quarta-feira, 18 de março de 2015

Trinta Anos de Democracia. E daí?

Por. Carlos-Magno Esteves Vasconcellos[1]
Neste último fim de semana (13 a 15 de março/2015) o Brasil vivenciou dias de agitação social em muitas de suas cidades. Nas capitais e nas cidades do interior do país centenas de milhares de pessoas foram às ruas manifestar seu descontentamento com a desordem social, econômica e política que os aflige. No domingo, as manifestações ganharam contornos mais radicais e até insanos, quando clamores de impeachment e intervenção militar ecoaram pelos ares. Os ‘militaristas’ poderiam aproveitar a oportunidade para aprender, de uma vez por todas, que a liberdade que usufruíram para ir às ruas manifestar suas diatribes em relação ao governo federal somente foi possível porque vivemos em um regime democrático. Caso vigorasse hoje um regime militar no Brasil, fosse ele de direita ou de esquerda, o direito à manifestação seria zero!
Mas, ao observar essas manifestações o que podemos aprender? Estarão os brasileiros vivenciando um verdadeiro processo de amadurecimento político? São perguntas importantes, sobretudo, porque neste ano de 2015 completamos 30 anos da redemocratização do Brasil.
As manifestações de março de 2015, bem como aquelas de junho de 2013, são muito bem-vindas! Elas ainda apresentam uma configuração muito híbrida, disforme. Abrigam em seu âmago forças progressistas, mas alinham também grupos oportunistas e retrógrados que necessariamente precisarão ser expurgados de seu interior. Os ‘militaristas’ e os defensores do impeachment da presidenta Dilma, por exemplo, são verdadeiras excrecências sociais. Os primeiros, porque desejam fazer a história andar para trás, enquanto os defensores do impeachment, charlatões inveterados, pretendem curar a ferida trocando o curativo. Haja paciência!
Mas as manifestações podem educar o povo brasileiro a viver mais intensamente a democracia. Em si mesmo, as manifestações populares são um exercício de poder direto do povo. Democracia é exatamente isso: regime político fundado sobre a soberania popular. Às vezes (ou quase sempre), a democracia burguesa parlamentar foge ao controle popular e torna-se um mero instrumento de dominação do capital e de seus capatazes, civis e militares, sobre a sociedade. Para recoloca-la nos trilhos somente a intervenção do poder popular.
É certo que as manifestações populares ainda estão engatinhando entre nós, brasileiros. É compreensível, também, sua natureza amorfa. Mas elas podem se tornar o embrião de um furacão social que venha revitalizar a vida política nacional, recolocando em seu horizonte as questões de ordem econômica e política mais prementes para a sociedade. Claro, isso pode levar algum tempo. Mas as condições objetivas ao amadurecimento das forças sociais progressistas nunca foram tão favoráveis. Porém, é preciso cautela! O fundo do poço, lugar em que nos encontramos hoje, é um campo minado e traiçoeiro. Por um lado, representa o fim do movimento de queda e pode se converter no ponto de partida para um movimento de renascimento; por outro, dependendo de sua profundidade, pode ser o prenúncio da morte.
Há razões para temer, em relação ao futuro próximo das manifestações populares, principalmente em razão do estado de degenerescência em que se encontra a vida político-partidária brasileira. Isso é sério, porque a democracia burguesa, tal como a conhecemos, tem nos partidos políticos seu mais importante canal de diálogo social. Se a vida político-partidária se degenera, os canais de diálogo social são obstruídos. É aí que as manifestações populares, como essa do último domingo, encontrarão seu mais duro obstáculo.
O que acontece com o mundo político-partidário no Brasil e o que é que ele tem a ver com as manifestações de domingo último? Ele se tornou um antro de hipócritas e oportunistas de terceira categoria. Senão, vejamos as reações de algumas das mais importantes autoridades políticas do país em relação às manifestações deste último fim de semana.
Comecemos com o candidato derrotado do PSDB à presidência da República, sr. Aécio Neves. No domingo das manifestações ele se pronunciou nos seguintes termos: “Depois de refletir muito, eu optei por não estar nas ruas neste domingo, para deixar muito claro quem é o grande protagonista destas manifestações. E ele é o povo brasileiro, o povo cansado de tantos desmandos, de tanta corrupção. Mas o caminho só está começando a ser trilhado. Por isso, não vamos nos dispersar![2]
Pode haver um pronunciamento mais oportunista que esse? Primeiro, bajula o povo chamando-o de ‘protagonista das manifestações’; esse mesmo povo, cujos anseios legítimos e soberania de direito, vêm sendo negligenciados há décadas pelos políticos do PSDB, inclusive o sr. Aécio Neves, assim como pelos políticos dos demais partidos brasileiros. Depois, alfineta a presidenta democraticamente eleita para um mandato de quatro anos, dizendo que o povo está cansado de tantos desmandos. É verdade, mas os desmandos vêm de longe, tendo sido esta, inclusive, uma das razões pelas quais o povo brasileiro jogou o PSDB, para escanteio nas eleições presidenciais há mais de doze anos! Essa foi também a razão pela qual o povo protagonista das Minas Gerais ajudou dona Dilma a vencer o sr. Aécio em 2014!
Agora, vejamos o que disse na segunda-feira, dia 09 de março de 2015, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao Jornal Zero Hora de Porto Alegre-RS: “Como todo brasileiro, (vejo a situação) com muita preocupação. Sem esperança, não vendo uma saída. É um momento bastante sombrio[3] É sombrio sim, sr. Cardoso! Mas, dito pelo senhor, isso soa também oportunismo e hipocrisia!
