passou a incentivar a cooperação decentralizada, dando autonomia para os estados buscarem novos parceiros sem passar pela análise do Itamaraty. Em paralelo, o Paraná foi eleito, por dois anos consecutivos, o segundo estado mais competitivo da América Latina pela consultoria britânica do grupo The Economist. Com isso, percebemos que o cenário internacional voltou sua atenção para o Paraná o que vem gerando muitas visitas com o intuito do estabelecimento de parcerias. O último Memorando de Cooperação, que tem o intuito de fomentar parcerias comerciais, técnicas e culturais, foi assinado entre o Governo do Paraná e a Finlândia, como fruto da visita oficial do Embaixador em novembro de 2016.


Blog Internacionalize-se: Qual a importância dada as Relações Internacionais pelo Governo Estadual?
Camila Almeida: 
A Secretaria de Relações Internacionais e Cerimonial é o “cartão de visita” do estado. A troca de conhecimento e os programas de ajustes fiscais promovem uma intensa parceria entre o estado e as instituições internacionais. Para o Governo estadual a área de Relações Internacionais acaba sendo uma articulação de troca de informações e projetos. Quando recebemos uma solicitação de visita de uma autoridade internacional, buscamos estudar a demanda do visitante, e além de auxiliar na audiência com o Governador, incentivamos sempre uma reunião técnica com Secretários de Estado para fomentar parcerias e, com isso, o Paraná ganhar destaque junto as instituições e maior relevância no cenário internacional.


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sábado, 13 de maio de 2017

Diário de Viagem: A experiência ibérica do intercambista Felipe Dalcin




O acadêmico Felipe Dalcin, estudante do curso de Relações Internacionais do UNICURITIBA participou do Programa de Intercâmbio do UNICURITIBA.

Ele passou seis meses estudando no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), em Portugal e depois mais seis meses na  Universidade Rey Juan Carlos. As duas instituições mantém parceria com o UNICURITIBA.

Leia abaixo o seu depoimento sobre a experiência e algumas dicas elaboradas pelo acadêmico.




"Sempre sonhei com a ideia de fazer intercâmbio, ainda mais pela universidade, em que poderia conciliar o desejo de estudar fora, aprimorar outros idiomas e viajar. Graças ao UNICURITIBA pude realizar esse sonho. Primeiro fui ao Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) – Universidade de Lisboa, Portugal e depois a Universidad Rey Juan Carlos, Madri, Espanha. De forma sucinta, pretendo dar algumas dicas, impressões e escolhas que tomei nessas minhas duas experiências:

· Misture-se: um dos pontos mais bacanas de um intercâmbio é conhecer gente nova, não quer dizer somente europeus, mas também gente do mundo todo. Isso abre muito a sua cabeça sobre novas culturas e jeitos de pensar. O jeito mais fácil de um intercambista se “enturmar” é indo nos eventos para Erasmus (intercambistas europeus), nesses eventos você pode conhecer gente de diversos países, principalmente da Europa, que estão no mesmo barco igual a você, querendo aproveitar o máximo possível do intercâmbio. Nas duas universidades em que estudei também tive um buddy – antes mesmo de você chegar no país o buddy já entra em contato com você, é indicado pela universidade – um estudante nativo do país, também da mesma universidade que você estudará, que me deram, no meu caso, várias dicas de onde morar, lugares para sair, etc.

· Viaje: o aspecto forte de se fazer um intercâmbio para a Europa é possibilidade de viajar muito, mais do que isso, pagando muito pouco. Já que você irá morar na Europa pode esperar mega promoções principalmente das companhias low cost Ryanair (https://www.ryanair.com) e EasyJet (https://www.easyjet.com). Todavia é bom manter os olhos também na Skyscanner (https://www.skyscanner.com), onde se pode encontrar bons preços em outras companhias aéreas. Isso me permitiu conhecer 12 países ao longo do meu período de intercâmbio pagando preços bem acessíveis, principalmente de Madri, em que consegui viajar por ainda menos do que pagava em Lisboa. O negócio é saber procurar promoções!

· Estude: Estudar na Europa não é fácil, claro que esse aspecto é relativo. Primeiro, na grande maioria das vezes, em Madri sempre, não se tem chamada, então muitos intercambistas acabam não indo as aulas e também não estudando. Mesmo buscando sair e viajar muito nunca deixei de estudar e tive um desempenho bom até se se comparado aos meus companheiros de classe. O “segredo” é manter uma rotina de estudos, já que, em grande parte das vezes, você será majoritariamente avaliado em uma prova de conteúdo cumulativo no final do semestre; então, deixar para estudar um dia antes da prova é suicídio.

