segunda-feira, 12 de junho de 2017

Acontece no UNICURITIBA: Visita técnica ao Porto de Paranaguá



No sábado, dia 3 de junho, alunos dos cursos de Administração e Relações Internacionais visitaram o Porto de Paranaguá para conhecer as funções realizadas diariamente, na teoria e na prática. A atividade externa foi acompanhada pelos professores Marcelo Grendel e Patricia Tendolini Oliveira, de Relações Internacionais, e João Gustavo Ritter, de Administração.


O aluno Rômulo Erhardt Moreski escreveu um relato sobre a experiência para o Blog Internacionalize-se:
 

Num sábado de frio e vento, com raios solares tímidos provindos do sol atrás das nuvens, alguns estudantes do curso de Administração e de Relações Internacionais do UNICURITIBA junto a professores da instituição, viajaram para Paranaguá, com o objetivo de aprender um pouco mais sobre a logística e sobre como se dão os processos de comércio exterior no Porto.

Acompanhados do Prof. Marcelo Grendel Guimarães, que leciona a disciplina de Sistemática do Comércio Exterior Brasileiro, e do Senhor Marcelo José Cardozo Dias, da Câmara de Negócios Internacionais, e também professor, os alunos e demais professores assistiram a uma palestra onde o Felipe explicou o funcionamento da logística portuária, desde a chegada dos Contêineres, quanto da saída deles, e todos os tramites necessários. Devido a grande instalação mostrada na palestra, se nota o motivo pelo qual o Porto de Paranaguá possui tanta efetividade no Brasil.

Uma das características marcantes apresentadas foi a explicação de Felipe sobre o modal ferroviário (trem) que atravessa todo o complexo portuário e garante viabilidade e agilidade a logística do local, atraindo muito interesse dos clientes pelo porto, que é o segundo principal do Brasil, e possui capacidade para receber os maiores navios que chegam a costa brasileira, vindos, é claro de diversas partes do mundo.

Após a palestra de Felipe e Marcelo, os alunos conheceram através de um tour pelo ônibus do porto, as instalações do TPI e do porto, e as maiores embarcações mencionados, navios que carregam milhares de Contêineres, além disso, puderam junto ao Profe. Marcelo reconhecer na prática muitos termos explicados na aula, como os famosos “Teus” do contêiner. (E entenderam também algumas piadas que só o Profe. Marcelo faz.)

Uma parada para o almoço foi realizada... E ai, um barco com música muito animada levou os alunos e os professores para um passeio. No passeio, o barco chegou bem perto ao local onde os navios escavam ancorados, sendo carregados ou descarregados. Assim, se pode ter uma dimensão real do tamanho daqueles gigantes que atravessam os oceanos para transportar muitas encomendas, produtos, automóveis dentre outros. Do barco se viu até golfinhos, e os alunos aproveitaram para registrar o momento e aproveitar o passeio que foi guiado por dois comandantes muito receptivos.

Ao final do passeio de barco, os alunos literalmente desembarcaram na parte histórica de Paranaguá. Mas, alimentados pelo extremo relaxamento, memória cheia e muito conhecimento, tomaram rumo a Curitiba, onde cada um compartilhou com as pessoas próximas os aprendizados da viagem.

Vale ressaltar, ainda, a importância da parte prática e das vivências. Os alunos que estudam os termos explicados pelo professor em sala de aula, passaram a notar o uso desses no dia a dia e no trabalho dos agentes portuários, fazendo com que o interesse só aumentasse por conhecer mais sobre a área de comercio exterior, ou ainda, passasse a ser interesse num futuro trabalho.

De todas as grandes memórias na vida de um acadêmico,

Navegar se mostrou extremamente preciso...