Não faz muito tempo, ao criticar a gestão do Partido dos Trabalhadores, o sr. Cardoso escreveu: “Já passou da hora de o governo do PT beijar a cruz. Afinal, muito do que ele renegou no passado e criticou no governo do PSDB passou a ser o pão nosso de cada dia da atual administração. A começar pelos leilões de concessão para os aeroportos e para a remodelação de umas poucas estradas. (...)Sem coragem para fazer autocrítica, o petismo foi pouco a pouco assumindo o programa do PSDB, e, agora, críticos do mais variado espectro cobram deste o suposto fato de não ter propostas para o Brasil...[4] Sombrio mesmo, hoje no Brasil, é a vida político-partidária brasileira. O sr. FHC não vê saída para o Brasil, nem mesmo com a adoção do programa do PSDB pelo Partido dos Trabalhadores!
Vamos para frente, ouvir as palavras do Ministro da Justiça do Governo Dilma, sr. José Eduardo Cardozo, em entrevista concedida no domingo, 15/03, à noite. Segundo o Ministro Cardozo: “a atual conjuntura aponta para uma necessária mudança no nosso sistema político-eleitoral (…) é um sistema anacrônico que constitui a porta de entrada principal para a corrupção no país. Então, é preciso mudá-la por meio de uma ampla reforma política[5]. Porque é que o senhor ministro, os governos petistas e seus aliados (12 anos completos no poder), o PSDB e seus aliados (8 anos de poder) ainda não fizeram nada para mudar esta situação? Descobriram isso agora? Não. É só hipocrisia! O senhor ministro da Justiça é um hóspede de honra nesse antro de hipocrisia e oportunismo rastejante em que se converteu o mundo político-partidário brasileiro.
Como se isto não bastasse, ouçamos o que disse o Ministro da Secretaria Geral da Presidência, outro militante histórico do PT, sr. Miguel Rossetto, também em entrevista na noite deste último domingo: “As manifestações ocorridas hoje são manifestações onde majoritariamente participaram setores críticos, setores da sociedade críticos ao governo, seguramente essa participação ela aparece nessas manifestações, seguramente, majoritariamente também, eleitores que não votaram na presidenta Dilma Rousseff[6].
É assustadora a capacidade desses homens de estado em usar a língua portuguesa em vão! Que tipo de pessoas o sr. Rossetto esperava nessas manifestações contra o Governo Dilma? Militantes petistas como ele? Insano!
Agora, será que os participantes das manifestações eram apenas ‘eleitores que não votaram na presidenta Dilma’? Improvável. A bandidagem está hoje disseminada em todos os espectros da política brasileira, independentemente da sigla partidária. Ainda que o senhor Rossetto pense diferente, a nação brasileira não é uma nação de meretrizes: não vai se vender por um prato de comida e uma vaga na escola para o filho. A manifestação desse domingo teria sido muito maior, não tivesse sido emporcalhada pela intromissão de políticos oportunistas. É provável que não haja hoje no país – a exceção dos políticos profissionais – um único brasileiro que não deseje estar nas ruas bradando pelo fim do gangsterismo institucionalizado, inclusive os militantes de boa-fé do PT.
Mais um tempinho para entendermos o que está acontecendo com o mundo político-partidário brasileiro. Deixemos falar o presidente da Câmara Federal, sr. Eduardo Cunha, que, em conversa com empresários na segunda-feira (16/03), na FIESP, ao tratar do gangsterismo institucional brasileiro, afirmou: “Isso que vai ser comprovado e, quem o fez, vai responder por isso. Mas a corrupção não existiu pelo Poder Legislativo. Alguns parlamentares até podem ter apoiado sem saber que era corrupção, pela natureza política. Outros, podem ter compartilhado. Essa crise é do Poder Executivo, não é daqui. Há uma nítida tentativa de transferir ela para cá[7].  
Ao mesmo tempo, passemos a palavra ao ex-Governador do Ceará, ex-filiado e militante do PMDB (Partido do sr. Eduardo Cunha) e atual Ministro da Educação do Governo Dilma, sr. Cid Gomes. Em entrevista concedida no dia 27/02/2015, a professores e reitores de Universidades Federais paraenses, afirmou: “A presidenta Dilma, ela é só presidente da República. Não ache que um presidente da República tem o poder de tudo, não. Tu acha que essa eleição para a presidência da Câmara aconteceu segundo a vontade dela (Dilma)? (...) Não foi não, querido, não foi não. Tudo o que é força política mais realmente comprometida, mais identificada com esse esforço que ampliou a oferta de ensino superior no Brasil e que tem compromissos sociais, que reduziu a miséria ou extinguiu a miséria, todas essas pessoas estiveram contra a eleição de quem foi eleito lá (o Ministro está se referindo a Eduardo Cunha). (...) Agora, as coisas são assim, tá certo? As coisas são assim. Tem lá uns 400 deputados, 300 deputados que quanto pior melhor para eles. Eles querem é que o governo esteja frágil porque é a forma de eles achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais, aprovarem as emendas impositivas, para quem possa… Com todo respeito também, porque às vezes os caras querem mandar dinheiro para algum lugar, mas é uma guerra, é uma guerra…”[8].
Simples e cristalino: o mundo político-partidário brasileiro se tornou um antro de hipócritas e oportunistas de terceira categoria. Essa gente vai tentar frustrar de todas as maneiras possíveis e através de todas as artimanhas imagináveis os objetivos das manifestações populares. É, inquestionavelmente, o maior estorvo ao amadurecimento político do povo brasileiro e à nossa frágil democracia.







