segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Opinião: Cultura e Poder na História das Olimpíadas









Cultura e Poder na História das Olimpíadas

Eduardo Teixeira de Carvalho Junior
  Doutor em História pela Universidade Federal do Paraná
Professor do Centro Universitário Curitiba - Unicuritiba

A restauração dos Jogos Olímpicos no século XIX pelo Barão de Coubertin foi um resgate do ideal de homem da Grécia Antiga a partir das questões sociais e políticas dadas pelo contexto histórico do século XIX, especialmente o nacionalismo e o imperialismo. O Discóbolo, escultura que representa um lançador de disco, foi muito cobiçada por Hitler por representar o ideal de corpo perseguido pelo nazismo.

Apenas recentemente o esporte passou a ser encarado como objeto de pesquisa nas Ciências Sociais. Por muito tempo foi considerado apenas uma atividade lúdica, sem relevância acadêmica. Atualmente, porém, vem se afirmando como um importante campo de pesquisa na análise da sociedade contemporânea. Afinal, os grandes eventos esportivos como as Olimpíadas tanto podem significar a superação de limites atléticos e técnicos do corpo humano, como para a legitimação de regimes políticos. Além disso, determinadas modalidades de esporte acabaram se tornando um instrumento de promoção da identidade nacional. Cite-se como exemplo o fato de muitos pesquisadores utilizarem a importância do futebol para a compreensão da sociedade brasileira. Assim, seguindo a máxima de Clausewitz ,poderíamos dizer que na era moderna o esporte se constitui como uma continuação da política por outros meios.

É preciso distinguir os jogos atléticos da antiguidade dos esportes modernos. Há uma diferença fundamental na função ocupada por esta prática em cada um destes contextos históricos. A partir da Revolução Industrial e da Revolução Francesa os esportes modernos emergem como uma prática social voltada para o controle e domesticação do corpo.  Seguindo as análises de Norbert Elias,trata-se do processo social em que o guerreiro se humaniza e se torna “homem da corte”, a violência e força física do guerreiro medieval são “domesticadas” pelos procedimentos “civilizados” da etiqueta de corte. (ELIAS, 2001) A prática do esporte nasce então de uma necessidade de “civilizar”, “disciplinar”, domar os instintos. Portanto, no século XIX o esporte preenche uma função social importante de acordo com exigências de uma sociedade disciplinar (FOUCAULT, 1987) e de acordo com os valores sociais do capitalismo. Na Antiguidade, por sua vez, o contexto era muito diferente.
Os jogos olímpicos na antiguidade
Na Antiguidade o “lugar” ocupado pelos Jogos Olímpicos é diferente da sua versão moderna, era uma espécie de festividade sagrada onde se representavam os valores de uma sociedade que cultivava a beleza do corpo e as virtudes cívicas. Os Jogos Olímpicos antigos surgiram na Grécia Antiga no ano de 884 a.C, data de fundação dos jogos, mas que passaram a ser contados somente a partir do ano 776 a.C. Duraram doze séculos até serem extintos no ano de 393 de nossa era pelo imperador romano Teodósio, o mesmo que tornou o cristianismo a religião oficial do Império Romano. Teodósio proibiu a prática dos jogos por considera-los um rito pagão.
Na Grécia Antiga, os jogos Olímpicos tinham um caráter sagrado, realizavam-se em Olímpia, na planície da Élida, em honra de Zeus, mas havia também os jogos Píticos, Nemeus, Ístimicos (GIORDANI, 1992). O mensageiro anunciava a celebração das grandes solenidades e ao mesmo tempo proclamava a trégua sagrada, o que acarretava a suspensão de todas as hostilidades e a inviolabilidade dos que se dirigiam a Olímpia. O participante deveria ser heleno de nascimento e homem livre, excluindo-se escravos e mulheres de forma geral.  Havia provas de corridas, lutas, lançamento de disco, corridas de carros (de duas rodas puxadas por cavalos) e o prêmio oferecido aos vencedores era a coroa de louro e o ramo de oliveira. Os vencedores ganhavam muito prestígio, em Esparta, por exemplo, poderiam ter o privilégio de combater nas batalhas ao lado dos reis.