 




Leia Mais ››

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Redes e Poder no Sistema Internacional: Empresas militares privadas - um novo conceito de Guerra





A seção "Redes e Poder no Sistema Internacional" é produzida pelos integrantes do Grupo de Pesquisa Redes e Poder no Sistema Internacional (RPSI), que desenvolve no ano de 2017 o projeto "Redes da guerra e a guerra em rede" no UNICURITIBA, sob a orientação do professor Gustavo Glodes Blum. A seção busca compreender o debate a respeito do tema, trazendo análises e descrições de casos que permitam compreender melhor a relação na atualidade entre guerra, discurso, controle, violência institucionalizada ou não e poder. As opiniões relatadas no texto pertencem aos seus autores, e não refletem o posicionamento da instituição.


Empresas militares privadas
Um novo conceito de Guerra

Évora Castanho *

A noção de Estado Nação relacionava até então, conceitualmente, a soberania estatal ao monopólio legítimo da violência/do uso privativo da autotutela transferida pelo povo. Nohmi (2003), por exemplo, conceitua que:


“‘A soberania nacional pertence ao povo, podendo outorga-la a um governo ou dirigente, retomando-a quando houver abuso em tal delegação’. No âmbito do Direito Internacional Público, a soberania era percebida pela analogia: “homens livres - Estados livres’”. (grifo nosso)


O autor fala em consonância com Miguel Reale (2000), que entende que a soberania constitui um conjunto de elementos, (como aquele ético, o econômico, o religioso, entre outros), o que permite distinguir com outras formas peculiares de poder no estado Moderno. 

Estes conceitos de soberania, assim como diversos outros, a partir da década de 1990, com o surgimento no cenário internacional da figura das Empresas Militares Privadas (EMPS), são tidos como paradigma, inclusive jurídico. Segundo Singer (2005), o surgimento destas empresas foi facilitado por alguns fatores: o fim da Guerra Fria e a diminuição de forças armadas; instabilidade global dispersa; a procura pelos países em desenvolvimento de serviços militares especializados; e a dependência por tecnologias militares de ponta. 

As EMPS regem-se sob um viés comercial, oferecendo serviços militares de apoio e segurança para Estados e empresas ao redor do mundo. Seu objetivo é o lucro. Suas funções englobam desde apoio logístico a operações militares, a manutenção de sistemas de armamento, a proteção de instalações, a proteção de pessoas ou o treino de serviços na frente de combate (BERUBE, 2007), bem como a proteção de cargas. 

O seu quadro combatente é formado por militares aposentados ou ex-militares e ex-agentes de serviços de segurança. O grande diferencial destas empresas é o uso de sistemas, armamentos e controles altamente sofisticados que permitem a excelência militar em seu trabalho. Ademais, estas empresas remuneram muito melhor do que o próprio Estado. 

Para Munker (2007), há uma superação do conceito weberniano de Estado como detentor do monopólio da violência legítima organizada. O problema desse novo contexto das guerras pode resumir-se ainda à basicamente algumas perguntas: a quem respondem as Empresas Militares Privadas, ao país contratante ou a comunidade internacional? O país que lhe contrata, até que ponto é responsável por suas ações? A tercerização de um poder eminentemente estatal, é legítima? Quais são os riscos nessa transferência? Há diferenças entre uma EMP e um Grupo Mercenário conceitualmente e no caso concreto? Cabe esclarecer que o objetivo deste texto não é responder aos questionamentos, mas problematizá-los.

Em 2007, Bagdá (capital do Iraque), um comboio fortemente armado da empresa Blackwater matou cerca de 14 civis, na praça Nisour, e deixou vários outros feridos, sob a alegação de que haveria alguma ameaça ou suspeita de ameaça inimiga frente ao seu carregamento. Houve uma enorme dificuldade dos sobreviventes e dos parentes das vítimas em trazer a responsabilidade à empresa ou ao próprio Estados Unidos da América, o país contratante dos serviços da empresa. 



Finalmente, cabe esclarecer que as Empresas Militares Privadas possuem aspectos positivos e negativos, mas ambos carentes de maior atenção internacional. 


REFERÊNCIAS

Gonçalo Caseiro Miguel, Nulo. Empresas Militares Privadas: Actores Privadas em Guerras Públicas, Instittuto de Estudo Superiores Militares 2010/2011.