[1] Carlos-Magno Esteves Vasconcellos é doutor em Economia pela Escola Superior de Economia de Varsóvia, Polônia, e professor titular das cadeiras de Economia Política Internacional e Empresas Transnacionais no Curso de Relações Internacionais do UniCuritiba.
[3] Cf: http://m.zerohora.com.br/284/noticias/4715315/impeachment-e-como-bomba-atomica-diz-fernando-henrique-cardoso
[5] Cf: http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2015/03/15/governo-errou-antes-e-depois-dos-protestos/ O sr. Cardozo é militante histórico do PT e um dos mais destacados ministros desse governo atual.

[7] Cf: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/03/10/politica/1426017808_445573.html; http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/03/fala-de-ministros-apos-manifestacoes-foi-um-desastre-diz-eduardo-cunha.html

[8] http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2015/03/04/camara­tem­uns­400­300­deputados­achacadores­diz­ministro­cid­gomes/

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O Segundo Mandato de Dilma Roussef: nossas expectativas para o período 2015-2018.



A Presidenta Dilma Roussef na cerimônia de posse de seu 2º mandato, ao lado presidente do Congresso, Renan Calheiros, e do vice-presidente da República, Michel Temer

Por. Carlos-Magno Esteves Vasconcellos[1]

Dona Dilma tomou posse para seu segundo mandato presidencial no primeiro dia deste ano de 2015. Foi ladeada, nas cerimônias de posse, pelos honoráveis republicanos Michel Temer, vice-presidente do Brasil, e Renan Calheiros, presidente do Congresso Nacional. Depois de uma longa fala aos congressistas, subiu a rampa do Palácio do Planalto para um discurso aos populares, no qual prometeu dias melhores ao povo brasileiro. Até aí, nada de novo.

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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

As "Comfort Women" e a Segunda Guerra Mundial




Por Victoria A. Karam*


As “comfort women” foram mulheres e garotas – vindas do próprio Japão, Coreia, China, Filipinas, Burma, Tailândia, Taiwan, entre outros países - forçadas, pelo Império Japonês, a serem escravas sexuais, antes e durante a Segunda Guerra Mundial. O termo “comfort women” deriva de uma interpretação da palavra japonesa “ianfu” que significa prostituta.
Durante a Segunda Guerra Mundial, aproximadamente, 200.000 mulheres foram levadas as “comfort stations” pelo Exército Imperial Japonês e abusadas sexualmente, ficando conhecidas como as “Comfort Women”, assim, configurando o maior caso de tráfico humano durante todo o século XX.
            A situação das “comfort women” consistiu em uma grande violação aos direitos humanos que é pouco conhecida no Ocidente, fazendo com que essas mulheres ficassem presas em meio a todo o tabu que permeia as vidas dos asiáticos nos últimos sessenta e nove anos.
            As “comfort stations” foram criadas a pedido das autoridades do Exército Imperial como parte de sua presença na China. Tinham como objetivo diminuir o sentimento anti-japonês que crescia, conforme os oficiais do exército estupravam e violentavam mulheres por onde passavam – sentimento que apenas evoluiu com o Massacre de Nanquim, quando oficiais japoneses mataram e estupraram milhares de vítimas. Dessa forma, os segredos militares japoneses eram protegidos, uma vez que a cúpula militar acreditava que dentre as mulheres que se relacionavam com o contingente poderia haver alguma espiã, afinal, a maior parte das “comfort women” não dominava a língua japonesa.