Pinturas sobre a prática dos jogos foram encontradas em vasos e ânforas indicando a sua importância na sociedade grega antiga. Na primeira figura à esquerda vemos uma Taça do ano 500 a.C. – 480 a.C.  representando a prática do lançamento de dardo e lançamento de disco. Ao lado um vaso em forma de cálice do ano 510 a.C. representando os preparativos dos atletas antes das competições.
Além de festividade religiosa, os jogos olímpicos apontavam para uma característica importante do homem grego, a valorização da beleza e do vigor corporal. O historiador e filólogo alemão Werner Jaeger, especialista em história grega antiga, se notabilizou pelo seu trabalho sobre o conceito de Paideia, um conceito que representa o ideal de humanidade na visão da cultura grega antiga. (JAEGER, 1986) Este conceito se aproxima do que hoje chamaríamos de “cultura” e “educação”.
Na Grécia Antiga havia uma preocupação com a formação do cidadão, formação das virtudes voltadas para cidade.  Na República de Platão percebemos um debate sobre a virtude da coragem nos jovens, que não poderia ser confundida simplesmente com treinamento militar, trata-se da coragem que leva a virtude da justiça, do equilíbrio, a uma “grandeza da alma”.  Além da coragem, outras virtudes também eram consideradas importantes como a generosidade, harmonia, moderação, sabedoria.
A Paideia diz respeito tanto à educação do corpo quanto a do espírito. Defendia-se  um equilíbrio, aquele que pratica somente a ginástica acaba ficando tenso, degenerando em dureza que leva ao mau humor (PLATÃO, 2003, Livro III ). O conceito de Paideia exprime uma preocupação dos gregos em assegurar à comunidade um corpo de cidadãos aptos a defender a cidade e respeitar suas leis.  Assim o corpo dos jovens estava no centro das preocupações da cidade. 

Grécia: o despertar da Civilização
No século XIX,em que a História se constituía enquanto uma ciência, os historiadores não conseguiam explicar o rápido desabrochar da Civilização Grega, o “milagre grego”. Como explicar o brilhantismo intelectual de filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles? Além disso, os gregos inauguraram praticamente as principais áreas do conhecimento humano, como a Filosofia, História, Música, Matemática, Medicina, Teatro, Poesia,  Geografia. Houve uma corrida em busca das cidades perdidas da antiguidade, uma busca alavancada pela Arqueologia e que lembra muito os filmes de Indiana Jones, especialmente Indiana Jones e os caçadores da Arca Perdida.
As descobertas arqueológicas fascinavam a imaginação dos eruditos das principais Universidades europeias. Nas primeiras décadas do século XIX iniciaram-se as escavações na cidade de Olímpia, mais tarde as descobertas arqueológicas de Heinrich Schliemann e Arthur Evans iriam revolucionar o conhecimento sobre a antiguidade clássica. Schliemann, obcecado com a Ilíada e a Odisseia de Homero, era um comerciante rico que havia abandonado os negócios para tentar encontrar os lugares citados na obra de Homero. Durante muito tempo os estudiosos acreditavam que a Ilíada e a Odisséia fosse fruto de fantasia e imaginação. Muitos já haviam procurado os lugares apontados na obra sem sucesso, até que Schliemann descobriu a cidade de Troia em 1873 na colina de Hissarlik, na entrada do estreito de Dardanelos, atual Turquia. Mais tarde, um de seus colaboradores, Arthur Evans seria responsável pelas escavações do Palácio de Minos na ilha de Creta, o suposto local habitado pelo lendário minotauro.
O século XIX, por meio das descobertas arqueológicas, descobria os vestígios matérias de uma sociedade que até então estava encoberta de mistérios e lendas da mitologia. As novas descobertas arqueológicas reforçaram ainda mais o papel da Grécia Antiga como um modelo de sociedade a ser seguido pelas potências europeias. O modelo de homem grego da antiguidade passou a alimentar os ideais de nação e civismo na Europa, a exemplo do volk e do geist alemão.  