Kowalski, Mateus. Novas Guerras, Novos Actores. As Empresas Militares Privadas, Doutorando e m Política Internacional e Resolução de Conflitos na universidade de Coimbra (CES/FEUC), 2009.

NOHMI, Antônio Marcos. Arbitragem como mecanismos de solução pacífica entre os Estados-Membros. Belo Horizonte: Faculdade Mineira de Direito, 2003.

REALE, Miguel. Teoria do Direito e do Estado. 5ª ed. São Paulo: Saraiva, 2000.
Leia Mais ››

terça-feira, 6 de junho de 2017

Análise em Relações Internacionais e Política Externa: Análise de discurso do Primeiro Ministro de Israel - Benjamin Netanyahu- na 71° da ASG da ONU em 2016.

Artigo apresentado na disciplina de Análise em Relações Internacionais e Política Externa do curso de Relações Internacionais do Unicuritiba, sob orientação da Profa Dra Janiffer Zarpelon.

* Por: Guilherme Schneider Gonçalves


O conflito entre Israel e Palestina sobre territórios reivindicados é discutido há anos e até hoje não foi encontrado uma solução pacífica para o caso. A ONU como uma organização intergovernamental desenvolve discussões entre os países a respeito de assuntos globais e também a intermediação de conflitos em que não consenso entre as partes (países), assim como aplicar resoluções sobre os Estados que não cumprem a “ordem”, tentando garantir a estabilidade mundial. Nesse caso Israel sofre bastantes sanções pela ONU devido aos seus assentamentos ilegais construídos em território palestino que também é condenado por grande parte da comunidade internacional.
No começo de seu discurso, Benjamin Netanyahu — primeiro-ministro israelense — condena essa “obsessão” da ONU com Israel citando que no último ano a ONU aprovou 20 resoluções contra Israel, em que o primeiro-ministro chama de república democrática (que busca legitimar as ações de Israel por ser uma democracia), enquanto sancionou apenas 3 contra o resto do mundo.
Benjamin teria vários interesses com esse discurso. Nos seus 40 minutos de fala buscou legitimar as atuações de Israel e criticar as ações da ONU deixando claro que está aberto ao diálogo e em busca da paz com os palestinos, porem não irá permitir que a organização determine a segurança e os interesses nacionais de Israel.
Desde 1991 quando por pressão de potencias mundiais foi realizada a conferência de Madrid, acordo de Oslo e o protocolo de Paris nos anos seguintes, após negociações aparentemente havia um consenso para a criação de um Estado Palestino, porem mesmo através de diversas medidas que foram tomadas em âmbito internacional nas décadas que se passaram, como o estabelecimento de uma autoridade palestina, Israel manteve sua colonização sobre territórios palestinos, para o cientista político israelense Neve Gordon (2008, p. 169-196), Israel desde o começo não quis deixar da Palestina, por isso terceirizou a administração da vida da população naquele território para a autoridade palestina, assim como o seu sustento, mas ainda tinha total controle sobre o território e os recursos, e é exatamente sobre isso que Benjamin fala em seu discurso, que está disposto a paz, porem não irá abrir permitira a interferência de outros atores no que diz a respeito da segurança e dos interesses nacionais de Israel (incluindo o território da Palestina).
Para legitimar o interesse de Israel com a paz, Benjamin falou sobre a aliança que tem com países importantes no cenário mundial como EUA e Estados árabes como o Egito, mostrando que o problema de Israel não é com os árabes, mas com os demais países que de alguma maneira estão tentando impedir as políticas israelenses, e também atacar a ONU mostrando que os países de maior relevância no cenário internacional estão do lado de Israel. Vemos que diversos países contribuem para o agravamento desse conflito, na maioria deles o discurso é a favor de uma solução para o problema, porém, na prática acabam contribuindo para o agravamento do problema, como, por exemplo, com a exploração de recursos em território palestino e compras de produtos que são produzidos em indústrias de territórios de ocupação.
