segunda-feira, 18 de abril de 2022

Volta ao Mundo em 7 Dias - Notícias de 11/04 a 17/04

Por Leonardo Guebert

  • França
    No último domingo, a França foi agitada pelo primeiro turno das eleições presidenciais cujos resultados acabaram como previsto, repetindo o segundo turno de 2017, com o atual presidente centrista Emmanuel Macron disputando a reeleição e Marine Le Pen, do partido Reagrupamento Nacional de extrema direita, que atingiram aproximadamente 28% e 23% dos votos, respectivamente. Todos os principais candidatos, da esquerda à centro-direita, direta ou indiretamente pediram para seus eleitores não votarem em Le Pen, não necessariamente apoiando Macron.


    A comunidade internacional está observando de perto os próximos dias do período de eleições no país, pois dessa vez a eleição tende a ser muito mais acirrada. Enquanto Le Pen busca atingir os insatisfeitos com o último governo de Macron e fortalece seu discurso populista internamente, deixando os assuntos polêmicos de lado, no campo internacional a sua possível vitória é tratada com preocupação. A candidata afirmou que as leis francesas devem ser superiores às leis europeias, além de dizer que removeria a França da estrutura da OTAN, o que preocupa líderes da União Europeia que podem ver um Estado importante se aproximando de países como Hungria e Polônia, sem mencionar a admiração pessoal da francesa por Putin.

  • Estados Unidos da América
    Na manhã de terça-feira (12), um episódio triste chocou a cidade de Nova York quando Frank James, de 62 anos, realizou diversos disparos no metrô em uma região residencial no Brooklyn que deixou 23 feridos, felizmente com nenhuma morte. O terrorista que publicava vídeos na internet recheados de discurso de ódio, homofobia, misoginia e racismo, afirmou que ‘haveria sangue’ em sua próxima ação que foi realizada no bairro Sunset Park, onde residem muitos imigrantes latinos e chineses. 
    James foi detido no dia seguinte pela polícia com ajuda de cinco civis que teriam fornecido “informações cruciais” para a prisão do autor do tiroteio. Essas pessoas vão dividir um prêmio avaliado em 50 mil dólares pela captura de James, que pode ser condenado a prisão perpétua. 


  • China
    A maior cidade do gigante asiático passou pela terceira semana seguida de confinamento obrigatório, uma medida rígida do governo chinês para tentar controlar o novo surto de coronavírus em Xangai. A megacidade de 26 milhões de habitantes está sendo palco de manifestações e confrontos diários entre moradores e polícia locais. Aqueles que testam positivo são colocados em quarentena de imediato, porém o alto número de casos ilustra a dificuldade das autoridades para encontrar espaço para colocar essas pessoas. 
    Apesar de diferentes espaços públicos, como escolas, estarem sendo utilizados como centros de quarentena, uma operação comandada pelo governo nessa quinta-feira (14) retirou muitas pessoas de suas casas para transformar seus apartamentos também em locais disponíveis para os contaminados ficarem, gerando mais raiva nos cidadãos que já estavam insatisfeitos pela falta de alimento em suas casas que deveria ser fornecido pelo governo, porém os serviços de entrega sobrecarregaram. 

  • Finlândia e Suécia 
    Os países nórdicos Suécia e Finlândia anunciaram na quarta-feira (13) que estão averiguando uma possível candidatura para adentrar à OTAN, medida histórica que foge do usual para ambos os países que sempre prezaram mais pela neutralidade em termos militares. Observando vantagens estratégicas e com apoio da população, a primeira-ministra da Finlândia Sanna Marin declarou que uma decisão será tomada nas próximas semanas durante uma visita à Suécia. 
    Líderes dos dois Estados sabem que uma entrada na OTAN envolve “muitos riscos” e por isso analisam cautelosamente esse passo, revisando políticas de segurança que levarão tempo para serem ratificadas. Se por um lado o secretário-geral da OTAN deixa claro que as portas sempre estão abertas para suecos e finlandeses, a Rússia reitera que decisões e consequências indesejadas serão tomadas caso isso se concretize, defendendo que “naturalmente essas fronteiras terão que ser reforçadas”. 