A restauração dos Jogos Olímpicos
O Barão de Coubertin, inspirado nos valores da Grécia antiga iniciou uma campanha para a difusão de práticas esportivas como instrumento pedagógico de educação, visava uma valorização do esporte para o desenvolvimento moral da juventude. A França de Coubertin saíra derrotada de uma guerra contra a Alemanha (Guerra Franco-Prussiana) e vivia sob uma crise moral e política. Depois de viajar pela Inglaterra, Coubertin inspirado na grandeza do império britânico e pelas teorias do pedagogo inglês Thomas Arnold, passa a defender a prática de exercícios físicos como meio de fortalecimento moral da juventude. Provavelmente seus esforços em difundir a importância dos esportes na formação dos jovens fazia parte de um projeto mais amplo de reforma educacional buscando resgatar o orgulho nacional dos franceses abalado pela derrota para os alemães. Entretanto, sua concepção de educação também foi inspirada em grande medida pelos ideias da antiguidade grega.
Coubertin promoveu palestras na União das Sociedades Francesas de Desportes Atléticos (USFSA) e viajou para os EUA em 1893 para divulgar suas ideias e obter o apoio dos norteamericanos. Coubertin lançou a ideia do restabelecimento dos jogos Olímpicos e logo em seguida criaria o Comitê Olímpico Internacional (COI). Depois de um esforço diplomático, consegue em 1886 a primeira reedição dos jogos olímpicos na Grécia.  Um helenista francês sugeriu a Coubertin adicionar a maratona na restauração dos jogos para remarcar a façanha do lendário soldado ateniense Filípedes que em 490 a.C. correu desde Marathon, na Ática, até Atenas numa distância de 42 KM para anunciar a vitória de Melcíades sobre os persas.

Os Jogos Olímpicos modernos: entre o realismo e o idealismo
Na Carta Olímpica de 1896, documento que estabelecia os principais valores norteadores dos jogos modernos, são apontados os objetivos de promover o desenvolvimento das qualidades físicas e morais que são a base do esporte; educar a juventude através do espírito esportivo para um melhor entendimento e amizade entre os povos, ajudando a construir um mundo melhor e mais pacífico; espalhar os princípios olímpicos pelo mundo, criando a amizade internacional; e assim, unir os atletas do mundo a cada quatro anos em um grande festival esportivo.
Contudo, as “nobres” ideias de Coubertin foram utilizadas para objetivos outros àqueles previstos pela Carta Olímpica. Os Estados passaram a usufruir os valores do esporte em benefício próprio na disputa de prestígio internacional para seus respectivos regimes políticos. Desde então, os Jogos Olímpicos não representam apenas a confraternização entre os povos ou a busca pela paz, mas também a disputa de interesses políticos e econômicos de Estados e corporações.


Na Olimpíada de Berlim Jesse Owens ao vencer as principais provas de atletismo, batendo os seus rivais “arianos”, humilhou publicamente os nazista e colocou em xeque as teorias racistas que predominavam no campo das ciências humanas até então.

Referências Bibliográficas:
ELIAS, Norbert. A sociedade de corte: investigação sobre a sociologia da realeza e da aristocracia de corte. Rio de Janeiro : Jorge Zahar Ed, 2001

FOULCAULT, Michel. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Petrópolis : Vozes, 1987

GIORDANI, Mario Curtis.  História da Grécia. Petrópolis : Vozes, 1992

JAEGER, Werner. Paidéia: a formação do homem grego. São Paulo: Martins Fontes, 1986.