Falando em segurança nacional, desde o 11 de setembro em que os países investem massivamente em sua segurança, a Palestina serve como campo de demonstração em que os israelenses testam e mostram (servindo como um marketing) para o mundo a sua tecnologia militar para que a mesma possa ser adquirida pelos países que buscam tecnologia de ponta para garantir a segurança de seu território. Quando Netanyahu afirma do palanque da ONU que uma nova era para Israel está chegando, é porque sabe que há uma rede que internacional que sustenta e tem interesse na manutenção da ocupação dos territórios palestinos (HARTMANN E HUBERMAN, 2016). A aliança com os EUA abriram portas em diversos mercados para Israel, como a Europa, Brasil, Índia e até um antigo inimigo como a Rússia, sendo assim esses países acabam contribuindo para a manutenção do conflito.
            O primeiro-ministro também buscou legitimar a democracia de Israel, mostrando que a maioria dos países árabes que são contra Israel não respeitam os direitos dos civis. Segundo o ministro, Israel é um país em que as mulheres têm seus direitos garantidos, algumas delas estão atrás de grandes corporações e até envolvidas na política nacional, um país em que é desenvolvida uma alta tecnologia, é respeitado os direitos dos homossexuais, os mesmos que são pendurados em guindastes no Irã, Israel também construiu hospitais para atender os refugiados sírios, o conhecimento agrícola israelense é aplicado para alimentar países que estão em desenvolvimento, tudo isso não é mentira, porem o objetivo desse discurso do premier é mostrar que há muitos países na ONU que nem sequer respeitam os direitos dos seus cidadãos, mas os mesmo não são punidos pela ONU e ao mesmo tempo criticam Israel, vejam como esse discurso é uma forma de legitimar as atitudes de Israel pelo fato de ser uma democracia e tirar a legitimidade dos demais países que a ele se opõe.
            Ao mesmo tempo, o premier israelense buscou tirar a legitimidade do governo palestino, citando que o conflito entre israelenses e palestinos não se da por conta dos assentamentos ilegais e sim por não aceitarem a criação de um Estado judeu, como exemplo citou que mesmo quando Gaza e Cisjordânia estavam sobre controle dos árabes, eles continuavam atacando Israel. Quando crianças os palestinos são doutrinados com ódio e instigados a matar os judeus, os palestinos exaltam os árabes que fazem terrorismo enquanto os mesmos são julgados e condenados em Israel. Podemos ver que no discurso ao mesmo tempo em se tira a legitimidade de um país por não ser democracia e alimentar o terrorismo, as ações do outro se legítima por ser totalmente o oposto, considerando que agora os países buscam a segurança nacional e lutam contra o terrorismo, qualquer país que exalte o terrorismo não deve ser bem-visto na comunidade internacional, e assim Benjamin buscou justificar suas ações contra a Palestina.   
            O objetivo desse trabalho foi analisar o discurso de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel e buscar compreender os interesses por trás de seu discurso na 71° ONU 2016 assim como entender o seu contexto histórico, e não busca um posicionamento sobre o conflito.

Referências Bibliográfica
GORDON, Neve. Israel’s Occupation. Berkeley: University of California Press, 2008.

HARTMANN, Arturo. HUBERMAN, Bruno. Israel ensina o mundo a reprimir, 2016. Disponível em: http://www.outraspalavras.net/reginaldonasser/tag/onu/

 


TELESURENGLISH, Benjamin Netanyahu - 71° ONU 2016. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=KFOSMNpYVPA


* Guilherme Schneider Gonçalves: estudante do curso de Relações Internacionais do Unicuritiba.
Leia Mais ››

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Acontece no UNICURITIBA: Viagem dos alunos de Relações Internacionais à Brasília



Nos dias 17, 18 e 19 de Maio de 2017, uma comitiva de 27 alunos do curso de Relações Internacionais do UNICURITIBA, acompanhada pela Professora Janiffer Zarpelon, foi à Brasília para conhecer de perto os seguintes pontos da cidade: Ministério da Cultura, Ministério da Defesa, Universidade de Brasília (UnB), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), Instituto Rio Branco, Embaixada dos Países Baixos e Embaixada dos Estados Unidos. 

