domingo, 25 de março de 2018

Por Onde Anda: Morena Abdala e Victoria Almeida, criadoras do SophiaData

(Na foto, Victoria Almeida, Devlin Biezus e Morena Abdala - três egressas do curso de Relações Internacionais. Victoria e Morena são criadoras do Projeto SophiaData e Devlin participou como convidada do evento de inauguração). 

Victoria Almeida e Morena Abdala se conheceram no curso de Relações Internacionais do UNICURITIBA. Após concluírem a graduação, em 2014, ambas tornaram-se pesquisadoras na área. Victoria atualmente é mestranda na Universidade de Brasília (UNB) e Morena cursou especialização na Columbia University, fez estágio na ONU e atualmente é pesquisadora pela Harvard University. Ambas, sentiram a dificuldade enfrentada por mulheres para terem visibilidade em suas pesquisa no meio acadêmico e decidiram criar o projeto SophiaData, uma plataforma para integrar pesquisadoras por meio da tecnologia.

Em entrevista ao Blog Internacionalize-se, elas explicam esta iniciativa. 




Blog Internacionalize-se: Como foi a trajetória profissional de vocês entre a graduação em Relações Internacionais e a criação da SophiaData?

Morena Abdala: As nossas trajetórias foram relativamente similares entre a nossa graduação de Relações Internacionais e a criação do SophiaData. Durante a graduação tanto eu, Morena, quanto a Victória seguimos uma trajetória focada em pesquisa acadêmica em áreas específicas e após a graduação nos vimos em um limbo de emprego. Não queríamos trabalhar com comércio exterior, amávamos a ideia de pesquisa, mas no Brasil não era algo tão fácil, algo que futuramente daríamos início ao processo que busca modificar isso.

A Victória conseguiu um estágio no International Policy Centre for Inclusive, centro de pesquisa da Nações Unidas em parceria com o IPEA, e deu procedência à sua pesquisa de mestrado em RI na Universidade de Brasília como bolsista do CNPq, onde pesquisa sobre China. Com a sua experiência acadêmica na UnB e também na Fudan University, onde foi bolsista no ano passado, percebeu a necessidade de termos mais divulgação e espaço para as mulheres pesquisadoras.

Eu tive um caminho diferente dentro da área da pesquisa, pois a minha vida de pesquisa acabou rumando para fora do país. Devido à minha primeira graduação em Teologia, pude fazer uma especialização na Columbia University em Segurança Internacional e, ao mesmo tempo, realizei um projeto de internship na sede da ONU em Nova Iorque. Tive a oportunidade de fazer uma imersão e me tornar pesquisadora da Harvard University na área de governo, universidade pela qual ainda realizo minhas pesquisas. No Brasil, as portas se abriram para dar aula dentro de uma escola de ensino fundamental, na área de Geografia e Geopolítica, mas também via que o espaço ocupado pelas mulheres na pesquisa internacional não era proporcional ao dos homens, e era algo que me incomodava.

Quando a Victória me abordou com as angústias dessa realidade, e algumas ideias de como combatermos isso e nos tornarmos significativas para a história das mulheres pesquisadoras no Brasil, não hesitei em aceitar. De um café para um bate-papo normal, nasceu a ideia de criarmos uma plataforma virtual para a integração entre estas mulheres.


Blog Internacionalize-se: O que é a SophiaData e como funciona?
Victoria Almeida: A SophiaData é um projeto que visa a expandir a visibilidade e os relacionamentos entre mulheres pesquisadoras por meio da tecnologia. A SophiaData será uma plataforma digital, conectando pesquisadoras, docentes e especialistas entre si e também com o mercado de trabalho. Estamos na primeira etapa de desenvolvimento da plataforma, na qual será lançado um blog dedicado a publicação de conteúdos inéditos produzidos por mulheres. A segunda etapa, ainda em desenvolvimento, contará com o lançamento da rede em si. Nesta rede da SophiaData, será possível para mulheres pesquisadoras, nos mais diversos níveis da vida acadêmica, cadastrarem seus currículos, artigos e materiais inéditos. Ao criarem seus perfis na SophiaData, as mulheres poderão buscar outras colegas que atuam na mesma área, buscar parcerias e também aumentarão sua visibilidade junto ao mercado de trabalho. A ideia é que a plataforma seja mais um meio de interação entre pares na academia, para além dos meios tradicionais que conhecemos, e também uma ponte para parcerias e empregos.


 Blog Internacionalize-se: Como surgiu a ideia deste projeto? O que motivou a sua criação?
Victoria Almeida: A SophiaData é um projeto que nasceu da nossa vivência no meio acadêmico e dos desafios enfrentados por mulheres pesquisadoras em diversas áreas e níveis de atuação. A vivência e também os dados, reforçaram a necessidade de um primeiro espaço virtual como este e o longo caminho a ser percorrido na luta pela igualdade de gênero no meio acadêmico em nosso país. Apesar de representarem mais de 40% dos pesquisadores cadastrados no Brasil, segundo dados da Elsevier, as mulheres ainda enfrentam dificuldades de inserção profissional, disparidades salariais e dificuldades em alcançar posições seniores na área da pesquisa e da docência. Mesmo representando a maior parte de doutores em nosso país, as mulheres não são remuneradas de acordo com o teto salarial de profissionais tão qualificados. As acadêmicas brasileiras possuem elevados índices de produção científica, entretanto ainda possuem menor impacto e menor presença em congressos e conferências científicas. Além destas questões, a SophiaData também dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, já que inclui em seu escopo questões como a igualdade de gênero, o trabalho digno e o crescimento econômico, a inovação e a redução das desigualdades.



Blog Internacionalize-se: Como a formação em Relações Internacionais contribuiu para o desenvolvimento desta iniciativa?
Morena Abdala: Cremos que foi através do curso de Relações Internacionais que a nossa perspectiva real da pesquisa e da realidade acadêmica de maneira nacional e internacional foi estabelecida. O curso também proporcionou a nossa presença em simpósios, conferências, palestras e diversos encontros acadêmicos que foram de suma importância para o desenvolvimento de nossas pesquisas, mas também como catalizador para a percepção deste confronto com a realidade masculina e disparidade de gênero que nos cercava. De maneira prática também, visto que aulas como negócios internacionais e aulas de cooperação internacional e de projetos, nos capacitaram a realizar um plano real de negócios e analisar as nuances, mercado e expectativas reais do projeto.

Um comentário:

  1. Parabéns pela iniciativa. Faço votos que o projeto cresça e forneça um canal de diálogo e maior integração entre pesquisadoras, convertendo-se em um núcleo de propagação e incentivo à pesquisa para novas pesquisadoras.

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