PLATÃO.  A República. São Paulo : Editora Martin Claret, 2003
Site oficial do Comitê Olímpico Internacional. Disponível em: https://www.olympic.org
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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Acontece no UNICURITIBA: Palestra com Grace Chiara Schmidt, coordenadora do CIFAL/UNITAR






Na Semana Acadêmica do Curso de Relações Internacionais, o UNICURITIBA recebeu a Coordenadora do CIFAL  (Centro Internacional de Formação de Atores Locais da ONU), Grace Chiara Schmidt. O CIFAL é  órgão membro do UNITAR (United Nations Institute for Training and Research) e possui três sedes na América do Sul, uma  em Curitiba, outra em Quito e outra em Buenos Aires. Grace é coordenadora do CIFAL Curitibano, que funciona anexo à FIEP.
Após sua palestra, Grace também deu entrevista ao Prof. Gustavo Blum, para o Blog Internacionalize-se.

Blog Internacionalize: Qual a relevância dos treinamentos oferecidos pela UNITAR para os países em desenvolvimento?

Grace: A partir dos nossos treinamentos, conseguimos atingir atores e autoridades locais que não teriam acesso a capacitações se não fosse desta forma. Os treinamentos são voltados as necessidades do local, e com isto ajudam a promover o desenvolvimento, porque atendemos a necessidades dos indivíduos, organizações e dos governos. Quando vemos as questões de treinamento, buscamos o que é necessário para o nosso município, estado ou país. O que é mais urgente? Tratar a questão da mobilidade? Da morte por acidentes?  A educação para ciências? Ou a corrupção? É isto que vamos desenvolver. E pode ser totalmente diferente de uma outra sede, como as Filipinas, por exemplo, onde a questão da migração, do gênero é muito mais enfática. A gente se alimenta das necessidades das redes para se inspirar, mas temos muita preocupação com o que é local. Buscamos identificar qual o direcionamento que o Estado está tomando, as necessidades  apresentadas frente a própria Federação, para traduzir isto nos treinamentos para atender os atores locais.

Blog Internacionalize-se: Como funciona a articulação da rede do UNITAR entre as diferentes sedes do CIFAL ao redor do mundo?

Grace: A gente vem tentando cada vez mais trabalhar em colaboração com os outros centros. No ano passado fizemos atividades com uma universidade que acolhe o CIFAL Atlanta. Temos, neste ano, a vontade de trabalhar com o CIFAL Argentina e El Salvador. Algumas das dificuldades que a gente tem aqui no Brasil, outros países da América Latina também enfrentam. O CIFAL Argentina, por exemplo, tem  expertise para trabalhar as questões de mobilidade urbana e segurança viária, então queremos ver se conseguimos traduzir isto em uma capacitação conjunta, tanto para as prefeituras como para atores locais. 

Blog Internacionalize-se: Como é a relação entre a ONU e o CIFAL das diferentes sedes? Vocês respondem a algum tipo de comitê ou agenda?

Grace: Sim, o Secretário Geral do UNITAR é indicado pelo Secretário Geral da ONU e dentro do UNITAR existem uma série de Diretores para os diferentes programas – um deles é responsável pelos Centros descentralizados (ou seja, os diferentes locais em que o CIFAL vai se estabelecer). Portanto, nós respondemos a ele em nossas iniciativas, mas sempre tempos uma reunião anual com o Secretário Geral do UNITAR, para quem reportamos nossas atividades. Neste ano, esta reunião foi no Equador.

Blog Internacionalize-se: E quais indicadores vocês precisam apresentar à UNITAR?

Grace: Em geral, existem metas de quantidades de beneficiários por ano e tentamos cumprir estas metas durante o ano. Há um padrão de como reportar nossas metas e anualmente são traçados novos objetivos.

Blog Internacionalize-se: O que a ONU busca com o engajamento do setor privado?