Referências
BBC. ‘Covid zero’: China força moradores de Xangai a se mudar para abrir centros de quarentena em suas casas. G1. Disponível em: <https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/04/15/covid-zero-china-forca-moradores-d e-xangai-a-se-mudar-para-abrir-centros-de-quarentena-em-suas-casas.ghtml>. 
DUCHIADE, A. Finlândia e Suécia indicam planos para se unir à Otan, em mudança histórica de posição. O Globo. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/mundo/finlandia-suecia-indicam-planos-para-se-unir-otan- em-mudanca-historica-de-posicao-25474109>.
FONSECA-SOURANDER, L. Por que União Europeia e Otan temem vitória de Marine Le Pen na França. G1. Disponível em: <https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/04/11/por-que-uniao-europeia-e-otan-teme m-vitoria-de-marine-le-pen-na-franca.ghtml>.
G1. Eleição na França reedita 2o turno de 2017; veja as propostas de Macron e Le Pen. G1. Disponível em: <https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/04/10/eleicao-na-franca-reedita-2o-turno-d e-2017-veja-as-propostas-de-macron-e-le-pen.ghtml>.
G1. Rússia diz que Finlândia e Suécia enfrentarão represálias caso entrem na Otan. G1. Disponível em: <https://g1.globo.com/noticia/2022/04/14/russia-diz-que-finlandia-e-suecia-enfrentara o-represalias-caso-entrem-na-otan.ghtml>.
O GLOBO E AGÊNCIAS INTERNACIONAIS. Atentado em Nova York: Cinco pessoas vão dividir recompensa de US$ 50 mil por prisão de Frank James. O Globo. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/mundo/atentado-em-nova-york-cinco-pessoas-vao-dividir-r ecompensa-de-us-50-mil-por-prisao-de-frank-james-25476922>. 
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terça-feira, 12 de abril de 2022

O Eurocentrismo e a colonialidade do ser, do poder e do saber: as opressões estruturais e os desafios para descolonização do campo de estudos da Relações Internacionais.

Abdias Nascimento, Okê Oxossi (Buffalo, 1970). Acrílico sobre tela, 61 x 91 cm.

Por Luiza Montanheri1 e Ian Tarik dos Santos2

    Sem dúvida, as relações internacionais foram edificadas nas costas de escravizados — possuindo como fio condutor os povos africanos e indígenas —, produto das grandes navegações entre os séculos XV e XVI, originando o capitalismo histórico tal qual o conhecemos atualmente (informação verbal)3.  A partir deste fato, as hegemonias patriarcais que se edificaram sobre negros e indígenas são as mesmas que representam os brancos, isto é, não fosse o colonialismo imperial fomentar uma superioridade racial da branquidade, o sistema vigente no qual existimos não teria se moldado da forma como o conhecemos — foi puramente pelo viés racial como premissa, o ódio como instrumento e a violência como ferramenta que o bem “mundo modernizado e modernizante” se deu. Nas palavras de Quijano (2000, p. 192)4: 

"A ideia de raça é, com toda certeza, o mais eficaz instrumento de dominação social inventado nos últimos 500 anos. Produzida no mero começo da formação da América e do capitalismo, no trânsito do século XV ao XVI, nos séculos seguintes foi imposta sobre toda a população do planeta como parte da dominação colonial de Europa. [...] Desse modo, raça, uma maneira e um resultado da dominação colonial moderna, permeou todos os âmbitos do poder mundial capitalista. [...] a colonialidade tornou-se a pedra fundamental do padrão de poder mundial capitalista, colonial/moderno e eurocentrado. Tal colonialidade do poder revelou-se mais profunda e duradoura que o próprio colonialismo no qual se engendrou e que ajudou a ser mundialmente imposto."