Segundo conta a história, os primeiros sinais desses prostibulos podem ser encontrados por volta de 1931, ou seja, desde o Incidente da Manchúria. Com o transcorrer dos conflitos esses estabelecimentos se espalharam e em 1937, com o começo da Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-1945), sua presença no território asiático tornou-se ainda mais forte.  As mulheres e jovens eram recrutadas em colônias – como Taiwan e Coréia – e outros territórios dominados pelo Japão. Geralmente eram enganadas com a ideia de que estavam sendo escolhidas como enfermeiras, garçonetes, empregadas e tipógrafas, outras eram compradas de suas famílias, dadas como pagamento de dívidas com a promessa que dentro de um ano retornariam para suas casas. Porém, a volta ao lar nunca era fácil e, muitas vezes, não chegava a acontecer, pois as mulheres não deixavam as “comfort stations” ou eram sequestradas e consideradas suspeitas de terem envolvimento com a resistência.
Com a expansão da Guerra, a presença japonesa continuava muito marcante e com isso as mulheres “recrutadas” passaram a viajar com uma autorização e sob vigilância militar, assim como novas mulheres passaram a integrar o grupo das “comfort women”, como garantia de que viveriam, mesmo que sacrificando sua liberdade. Entretanto, quando os japoneses começaram a perder sua força e a Guerra teve seus papéis invertidos - em decorrência ao ataque japonês à base militar Pearl Harbor, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França declararam guerra ao Japão. Assim, a Guerra Sino-Japonesa, a Guerra do Pacífico e a Segunda Guerra Mundial misturaram-se e Chiang Kai-Shek passou a ser apoiado e a receber suprimentos e armamentos dos Estados Unidos. Nesse momento, o objetivo chinês passou a ser a vitória, essas mulheres, muitas vezes distantes de suas casas eram abandonadas ou deixadas para trás com militares que não tinham mais condições de acompanhar o exército.
A Segunda Guerra chegou ao fim em 1945, mas, para essas mulheres, mesmo sem guerra, não existia mais a paz que conheceram quando mais novas. Muitas delas deixaram de voltar para suas cidades natais e as que retornaram sofriam com doenças (venéreas ou não), feridas, estavam estéreis e viviam uma vida miserável, impedidas de esquecer tudo pelo que haviam passado, sem poder casar, além de serem obrigadas a esconder seu passado.
Atualmente, existe uma estimativa da Anistia Internacional sobre o número de mulheres que foram levadas às “comfort stations”, mas, o que vale ressaltar é que mesmo sessenta e nove anos depois, as sobreviventes vivem, todos os dias, com as marcas deixadas pelo tempo em que foram abusadas, mal tratadas e exploradas e com a sensação de impunidade, uma vez que ninguém foi responsabilizado pelo que essas mulheres passaram ao longo da Segunda Guerra Mundial.
Em 2000, o “The Women's International War Crimes Tribunal on Japan's Military Sexual Slavery”, foi criado por organizações não governamentais e entidades de proteção aos direitos humanos, com apoio de ex-membros de tribunais especiais do Tribunal Penal Internacional, para julgar os crimes cometidos contra as mulheres pelo exército imperial japonês. Em questão de um ano, a sentença foi proferida – em Haia, sede do TPI - e declarou culpados todos os indiciados. O Imperador Hirohito não foi condenado como indivíduo e sim como superior, tendo o poder de impedir que os crimes se perpetuassem. A sentença também exige um pedido de desculpas publicamente; que o Japão assuma a responsabilidade pelo ocorrido; que haja compensação por violar os Direitos Humanos e a reparação às vítimas. Esse tribunal teve como objetivo dar voz à dor das vítimas e levar os crimes japoneses ao conhecimento da comunidade internacional, focando-se em uma parte da história pouco abordada.