Grace: Assim como vemos em outras iniciativas – como o Pacto Global – cada vez mais é necessária a participação das empresas para o alcance efetivo do desenvolvimento sustentável. Grande parte dos serviços prestados ou produtos oferecidos pelas empresas impactam diretamente na sustentabilidade. O CIFAL tenta chamar a responsabilidade das empresas para que elas também possam, a partir daí, serem protagonistas do desenvolvimento, unindo-se com o poder público para um diálogo mais efetivo.
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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Acontece no UNICURITIBA: Missão Genebra - visita técnica dos alunos do curso de Relações Internacionais a diversas Organizações Internacionais em Genebra




Durante o mês de outubro, uma comitiva de alunos do Curso de Relações Internacionais do UNICURITIBA foi a Genebra para uma visita técnica à sede de diversas Organizações Internacionais (como a ONU, a OMC e a OIT), organizada pelo Prof. Thiago Assunção e pelo Núcleo de Relações Internacionais do UNICURITIBA.

A aluna Ananda Rissato enviou ao Blog Internacionalize-se um depoimento detalhado sobre a experiência. 


MISSÃO GENEBRA

Quando a proposta da Missão Genebra foi apresentada aos alunos, logo de cara tive vontade de me inscrever, por acreditar que seria uma experiência única e muito proveitosa. Agora, tendo voltado de viagem posso afirmar que de fato foi uma oportunidade incrível e que superou minhas expectativas iniciais.
Antes de começar o relato da viagem em si é importante destacar a atuação e organização sempre pontual do Núcleo de Relações Internacionais na pessoa do professor Jorge Feldens e do idealizador da viagem professor Thiago Assunção, que possibilitaram não só que o “sonho” da missão se tornasse realidade, como também ajudaram a tornar tudo muito mais fácil e proveitoso para o grupo. Desde a primeira reunião de apresentação, as visitas às Organizações Internacionais já estavam esquematizadas e aqueles que já estavam interessados na missão, ficaram ainda mais. Várias pessoas manifestaram interesse em participar e das 33 que efetivamente realizaram a inscrição, 18 foram chamadas e assim, o grupo que integraria a missão ficou completo. A partir daí foram várias reuniões de preparação para a viagem, garantindo mais uma vez que tudo saísse conforme o planejado.
Depois de meses de espera, finalmente chegamos em Genebra na noite de sábado 8 de outubro. Apesar do cansaço da viagem, no dia seguinte resolvemos sair cedo para conhecer a cidade que seria nossa “anfitriã” pelos próximos dias. Como não poderia ser diferente, todos concordamos que a cidade é de fato muito bonita, limpa, calma, com vários lugares para conhecer e que nos dias seguintes, os dias de visita às organizações em si, teríamos mais ainda para ver.

Dia de visita 1 - Sede da ONU (Organização das Nações Unidas) e Sede da OMS (Organização Mundial da Saúde).
        
Uma das visitas mais aguardadas por todos os integrantes com certeza era a da Sede da ONU em Genebra (United Nations Office at Geneva - UNOG) onde já na chegada pudemos ver o prédio da ONU com as bandeiras perfiladas no gramado à frente, uma imagem já conhecida pelos estudantes de RI. Caminhando um pouco chegamos no chamado Palais des Nations, local de nossa visita, que hoje abriga a sede da ONU mas que já foi também a sede da extinta Liga das Nações. Tivemos a oportunidade de andar pelos corredores e salões do Palais, observando como de fato os elementos da diplomacia e da diversidade cultural tão valorizadas pela ONU estão ali presentes, com decorações, monumentos e artefatos doados e homenageando os diversos países-membros da ONU. Uma sala que posso destacar nessa parte da visita é a Sala de los Derechos Humanos y de la Alianza de Civilizaciones, um presente do governo da Espanha e que serve como palco das reuniões do Conselho de Direitos Humanos. Na parte da tarde estivemos na sede da Organização Mundial da Saúde (OMS) onde tivemos uma conversa com um especialista da OMS em epidemias, que nos falou um pouco sobre a realidade do zika vírus, do ebola e da malária no Brasil e no mundo.