A acadêmica Laura Neves da Silva, do 3° período, compartilhou com o Blog Internacionalize-se seu relato sobre a experiência. 

Confira. 



"À luz do momento de plena instabilidade política enfrentada pelo nosso país, creio que não haja um lugar mais fascinante para um estudante de R.I estar, do que Brasília. Pois bem, estávamos em 28, contando a professora Janiffer Zarpelon, e entre os dias 17 a 19 de Maio, visitamos a capital federal, e alguns dos principais órgãos relevantes para uma possível futura área de trabalho.

À primeira vista, Brasília demonstrou-se curiosa, com suas largas e planas ruas e construções gigantes ao estilo Niemeyer, apresentando um contraste da mescla entre o moderno e o antigo oferecidos por Curitiba. Era quase impossível crer que as maiores decisões em nome do país eram realizadas nos pontos que visitávamos, e que este era o futuro que poderíamos escolher seguir, que por sua vez condizia com o próprio objetivo da viagem: levar os acadêmicos para ver de perto a atuação da área de Relações Internacionais.

No primeiro dia, visitamos o Ministério da Cultura, onde fomos recebidos no auditório para uma palestra com Eduardo Pajelha Coelho, então secretário de R.I do ministério, sobre a influência da Cultura nas Relações Internacionais, bem como os principais órgãos que o Brasil faz parte e que prezam por esta relação. Em seguida, visitamos a Universidade de Brasília, que por sua vez, carrega uma significância inabalável ao curso, por se tratar da primeira instituição a oferecer a graduação em RI, com início em 1974. O campus em si me transmitiu um sentimento de estranheza, comparando-se com o ambiente fechado da Unicuritiba, dividido em um único bloco e o espaço aberto oferecido pela UnB, com construções predominantemente planas incorporando a natureza. Fomos recebidos por Eiiti Sato e José Flávio Sombra Saraiva no IREL da UNB, e em seguida tivemos uma palestra com o Diplomata Eugênio Vargas sobre o Brasil nas Nações Unidas. Não obstante, a palestra fora inteira realizada em inglês, algo até então inédito para mim e para a maioria de meus colegas, acrescentando muito à nossa visita.

No segundo dia, durante o período da manhã, fizemos uma visita ao Palácio do Itamaraty, tendo o privilégio de realizar um passeio pelo interior do edifício principal, e vendo de perto a rica história que perpetua sua construção, bem como o acervo de arte que inclui obras dos mais renomados artistas brasileiros. Creio que o sentimento que mais nos acompanhou durante a visita foi de puro encantamento por cada detalhe que constituía o palácio, cuja composição variava entre resquícios barrocos até obras incrivelmente modernas, que desafiavam o seu espectador a compreendê-las. Ao mesmo tempo, era fascinante imaginar todas as figuras emblemáticas que já passaram por onde caminhávamos. Curiosamente, logo que saímos do Palácio, nos deparamos com um pequeno protesto a caminho do Congresso – o qual, entre suas principais demandas, exigia o procedimento de novas eleições, ou ‘’Diretas Já’’, referindo-se a então recente denúncia do dono da JBS ao presidente Temer. Tal fato não poderia ter sido mais notório do momento em que nos encontrávamos em Brasília, e de todas as desavenças que estavam rodeando a política brasileira. Serviu, pessoalmente, de um choque de realização de que estávamos lá, pertinho das sedes dos três poderes – os quais provavelmente se encontravam na beira de um mar de incertezas.