Por fim, até hoje, o Japão se recusa a ouvir os pedidos de reconhecimento e nega que tenha havido crimes contra a humanidade e violação dos direitos humanos no caso das “comfort women”. Alega que o veredito do “Women’s Tribunal” não deve ser considerado válido e nega-se a dar margem ‘as especulações sobre os crimes ocorridos entre 1931 e 1945.

*Victoria A. Karam é graduanda dos Cursos de Direito e Relações Internacionais do Centro Universitário Curitiba – UNICURITIBA. 

Referências:
STETZ, Margaret. Legacies of the Comfort Women of World War II. Armonk, N.Y.: M.E. Sharpe, 2001.
TANAKA, Yuki. Japan’s Comfort Women: Sexual Slavery and Prostitution during World War II and the U.S. Occupation. London: Routledge, 2002.
THOMA, Pamela. "Cultural Autobiography, Testimonial, and Asian American Transnational Feminist Coalition in the "Comfort Women of World War II"Conference." Frontiers: A Journal of Women Studies 21, no. 1/2 (2000): 29-54.
UENO, Chizuko. "The Japanese Responsibility for Military Rape During World War II." Asian Studies Review 17, no. 3 (1994): 102-107. 
WATANABE, Kazuko. "Militarism, Colonialism, and the Trafficking of Women:'Comfort Women' Forced into Sexual Labor for Japanese Soldiers." Bulletin of Concerned Asian Scholars 26, no. 4 (October-December 1994): 2-17.
Yoshimi, Yoshiaki. Comfort Women: Sexual Slavery in the Japanese Military during World War II. New York: Columbia University Press, 2000. 