Dia de visita 2 - Sede do ACNUR (Alto Comissariado da ONU para Refugiados) e Sede do CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha).
         A visita ao ACNUR na manhã de terça foi na minha opinião, um dos pontos altos da viagem. Fomos recebidos de forma muito calorosa por parte de uma oficial do ACNUR da seção de assessoria jurídica e proteção internacional, que fez uma apresentação somada a uma conversa sobre as crises humanitárias no Mediterrâneo, mencionando também a experiência pessoal dela, as oportunidades de estágio e de carreira dentro do ACNUR. Almoçamos na cafeteria dentro do prédio da organização (inclusive na companhia da oficial que foi muito querida em continuar uma conversa bem informal conosco) e depois nos dirigimos à sede da Cruz Vermelha. A primeira parte de nossa visita consistiu em uma palestra com especialistas que nos contaram sobre o surgimento, a atuação, os princípios e valores da organização, bem como de aspectos no que tange ao direito internacional. Depois nos dirigimos ao museu da Cruz Vermelha que fica no mesmo prédio, e que é bastante interativo e interessante.

Dia de visita 3 - ONG Internacional Médicos Sem Fronteiras, Sede da OMC (Organização Mundial do Comércio) e Missão Brasileira junto à ONU.
         Na quarta-feira pela manhã estivemos na sede da ONG Médicos Sem Fronteiras, onde nos foi feita uma apresentação acerca do surgimento, funcionamento, valores, princípios e projetos da organização. Algo que pelo menos para mim foi muito enriquecedor e interessante ao poder observar e ter uma noção do que é feito na prática pelas pessoas envolvidas nessa ONG, e como trabalhar com eles em seus diversos projetos, apesar da realidade difícil das zonas de conflito, é plenamente possível, uma vez que também nos foram apresentadas as possibilidades de estágios e carreira no MSF. Depois do almoço visitamos a sede da Organização Mundial do Comércio, uma estrutura enorme, muito bonita e que chamou a atenção do grupo. Lá tivemos uma conversa com um funcionário da OMC sobre a criação, o funcionamento, os painéis de negociação, a atuação do Brasil e algumas perspectivas futuras da organização. Depois dessa visita nos dirigimos ao prédio onde se encontra a Missão Brasileira junto à ONU. Claro que desde o início essa era uma visita muito aguardada e de fato, correspondeu às nossas expectativas. Pudemos conversar de forma bem aberta com um dos Ministros responsáveis pela representação dos interesses brasileiros junto à ONU em Genebra, que nos contou sobre a trajetória dele, seu início e ascensão na carreira diplomática, as perspectivas que nós como internacionalistas podemos ter se optarmos pela diplomacia e as inúmeras oportunidades que estão abertas a nós. Foi uma conversa muito interessante e motivadora, que nos fez pensar mais a fundo sobre os desafios e prazeres da carreira diplomática.

Dia de visita 4 - Sede da OIT (Organização Internacional do Trabalho), OIM (Organização Internacional para as Migrações) e Missão Brasileira junto à OMC.
         Nossa visita à sede da Organização Internacional do Trabalho começou com uma visita guiada pela estrutura física do local, com explicações pontuais sobre a criação, o funcionamento, a forma diferenciada como as decisões são tomadas no âmbito dessa organização, e terminou com uma conversa com uma brasileira e um português responsáveis pelos assuntos envolvendo a Cooperação Sul-Sul no âmbito na OIT. Logo depois dessa visita estivemos na sede da Organização Internacional para as Migrações, uma das mais recentes organizações a entrar para o sistema ONU. Percebemos o quanto o papel da OIM é de extrema importância no atual contexto globalizado, uma vez que atua fornecendo serviços de aconselhamento e suporte não só aos migrantes, mas também aos Estados, ajudando a promover a cooperação internacional na questão das migrações. Foi uma conversa muito interessante que abriu novos horizontes em uma organização que muitos do grupo não estavam familiarizados. Saindo da OIM nos dirigimos ao prédio onde se encontra a Missão Brasileira junto à OMC e outras organizações econômicas. Este foi outro ponto alto das visitas, uma vez que pudemos ter uma conversa muito aberta e abrangente com diplomatas, secretários e estagiários da missão, que nos contaram sobre as ações, as funções de cada um lá dentro, como o Brasil se posiciona e atua dentro do contexto das negociações e disputas da OMC, as oportunidades de carreira e estágio e as experiências pessoais dos representantes brasileiros ali sediados. Pode-se dizer que todos aproveitaram ao máximo, tendo sido uma experiência realmente engrandecedora.  