    À vista disso, uma grande parcela de negros ainda se vê pela ótica europeizada de mundo não por esta não ser a realidade em que vivemos — instalada por e para brancos —, mas porque não foram permitidos ou mesmo fora retirada/negada a possibilidade de se enxergarem com os próprios olhos. Ou seja, “[...] o negro pertence ao mundo que não lhe permite a consciência de si verdadeira, mas apenas lhe permite ver-se a si mesmo através da revelação do outro mundo. Esse fenômeno é denominado [...] de dupla consciência.” (DU BOIS, 2011 apud ALENCAR, 2019, p. 183). Assim, a antítese ao poder hegemônico, representado pela Europa e igualmente pelos Estados Unidos da América (EUA), se encontra na possibilidade de assistir pelo lado de cá como a decolonialidade dos seres e saberes ressignifica a forma de se encarar o conceito de poder envolto por violência (ÔRÍ, 1989). E para além, precisamos ponderar que a colonização dos diversos povos de África e América está paralelamente ligada à cultura — já que a identidade de um povo se apresenta mediante aos costumes, tradições, língua, religiosidade, entre outros aspectos — que, igualmente permeada pela coerção física e encoberta pelos conceitos de assimilação cultural5 e aculturação6  — este último podendo ser encarado como um processo inexistente —, transpassaram a imagem desse outro sob a visão de quem os delimitam como condenados a desaparecerem (informação verbal)7 não somente expressos no racismo contra negros, mas de natureza semelhante para com indígenas durante o contato e contemporaneamente. 

"Na história do Brasil, os povos indígenas foram os primeiros a serem escravizados – a força de trabalho empregada na montagem dos engenhos de açúcar no Brasil, por exemplo, foi predominantemente nativa – antes da escravização dos africanos capturados e deportados de seu continente original que começaram a ser traficados em meados do século XVI (Cf. MARQUESE, 2005). Se os Ameríndios foram os primeiros a serem escravizados, os trabalhos que mostram as consequências (e a continuação) dessa escravidão ainda recebem pouca atenção; mas, como diz Kabengele Munanga, muitas das dificuldades que os indígenas encontram hoje estão diretamente relacionadas com a escravidão do passado. Isto é, a escravidão não ficou no passado: como nunca foi coibida, foi negada, e até hoje a escravidão indígena nas fronteiras agrícolas é uma prática constante [...]." (MILANEZ et al., 2019, p. 2166). 

    Da mesma forma, concomitante à raça e a cultura, o gênero salienta um debate tocante aos indivíduos beneficiários deste poder, já que há a blindagem de imagens dicotômicas que, de um lado, expressa a virilidade e dominância do homem — exemplificados em Doty (1996) com o “American exceptionalism” e a “American manhood”, dois mecanismos da potestade imperial revestidos de ação humanitária, numa alusão à masculinidade do homem —, ao passo que, do outro, simboliza a mulher como frágil e submissa. Porém, acima de qualquer impacto que causam as relações de gênero e a discriminação pela orientação sexual, somos constantemente moldados pelas relações raciais, bem como expresso em Gonzalez (2011, p. 13): 

"[...] para a discussão da discriminação pela orientação sexual, não aconteceu o mesmo com outros tipos de discriminação, tão grave como a sofrida pela mulher: a de caráter racial. [...] Exatamente porque tanto o racismo como o feminismo partem das diferenças biológicas para estabelecerem-se como ideologias de dominação. Cabe, então, a pergunta: como se explica este “esquecimento” por parte do feminismo? A resposta, na nossa opinião, está no que alguns cientistas sociais caracterizam como racismo por omissão e cujas raízes, dizemos nós, se encontram em uma visão de mundo eurocêntrica e neo-colonialista da realidade."