Após uma curta pausa para o almoço, seguimos nossa pauta para uma visita ao Ministério da Defesa, onde assistimos a uma palestra sobre a criação do mesmo e suas atividades. Então presentes professores e militares entre os palestrantes foram possível obter uma nova visão no que diz respeito à estratégia e as ações realizadas pelo Ministério, á medida que, fizeram uma apresentação rica em detalhes, procurando ao máximo nos integrar no assunto, e entender a influência disso para as Relações Internacionais – apresentando, por meio deste, um lado mais técnico do último.

E para finalizar nossas atividades no segundo dia, seguimos para o Instituto Rio Branco, onde pudemos nos familiarizar um pouco mais com a carreira diplomática. Esta visita, em particular, apesar de ter quebrado alguns paradigmas já preestabelecidos em minha mente também serviu para reforçar outros, principalmente no que diz respeito aos sacrifícios que são tomados para seguir uma carreira tão almejada por tantos. Tivemos o privilégio de ouvir de dois diplomatas algumas de suas experiências, e também sobre as dificuldades que tangem a admissão de futuros diplomatas, ao passo que iam tirando nossas dúvidas acerca do tema. Conquanto, a estrutura do Instituto me surpreendeu bastante, pois, após tantos anos ouvindo idealizações e construções utópicas do mesmo, o espaço em si era similar a um órgão público, salvo algumas exceções. No mais, era impossível evitar a sensação de estar caminhando no sonho de milhares de pessoas, e também de reconhecer a historicidade do local, tendo abrigado figuras essenciais para o desenvolvimento da Diplomacia e das Relações Internacionais no Brasil.

Partindo para o nosso terceiro e último dia em Brasília, visitamos a sede da UNESCO no período da manhã, onde fomos recebidos calorosamente em uma sala com características bem atípicas, similar ao que imaginávamos que seria um espaço de reuniões entre os principais Estados do mundo, com seu formato oval, e dispositivos tecnológicos de fácil alcance. Lá, nos foi apresentado à história do Órgão, e suas principais atuações no mundo, e durante esse processo, foi possível obter uma visão mais íntima do funcionamento de uma Organização Internacional, fato que, pessoalmente, me instigou a procurar por mais oportunidades de trabalho nesta área.

E para finalizar nosso período de estadia na capital brasileira, nossas últimas paradas foram nas Embaixadas da Holanda e dos Estados Unidos. A primeira, á medida que iam explicando o funcionamento da embaixada e as responsabilidades de cada membro presente, nos recebeu de maneira excepcional, procurando nos integrar ao máximo no ambiente promovendo brincadeiras e até aperitivos! Após este evento, seguimos para a embaixada americana, nos deparamos com um controle significantemente mais rígido na entrada do local, evitando que os visitantes entrassem com dispositivos eletrônicos. Dentro, tivemos um encontro com três diplomatas americanos, que procuravam explicar a relação entre as duas nações e, de certa forma, mantendo uma imagem propriamente americana, evitando questões por demais contraditórias, assim limitando um pouco a extensão de perguntas que poderíamos realizar. Fato que, a meu ver, deixou o ambiente bastante tenso. Logo depois do término da palestra, terminamos nossas atividades e seguimos para o aeroporto.

Dado todas essas experiências realizadas em um curto período de tempo, sinto que a minha relação com o curso foi profundamente alterada. Assistir de perto o funcionamento dos órgãos que tangem as Relações Internacionais contrapondo-se ao que é visto e estudado em sala de aula é de fato, uma experiência valiosa, principalmente tratando-se de um curso profundamente teórico. Creio que, se antes já via muitas possibilidades a serem realizadas com RI, agora posso buscar com certeza pelas áreas que me propuseram mais fascínio e encantamento. Indubitavelmente, Brasília me deixará lembranças muito intensas, tanto pela sua própria peculiaridade, quanto pelas entidades que a constituem".  
Leia Mais ››

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Redes e Poder no Sistema Internacional: Os "Anonymous" e a Nova Ordem Tecnológica Mundial


A seção "Redes e Poder no Sistema Internacional" é produzida pelos integrantes do Grupo de Pesquisa Redes e Poder no Sistema Internacional (RPSI), que desenvolve no ano de 2017 o projeto "Redes da guerra e a guerra em rede" no UNICURITIBA, sob a orientação do professor Gustavo Glodes Blum. A seção busca compreender o debate a respeito do tema, trazendo análises e descrições de casos que permitam compreender melhor a relação na atualidade entre guerra, discurso, controle, violência institucionalizada ou não e poder. As opiniões relatadas no texto pertencem aos seus autores, e não refletem o posicionamento da instituição.