Dia de visita 5 - Graduate Institute of International and Development Studies e OMM (Organização Meteorológica Mundial)
         No último dia oficial de visitas, já havíamos visitado muitas organizações e aprendido muito em cada uma delas, e como forma de nos deixar ainda mais entusiasmados com as possibilidades que a cidade nos apresentou, tivemos a oportunidade de conhecer o Graduate Institute of International and Development Studies, uma instituição de ensino superior totalmente voltada para mestrados e doutorados na área de relações internacionais, com foco em temáticas como direito, economia, história, antropologia ou política. Eles oferecem também cursos de menor duração durante o inverno ou verão nessas mesmas áreas. A estrutura da instituição é maravilhosa, acredito que todos tenham achado o mesmo e tenham tido vontade de estudar lá um dia. Apesar do valor elevado da anuidade, eles oferecem oportunidades de bolsas de estudo e algumas vagas em alojamento próprio com baixo custo. Para aqueles que pensam em fazer um mestrado ou doutorado em alguma das áreas de Relações Internacionais fora do Brasil, o Graduate Institute com certeza é uma excelente opção. Depois do almoço estivemos na sede da Organização Meteorológica Mundial, onde tivemos uma conversa com a exibição de alguns vídeos sobre a realidade das mudanças climáticas e das transformações ambientais no mundo causadas pelo aquecimento global, um tema cada vez mais presente nas análises e discussões das relações internacionais.

         No sábado a tarde fomos à nossa última visita, apesar de ter sido a única considerada de presença não obrigatória, praticamente todos do grupo compareceram e assim, tivemos a chance de conhecer a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (mais conhecido como CERN), o maior laboratório de física de partículas do mundo e local onde se encontra o maior colisor de partículas do mundo, o LHC, com 27 km de circunferência e que está presente tanto no território suíço como em território francês. Apesar de não entendermos muito sobre as particularidades físicas envolvidas nos testes ali realizados, é muito fácil de perceber a enorme importância e a enorme tecnologia envolvida, bem como o quanto o esforço de cooperação internacional de cientistas, físicos, engenheiros e matemáticos de vários países torna os avanços nessa área possíveis.

         No sábado a noite tivemos nosso jantar de confraternização e despedida. Sentimento de dever cumprido por todos do grupo, avaliações super positivas de tudo que vimos, visitamos e aprendemos durante a viagem. Se desde o início prometia ser uma experiência muito enriquecedora, a promessa se concretizou e ainda foi além. Enquanto conversávamos, concordamos que a experiência nos ajudou a crescer como pessoas, nos fez perceber certas necessidades urgentes que o mundo tem e que nós como internacionalistas, temos um leque enorme de opções de carreira para o futuro. Não podemos dizer que é fácil chegar até um cargo em uma dessas organizações, e durante as visitas percebemos que as pessoas envolvidas ali batalharam muito para chegar onde estão. Mas não é impossível, e aqueles que desejam fazer parte dessa realidade podem sim, chegar aonde quiserem. Espero sinceramente que essa tenha sido somente a primeira missão internacional proposta pelo Unicuritiba, espero que mais alunos e alunas possam entender e ver na prática a importância dessa experiência. Recomendaria sem a menor sombra de dúvidas, que todos aqueles que tiverem a oportunidade, que participem das próximas missões, já que a realidade do nosso curso é ainda mais bonita na prática.

                                                                                              Ananda Rissato


 
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