· Saiba dosar: Pelo ponto de cima é importante manter uma rotina de estudos, porém viajar, sair para se divertir, conhecer novos lugares e pessoas (até mesmo na sua cidade) é de suma relevância. Por esse motivo, em ambos os casos fiz quatro matérias em cada país, assim não ficava tão pesado para estudar e de sobra tinha tempo para outras coisas.

· Pratique outro idioma: Quando fui para Portugal pensava que não aprimoraria nenhum outro idioma, a não ser o sotaque português, me enganei muito. Como tinha vários amigos alemães e do leste europeu acabei melhorando muito meu inglês. Na Espanha por ter preferido estudar no campus com aulas em espanhol da Universidad Rey Juan Carlos – tem outro campus para relações internacionais com aulas em inglês, as matérias são as mesmas – melhorei em muito meu espanhol, também por ter vários amigos madrilenos e por ter vários amigos intercambistas da América Latina.

· Aonde morar: tanto em Lisboa quanto em Madri optei por buscar aonde ia morar quando chegasse lá, em ambas a cidade buscava um apartamento compartido. Em Lisboa achei o lugar aonde vivia devido a diversos grupos do Facebook de moradia, são muito fáceis de encontrar. Morava em Santos, que era excelente, já que estava a vinte minutos de ônibus da universidade e chegava em quinze minutos no máximo nos lugares que saia a noite, andando, além de ser muito bom pela centralidade do bairro. Já em Madri vivi quarenta e cinco minutos do centro, em Móstoles, devido ao fato do campus em espanhol da Rey Juan Carlos ser em Fuenlabrada que está a quase uma hora do centro. Não achava um problema, na verdade gostava muito, por ser longe do centro pagava um preço ótimo pela qualidade do apartamento que vivia, além do mais, vivendo em um bairro afastado convivia mais com espanhóis, que me ajudou a melhor muito nessa língua – geralmente no centro, devido ao grande número de turistas, vários intercambistas me relataram que só falavam em inglês. Encontrei no site (https://www.idealista.com). As duas cidades são muito seguras, até mesmo no período noturno.

· Lisboa: é uma cidade linda, para quem gosta de construções antigas com ruelas muito curtas e cheia de história, Lisboa é um prato cheio. Já vi muitas pesquisas que consideram essa cidade a melhor para fazer intercâmbio na Europa, isso se deve a diversos fatores: se comparada a outras capitais europeias, o custo de vida é mais barato; Portugal é a “Bahia” da Europa, clima agradável, praias e muita natureza; e, intercâmbistas de vários países, com várias festas para atender esse público.

· Madri: também é uma cidade bonita, em comparação maior do que Lisboa, porém com menos pontos turísticos. O forte da cidade é a vida noturna, é considerada a melhor cidade da Europa para sair à noite. Um pouco mais caro do que Lisboa, todavia o transporte público – também melhor rede de transporte público da Europa – é inigualável e mais barato.

Acredito ter transmitido os pontos essências, qualquer dúvida disponibilizo meu email: felipedalcin182@gmail.com, para qual outro esclarecimento. A experiência de intercâmbio na Europa foi inesquecível, e, se pudesse voltava sem dúvidas. Se puder, não deixe essa oportunidade escapar!"
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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Acontece no UNICURITIBA: Lançamento do Livro "Entre a modernidade e a tradição: empoderamento feminino no Irã e na Turquia" de Amanda Stinghen Moretão



Nos dias 09, 10 e 11 de maio, o UNICURITIBA realiza a Semana Acadêmica do Curso de Relações Internacionais. A programação inclui, além de importantes debates sobre temas contemporâneos das RI, o lançamento de três livros - de autoria de dois professores da instituição e de uma aluna egressa.