Os "Anonymous" e a Nova Ordem Tecnológica Mundial

Katlen Carvalho *

"Nós somos apenas um grupo de pessoas da internet que precisa de um local livre das censuras da sociedade"

O hacktivismo pode definido como o uso de ferramentas digitais para fins políticos. O termo também pode se referir ao uso de computadores e qualquer outro sistema de tecnologia da informação (TI) e rede que debate e sustenta questões políticas, o livre discurso e o apoio aos Direitos Humanos. Na sociedade líquida, definida por Zygmunt Baumann como sendo aquela que vive na pós-modernidade, o uso da tecnologia com estas intenções é algo interpretado como o a expressão de certo descontentamento, mas que também representa uma ameaça quee já criou um largo dano para a comunidade de TI com os cybers attacks. Segundo a Enciclopédia de Tecnologia, “um cyber attack é qualquer tipo de manobra empregada por diversos atores que visem sistemas informáticos, infraestruturas, redes de computadores por vários meios de atos usualmente provenientes de uma fonte anônima que rouba, altera ou destrói um alvo especificado ao invadir um sistema”. Em alguns âmbitos, estes agentes são os chamados Vigilantes online. O grupo Anonymus é o maior exemplo deles, que envolve diversas questões a respeito do tema. 

O grupo surge em 2003, postando suas ideologias em uma rede social, se dizendo uma comunidade anárquico cerebral global, ou seja, um conjunto de indivíduos separados geograficamente, mas que pensam e agem como um só na rede, sem hierarquia, sem governo e sem Lei. Acreditam que o mundo digital e o mundo real são uma só coisa e não dois mundos separados. É uma comunidade sem gênero, aberta e que acredita na “emancipação do povo”. 

Eles são um grupo anárquico, e sua proposta é criar uma plataforma na qual o modelo é horizontal e não vertical, defendendo a liberdade de opinião, sem haver identificação. Praticamente impossíveis de serem rastreados e muito bem organizados eles são ativistas que usam de sua capacidade de hackers para defender suas ideologias, usando diferentes plataformas que impedem seu rastreamento. 

  • Como o Anonymus age?

O MO (modus operandi) deles é, através das plataformas chamadas de Onions, assim chamadas pois são como cebolas, a tradução literal do nome, e possuem várias camadas em que são criadas diferentes conexões com diversas fontes em que não há como ter certeza qual a é fonte primária e nem o destino. Por meio dessa plataforma eles realizam os Ataques D ou S (em inglês denial of service attack), que nada mais é do que sobrecarregar sites que estão ferindo suas ideologias, basicamente um sistema de chaves ou senhas que impedem suas ações. 

  • Como eles conseguem não ser identificados?

Para explicar isso há três conceitos chaves: surface web, deep web e dark web. Eles geralmente geram confusão, por serem considerados conceitos disputados, mas recentemente há um crescimento no consenso sobre o seu uso. 

A surface web nada mais é do que qualquer site que não necessita de login e senha para ser acessado. Um exemplo deste tipo de acesso seriam sites como o Google. A deep web, mais conhecida como aquela em que se encontram as coisas obscuras, como o nome já sugere é um grupo fechado, sites que necessitam de login e senha para serem acessados, exemplo: Facebook, Twitter, Instagram. E por último, temos a dark web, que é acessada por um programa chamado Tor, ou programas similares que impossibilitam o rastreamento da origem da pesquisa feita, porque diferente dos outros níveis da web aqui a informação não vai do servidor A para o servidor B para então voltar para o A, deixando rastros. Com o Tor a pesquisa sai do servidor A e já cai no B, C, D, E para chegar ao final que é o H e voltar para o A mas de forma aleatória passando por diversos servidores e chegando em A. Ou seja, a possibilidade de rastreamento com esse sistema é praticamente nula porque não deixa rastros nem da fonte nem do destinatário final. 