Imagem: As vitimas do Exército Imperial Japonês durante a Segunda Guerra Mundial e seus apoiadores em uma manifestação durante uma reunião entre o Primeiro Ministro Sinzo Abe e o Presidente Beingno Aquino III, em 2013.http://static.rappler.com/images/comfort-women-rally-mendiola-epa-20130727-001.jpg

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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

As eleições na América do Sul e os projetos de integração da região





Por Gustavo Glodes-Blum*

Os anos de 2013, 2014 e 2015 foram e serão decisivos para a estrutura política da América do Sul. Nestes três anos, definiram ou definirão seus governos para os próximos mandatos sete dos doze países que constituem a região: Chile, Venezuela, Colômbia, Brasil, Uruguai e Argentina. Os resultados destas eleições alteram de forma leve ou profunda a cartografia política desta região, dependendo do país e do movimento político que nele ocorre, sobretudo com relação aos dois principais blocos de poder da região: a Aliança do Pacífico e o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL). A tabela abaixo apresenta o resultado das eleições já realizadas na região.

Ano
País
Turno
Candidato eleito
Candidato opositor
2013
Venezuela
Segundo
Nicolás Maduro (50,6%)
Henrique Capriles (49,1%)
Chile
Segundo
Michelle Bachelet (62,16%)
Evelyn Matthei (37,83%)
2014
Colômbia
Segundo
Juan Manuel Santos (50,95%)
Óscar Iván Zuluaga (45,00%)
Bolívia
Primeiro
Evo Morales (61,04%)
Samuel Doria (24,49%)
Brasil
Segundo
Dilma Rousseff (51,63%)
Aécio Neves (48,36%)
Uruguai
Segundo
A ser definido
2015
Argentina
A ser realizada

Estes seis países, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), representam 85% da economia da América do Sul, representando um forte desnível entre estes e os outros cinco países da região – Paraguai, Peru, Equador, Guiana e Suriname. Desta forma, os grupos políticos que ascenderam ou ascenderão aos governos serão responsáveis por determinar os rumos políticos e econômicos da América do Sul em razão de seus preceitos políticos. A tabela abaixo apresenta a produção de riquezas nos países da América do Sul em 2013, segundo o FMI:

País
Valor do PIB em Bilhões de Dólares
Porcentagem do PIB Regional
Argentina
488,213
12%
Bolívia
29,802
1%
Brasil
2242,854
54%
Chile
276,975
7%
Colômbia
381,822
9%
Equador
94,144
2%
Guiana
2,97
0%
Paraguai
28,333
1%
Peru
206,542
5%
Suriname
5,057
0%
Uruguai
56,345
1%
Venezuela
373,978
9%
América do Sul
4187,035
100%
Fonte: Fundo Monetário Internacional (FMI), Base de Dados da Perspectiva Econômica Mundial, Abril de 2014.

O que se apresenta, segundo os dados apresentados, é que a vitória política dentro de qualquer um destes países é muito relevante para compreender os projetos políticos que estão em andamento na região. Tanto a Aliança do Pacífico como o Mercosul encontram-se, atualmente, em um momento de revisão das suas estruturas. Enquanto a vitória de Michelle Bachelet no Chile representa uma possível estagnação do avanço da Aliança, diversos setores – sobretudo aqueles ligados à indústria e ao agronegócio – no Brasil e na Argentina questionam a continuidade do Mercado Comum.
O Mercosul, que foi criado em 1994 mas que ganhou força a partir do fim da década de 1990, se tornou, dentro da estratégia de integração regional, uma das forças motrizes da integração regional. Foi a partir do Mercosul que, em 2008, o ex-presidente brasileiro Luís Inácio Lula da Silva criou, utilizando-o como plataforma para tal, a União das Nações Sul-Americanas, a UNASUL.
Esta estrutura, que previa uma profunda integração entre os países da América do Sul nos quesitos de energia, educação, saúde, ambiente, infraestrutura, segurança e democracia, segundo a própria instituição, conseguiu, pela primeira vez, reunir sob um mesmo espectro todos os países da região – inclusive países como a Guiana e o Suriname, tradicionalmente afastados de iniciativas regionais. Porém, com a entrada da Venezuela no Mercosul aceita pelo Parlamento paraguaio ao fim de 2013, finalizando um processo que se iniciara ainda em 2006, ambas as iniciativas foram enxergadas como pertencentes ao “Giro à Esquerda”, ou seja, aos governos populares de tendência de centro-esquerda que assumiram o poder nestes países.
Geopoliticamente, o Mercosul conta com um claro viés de aumento da integração tendo como base o apoio ao consumo interno, o aumento dos fluxos comerciais e industriais dentro do próprio bloco. Para isso, as estratégias de distribuição de renda e de desenvolvimento do mercado consumidor interno são fundamentais, tendo sido estas algumas das principais políticas perseguidas pelos governos de seus países-membros. A figura abaixo, criada pela Secretaria Geral do Mercosul, apresenta alguns dados a respeito dos Estados-membros do bloco.