Confira as informações sobre o livro "Entre a modernidade e a tradição: empoderamento feminino no Irã e na Turquia" de autoria de Amanda Stinghen Moretão - egressa da Instituição e cujo livro é adaptação de seu trabalho de conclusão de curso -  lançado no dia 11 de maio de 2017, no UNICURITIBA:

"Muito se escuta sobre Islamismo e as mulheres muçulmanas, porém, dificilmente nos deparamos com obras que vão além das aparências, que buscam se afastar de estereótipos e se aprofundar na realidade em que as mulheres muçulmanas vivem. Amanda Stinghen consegue explorar a representação da mulher na religião islâmica, a importância da sexualidade no Islã e a luta das mulheres por direitos no passado e no presente com respeito e clareza. A obra aborda com inteligência a participação de mulheres em revoluções e em mudanças políticas importantes, sem deixar em qualquer momento que o texto caia na vitimização fácil da mulher muçulmana. A autora consegue trazer uma abordagem diferente, que fará ocm que o leitor reflfita sobre o tema e possa quebrar preconceitos. 
Amanda Stinghen analisa a história do Irã, país não árabe, majoritariamente muçulmano, que segue a lei a Sharia; e da Turquia, que também não é árabe e é majoritariamente muçulmano, porém é um país secular e ocidentalizado. Os dois países tem uma história riquissima, na qual as mulheres possuem um papel extremamente importante". 

A obra pode ser adquirida no site da editora.

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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Acontece no UNICURITIBA: Lançamento do livro "Os militares e os aiatolás: relações Brasil-Irã (1979-1985)" de Andrew Traumann






Nos dias 09, 10 e 11 de maio, o UNICURITIBA realiza a Semana Acadêmica do Curso de Relações Internacionais. A programação inclui, além de importantes debates sobre temas contemporâneos das RI, o lançamento de três livros - de autoria de dois professores da instituição e de uma aluna egressa.

Confira as informações sobre o livro "Os militares e os aiatolás: relações Brasil-Irã (1979-1985)" de autoria do Professor da casa, Andrew Traumann, lançado no dia 10 de maio de 2017, no UNICURITIBA, conforme resenha elaborada pelo diplomata Sergio Florencio:



"O livro de Andrew Traumann tem o rigor de uma tese de doutorado e a leveza de uma história bem contada. O fio condutor do texto é um dos acontecimentos mais marcantes do século XX : a Revolução Iraniana. Como aSoviética e a Chinesa, foi uma das três grandes revoluções do século passado.
O texto prima por despertar curiosidade e reflexão.Afasta estereótipos e promove questionamentos. Andrew combina temáticas que se entrelaçam. Psicologia dos protagonistas – ohesitante Xá versus o fervoroso Khomeini; antropologia – raízes culturais do islamismo xiita; sociologia – relações entre religião, política e Bazar; e política internacional – exportação da Revolução e suas relações com o Brasil dos militares.
Como jovem diplomata tive o privilégio de trabalhar no Irã durante a transição da modernização do Xá para a Revolução de Khomeini. Andrew me proporcionou uma extraordinária viagem ao passado com um inquietante olhar para o futuro. Certamente aguçará nos leitores o gosto da história".


O livro está disponível para a venda no site da editora.


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terça-feira, 9 de maio de 2017

Acontece no UNICURITIBA: Lançamento do livro “A importância da Educação Ambiental: um estudo sobre o Aquífero Guarani” de Janiffer Zarpelon


Nos dias 09, 10 e 11 de maio, o UNICURITIBA realiza a Semana Acadêmica do Curso de Relações Internacionais. A programação inclui, além de importantes debates sobre temas contemporâneos das RI, o lançamento de três livros - de autoria de dois professores da instituição e de uma aluna egressa.

Confira as informações sobre o livro "A importância da educação ambiental - um estudo sobre o Aquífero Guarani" de autoria da Professora da casa, Janiffer Tammy Gusso Zarpelon, lançado no dia 09 de maio de 2017, no UNICURITIBA. 