    Em suma, não é possível fomentar um combate senão por iniciá-lo pelo óbvio que constitui o elemento básico da luta comum de homens e mulheres — correlacionado a “[...] um quadro de tripla consciência, no qual as dimensões da raça e gênero se interseccionam dentro da trajetória de indivíduos que interagem com o mundo ao seu redor.” (ALENCAR, 2019, p. 183) —, viabilizando que “a conscientização da opressão ocorre, antes de qualquer coisa, pelo racial.” (GONZALEZ, 2011, p. 18). 
    Uma vez dado os aspectos impostos pelo eurocentrismo, apoiado no racismo como arma ideológica — posto que inexistia a possibilidade de extermínio dos povos marginalizados —, molda-se a ciência racialista8 na Europa e, no Brasil, “a ideologia do branqueamento” (GONZALEZ, 2011, p. 15). Neste caso, o Primeiro Congresso Universal das Raças realizado na cidade de Londres, em 1911, após a Conferência de Haia, de 1907, tinha em um primeiro momento a premissa “[...] de um esforço internacional em prol da pacificação das diversas nações do mundo” (SOUZA; SANTOS, 2012, p. 747), todavia, “na prática, o que estava em questão eram os conflitos raciais em diversas partes do mundo e a própria sobrevivência do sistema colonialista” (ibid., p. 747). Em arremate, o Direito entra como um instrumento articulador, elaborado a fim de se perpetuar como mecanismo de comando em um formato colonial jurídico, onde se reflete simbolicamente no quadro de Modesto Brocos y Gómes (1895) — A Redenção de Cam — e institucionalmente dentro do Estado brasileiro, porquanto 

"O sistema jurídico reproduzido no Brasil não só estava intimamente ligado ao empreendimento colonial e às categorias de pensamento que decorriam dele, como desempenhou um papel central na sua consolidação. [...] o sujeito de direito é a afirmação de uma pretendida uniformidade, forjada pela exclusão material, subjetiva e epistêmica dos povos subalternizados. A régua de proteção que determina o padrão a partir da qual bens como a liberdade passam a ser pensados deriva da afirmação da supremacia branca, masculina, cisheteronormativa, classista, cristã e inacessível a todos os corpos, bem como do resultado dos processos de assimilação e aculturação violentos empreendidos pelo colonialismo. (PIRES, 2019, p. 71)."

A Redenção de Cam, 1895. Modesto Brocos y Gómes. Óleo sobre tela, c.i.d. 166,00 cm x 199,00 cm. 

    Outrossim, interligado aos fatos, MacMillan (2004) pontua que a Liga das Nações, criada em 1919, em seu Art. 22, possuía o logro de “missão sagrada de civilização” — percebe-se ali, o constante desdenhamento de povos negros, frisando constantemente a suposta incapacidade destes em se autogovernarem, numa veemente afirmação de que não possuíam qualquer tipo de autodeterminação política no sentido europeu —, ou seja, as potências hegemônicas do Norte, baseadas no racismo e expansionismo da Europa e EUA, no início do século XX, fizeram com que a Liga oferecesse todas as condições necessárias para que seus membros prevalecessem em detrimento de povos africanos. Logo, a ideia de proibição sobre a venda de armamentos para tais foi um dos quesitos essenciais para a garantia da superioridade branca, além da Conferência de Berlim tal-qualmente ter sido um marco na história do Velho Continente, dado que a partilha de África era o elemento central para a instalação europeia e palco primordial para a marginalização, expropriação, exploração, epistemicídio, saqueamento e roubo de recursos naturais e históricos, entre outros processos mais que validaram o controle civilizatório. 
    Portanto, partimos então para uma visão elaborada que surge a partir da ótica da decolonialidade e descolonialidade não só do poder, mas dos seres e saberes que emergem em diversas partes do mundo, fazendo da América Latina o seu epicentro. Em primeiro lugar, devemos rememorar que no Brasil houve inúmeras tentativas e êxito em apagar a história dos povos africanos — exposto anteriormente com o Direito sendo o elemento jurídico essencial para a fundamentação das ideologias de branqueamento pautadas no punitivismo cristão juntamente com a falta de memória acerca da nossa própria história — tal como ainda possuímos em relação à escravidão e à Ditadura Militar de 1964 (informação verbal)9. Desse modo, o Teatro Experimental do Negro (TEN) que atuou entre 1946-1961, desenvolvido por Abdias do Nascimento, surgido pela necessidade de retratar e trazer o povo preto como protagonistas sem o estereótipo de papéis subalternos racistas, questionou a hierarquia de poder branco através da arte, sempre vinculados a uma inclinação política para além dos palcos como ação decolonial que percebia o negro na qualidade de sujeito pensante e potente, não apenas com a finalidade de evidenciar discussões de cunho racial para o domínio da branquidade, mas solidificar a estrutura do legado cultural e humano do africano no Brasil (NASCIMENTO, 1978) como forma de resgate sócio-historico para a construção de uma memória viva, indo contra qualquer sintoma retroutopico10. Bem como, o Haitianismo é utilizado como ferramenta de contra-ataque à burguesia brasileira, em que é visto como confronto para a branquitude reforçante de políticas públicas que afetam tanto a imigração de pessoas pretas, do contexto externo, quanto no âmbito doméstico — onde criaram uma nova ótica ao universalizar a padronização da imagem do imigrante ao fazer voltar a força policial apenas para um grupo social determinado. Desse modo, entende-se que 