Então, o Anonymus não é rastreado porque usa esse sistema e também porque se comunica pelos chamados Onions, fóruns de pesquisa, estudo ou conversa que também não são rastreáveis e usam códigos para a comunicação. Seria algo como cenas em filmes de ação, nas quais as agências tentam localizar a origem do IP do servidor, a sua identificação, através da pesquisa de dados na internet. Porém ao fazê-lo, descobrem que as informações passaram por diversos servidores mais de uma vez, criando como se fosse um labirinto com diversas saídas, não tendo como saber por qual delas a informação entra e sai, ou seja, qual a origem e o destino.

  •  O que o grupo já fez?
No mês de janeiro de 2015 ocorreram ataques terroristas na capital da França, Paris. No dia 07 daquele mês, 12 pessoas foram mortas e cinco ficaram gravemente feridas no ataque ao escritório do jornal satírico “Charlie Hebdo”, perpetrado pelos irmãos da família Kouachi, Said e Chérif. O atentado ocorreu como forma de protesto contra uma edição do satírico chamada “Charia Hebdo”, que ocasionara polêmica no mundo islâmico e que foi recebida como um insulto aos mulçumanos. Outros ocorridos geraram mais 5 mortes entre os dias 7 a 9 de janeiro. Os ataques foram todos reivindicados pelo grupo terrorista Estado Islâmico. 

Então, no dia 13 de novembro de 2015, após os ocorridos na capital francesa, os hactivistas declaram guerra contra o grupo terrorista autodenominado Islamic State (ISIS), que foi o responsável pelo ato, e em questão de algumas horas eles tiraram do ar mais de 6.000 contas do Twitter relacionadas ao grupo terrorista. 


*Esse é um comunicado para a imprensa de autoria do Anonymus.
Considerando o ataque de terror contra Charlie Hebdo, como previamente nós havíamos lhes dito, planejamos dar foco em todos os eventos e prestar nossa homenagem aos inocentes que foram mortos.
O Anonymus de todo o planeta decidiu declarar guerra contra vocês terroristas. Nós rastrearemos vocês até o último e iremos *matar (destruir) vocês. Vocês aprovaram vocês mesmos a matar inocentes. Nós, portanto, iremos vingar suas mortes.
Vamos rastrear suas atividades online. Fecharemos todas as suas contas em redes sociais. Vocês não irão impor sua Sharia em nossas democracias. Não deixaremos que sua estupidez matar nossa liberdade e nossa liberdade, e liberdade de expressão. Avisamos vocês. Esperem sua destruição. Acharemos vocês em qualquer lugar do planeta. Não há lugar seguro.
Nós somos anônimos.
Nós somos legião.
Nós não esquecemos.
Nós não perdoamos.
Sintam medo de nós, Estado Islâmico e Al Qaeda. Teremos nossa vingança.


  • Como o grupo fez?
Realizando o ataque D ou S e depois fornecendo as informações para agências internacionais. A comunidade não age fisicamente, só informa, porque acreditam que a justiça não é por suas mãos e sim por autoridades competentes.
  • Qual seu principal foco?
O grupo é mais focado em desmantelar casos de corrupção, lavagem de dinheiro, empresas que destroem o planeta, violações dos Direitos Humanos.

Percebe-se, portanto, a relevância da compreensão dos cyberattacks, e da ciberguerra em geral, para entender os conflitos na atualidade.


* Katlen Carvalho é acadêmica do curso de Relações Internacionais do Centro Universitário Curitiba (UNICURITIBA), e pesquisadora do Grupo de Pesquisa "Redes e Poder no Sistema Internacional".
Leia Mais ››