Figura 1.  Estados-membros do Mercosul e dados internos ao Bloco.



Como contraposição ao “Giro à Esquerda”, os governos do México, do Peru, da Colômbia e do Chile criaram, em 2011, a Aliança do Pacífico. Esta estrutura tem uma intenção completamente diversa daquela do Mercosul. De acordo com sua Secretaria Geral, a Aliança busca, ao tentar criar uma Área de Livre Comércio, “converter-se em uma plataforma de articulação política, integração econômica e comercial, e projeção ao mundo, com ênfase na região da Ásia-Pacífico”.
Desta forma, fica clara a intenção dos governos destes países, que têm um nível maior de comunicação com o Oceano Pacífico que com as economias para além da Cordilheira dos Andes, de se inserir numa grande estratégia global de acesso ao mercado chinês e asiático em Geral. Criado no âmbito de governos com características neoliberais e mais voltadas às estratégias de inserção na lógica global da cadeia de produção, a Aliança se apresentou como uma contraposição ao Mercosul e à Unasul, já que seus preceitos ideológicos diferem destes últimos, sobretudo num forte apoio às estratégias dos Estados Unidos da América na região. A figura abaixo, produzida pela Secretaria Geral da Aliança, demonstra a intenção em perseguir este tipo de política.

Figura 2. Estados-membros da Aliança do Pacífico e sua inserção geográfica na zona costeira do Oceano Pacífico.
Fonte: Secretaria Geral da Aliança do Pacífico, 2014.



O quê demonstram as recentes eleições nos sete principais países da região é que, de certa forma, o projeto da Aliança do Pacífico é aquele que pode ser prejudicado em razão da recente cartografia política da região. A candidata de centro-esquerda Michelle Bachelet, que assume o seu segundo mandato como Presidente do Chile após derrotar a candidata de centro-direita Evelyn Mattheis no segundo turno, pode representar uma quebra na continuidade da Aliança e uma guinada tanto no Mercosul como na Unasul, instituição da qual, entre 2008 e 2009, Presidente pro tempore.

Dos países que já terminaram seu processo eleitoral, apenas a Colômbia apresenta a continuidade de um processo político que apoia fortemente a Aliança do Pacífico. Porém, devido a pressões externas e internas, haverá que se aguardar para perceber quais os reais impactos destas eleições nos processos de integração da região.


Gustavo Glodes Blum é Professor de Geografia Política do curso de Relações Internacionais do Centro Universitário Curitiba – UNICURITIBA
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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Não Conta na Aula




O palestrante André Fran entre o coordenador do curso de Relações Internacionais Rafael Pons Reis e de Marketing Fabiano Pucci do Nascimento 

                                                                                
 Por Ana Caroline Moreno *


“O importante aqui são as lições de vida”. Com esse objetivo na cabeça, um minidocumentário na bagagem e um piloto aprovado pela Multishow, surgiu o “Não Conta Lá em Casa”. Produzido, escrito e realizado por quatro amigos (André Fran, Felipe Melo, Bruno Amaral e Leonardo Campos), o programa serve, nas palavras do diretor, roteirista e social media André Fran como “uma ferramenta para quebrar preconceitos, derrubar paradigmas e - por que não? - tentar fazer desse um mundo melhor”.
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