“A importância da Educação Ambiental: um estudo sobre o Aquífero Guarani” de Janiffer Zarpelon
Apesar de a Terra ser formada por ecossistemas altamente integrados, a humanidade, a partir da Revolução Industrial, não conseguiu criar mecanismos eficazes que pudessem evitar a desintegração do meio ambiente. A civilização moderna adotou progressivamente padrões individualistas e reducionistas que levaram os seres humanos a imaginar que dependiam cada vez menos do ambiente natural. Com a ajuda dos avanços tecnológicos, houve um distanciamento dos seres humanos da preocupação de conservar e proteger o meio ambiente. Criou-se a cultura de que todos os recursos naturais eram infinitos.
A ordem vigente era explorar os recursos naturais até seu esgotamento total, com a única preocupação de conseguir cada vez um maior lucro econômico. As demandas por consumo no mundo capitalista-industrialista reforçaram ainda mais esta filosofia de vida. O consumo de recursos naturais para vestir, alimentar, abrigar e satisfazer outras necessidades básicas da população impuseram uma demanda crescente de produtos.
Um bilhão de pessoas (1/5 da população) que vivem nos países desenvolvidos são os que consomem a maior parte dos recursos naturais (e são estes países também, os maiores responsáveis pelo desequilíbrio na natureza – principalmente da emissão do gás carbônico na atmosfera – responsável pelo efeito estufa). Outro grande problema ambiental da atualidade é a escassez de água. Devido a ausência de recursos hídricos ou pela má gestão dos mesmos, tem ocorrido conflitos em algumas regiões do planeta, como no Oriente Médio, norte da África, Ásia Central e no Saara Africano.
Devido ao aumento dos impactos ambientais por volta dos anos 1960 e a necessidade de restringir essa utilização exacerbada dos recursos naturais, começam a ocorrer movimentos internacionais a fim de pressionar os países e as empresas para que alterassem suas estratégias de produção. Além disso, organizações internacionais, como a ONU, passam também a destacar a importância da preservação ambiental, realizando a primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, em Estocolmo, no ano de 1972.
Com a crise do petróleo nos anos 1970 e o enfraquecimento da disputa militar entre os Estados Unidos e a União Soviética - período conhecido como Guerra Fria -, é verificado que temas considerados como low politics, como saúde, economia, meio ambiente, direitos humanos, passam a ganhar relevância no debate internacional. No campo acadêmico das Relações Internacionais, teorias como da Interdependência Complexa, desenvolvida por Joseph Nye e Robert Keohane, passam a destacar que os fenômenos são transnacionais, atravessando as fronteiras nacionais dos países e afetando o mundo como um todo, ocorrendo um processo de interpendência entre os mesmos, ou seja, a dependência mútua entre os diversos atores do sistema internacional.
Uma alternativa para a escassez de água é a utilização das águas subterrâneas, quando estas existem em seu território, sendo que muitos países já vêm se utilizando deste recurso. Muitos países até possuem grande disponibilidade de águas superficiais, como o Brasil, porém estas se encontraram cada vez mais poluídas aumentando os custos da produção no abastecimento, por exigir mais produtos químicos para o tratamento.
Um dos maiores aquíferos subterrâneos transfronteiriços do mundo encontra-se na América do Sul – o Aquífero Guarani – que abrange os territórios da Argentina, do Brasil, do Paraguai e do Uruguai. Este aquífero é considerado de grande importância sócio-econômico-estratégica para os países a ele sobrejacentes. A importância social está no abastecimento de água da população em muitas cidades brasileiras relacionado com a questão da saúde pública, por possuir águas de boa qualidade para o consumo humano. Já a importância econômica se traduz pelo fato de que nas áreas de maior confinamento do aquífero suas águas não são adequadas para o consumo humano, porém apresentando-se com temperaturas elevadas podendo ser utilizadas nos fins do turismo/lazer, calefação, indústria e outros. Por fim, a importância estratégica pode ser verificada pelo fato de o Aquífero Guarani constituir-se em enorme reservatório de água potável, num contexto internacional em que a escassez da água vem sendo foco de grande preocupação por parte dos Estados.
Até países como o Brasil, que possui em torno de 12% das reservas de água doce do planeta, já enfrentam dificuldades para a disponibilidade de água para os vários usos a que se destina. Uma alternativa para enfrentar esse problema de escassez de água seria a utilização das águas subterrâneas, quando estas existem em seu território. Porém é importante que esta utilização seja de forma sustentável, não retirando mais do que a recarga do aquífero feita pela água das chuvas.
Assim, as questões que nortearam a pesquisa foram: Quais as potencialidades da utilização do Aquífero Guarani?; Como está sendo o uso/exploração do aquífero?; Quais são os riscos de contaminação de suas águas?; Há uma legislação suficiente e políticas públicas adequadas para a proteção do aquífero? Existem projetos na área de Educação Ambiental? Como tem sido a contribuição destes projetos para a sustentabilidade do Aquífero Guarani?
Assim, a presente obra abordou sobre o inicio e a evolução da conscientização ambiental no mundo e no Brasil; a inserção da relevância da Educação Ambiental para a sustentabilidade ambiental; a escassez de água doce no mundo; o Aquífero Guarani como manancial estratégico para o problema da escassez; e os projetos de Educação Ambiental no Aquífero.
Obra publicada pela Editora Multifoco, disponível em:




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