"[O] Brasil tem uma dívida histórica com todos os povos da diáspora africana: primeiro pela migração forçada por meio do tráfico atlântico; segundo pela submissão ao regime escravista, e depois pelos entraves à imigração voluntária após o fim do infame comércio de pessoas. (SILVA, 2021, p. 19)."

    Logo, devemos analisar que toda essa conjuntura pesa, diretamente, tanto dentro das relações internacionais enquanto disciplina como em todo o mundo que se externaliza. Percebe-se aqui que com as ideologias eurocentradas e a implementação de atos que perpetuam a associação de negros à locais de subalternização — sendo o Estado o principal fundamentador de estrategias de braqueamento por via de políticas públicas — para um suposto melhoramento na imagem brasileira dentro das relações internacionais atrelada à Lei Áurea, de 1988, tambem reconhecia povos imigrantes de África como non grata11, decorrente diretamente da cultura — por possuir um viés ideológico que, consequentemente, abre portas para o genocídio negro, atrelou-se a falta de comprometimento para com estes após a abolição da escravatura — com a articulação de políticas nacionais de imigração para comunidades brancas do continente europeu, pois “[...] o governo brasileiro passou a engajar-se no agenciamento, mediante propagandas e promessas de terra, e no fomento à imigração de trabalhadores europeus para as zonas que pretensamente careciam de mão-de-obra.” (MORAES, 2014 apud SILVA, 2021, p. 12). Ainda, as politicas migratórias historicamente conseguiram/conseguem “[mostrar] como o Direito e as Instituições brasileiras estiveram a serviço da racialização do sujeito e do genocídio do povo negro. Expressa, assim, forte colonialidade do poder.” (SILVA, 2021, p. 24). Por isso, as produções pós-coloniais que abordam as decolonialidades, descolonialidades e, principalmente, propostas de letramento racial não somente pelo meio acadêmico de produção intelectual, pode-se interpretar também como método científico de produção epistemológica — destinada ao livre acesso do negro acerca da construção de um olhar sobre si enquanto sujeito, e sobre o coletivo enquanto comunidade — na busca por igualdade civil, social e política. Em paralelo, a religiosidade de matriz africana e a incorporação da utilização simbólica dos orixás dentro do âmbito político tal qual se utilizava Abdias do Nascimento em seus discursos sobre a libertação do povo negro brasileiro, contrasta com a religiosidade euro-cristã que se faz presente desde os primórdios da edificação das Relações Internacionais. Afinal, a incorporação ancestral das entidades presentes nas religiões afro-brasileiras se apresenta numa demonstração da existência do "eu" que se aloca no presente, identificando o mais alto nível de desalienação daqueles que ainda sofrem com o extermínio de sua existência. 

Notas de rodapé
1 Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) (montanheriluiza@gmail.com) 
2 Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) (iantarik18@gmail.com) 
3Informação verbal fornecida pela professora Karine de Souza Silva à disciplina de Organizações Internacionais, ofertada ao curso de Relações Internacionais, UFSC, em fev. 2021.
4 “La idea de raza es, con toda seguridad, el más eficaz instrumento de dominación social inventado en los últimos 500 años. Producida en el mero comienzo de la formación de América y del capitalismo, en el tránsito del siglo XV al XVI, en las centurias siguientes fue impuesta sobre toda la población del planeta como parte de la dominación colonial de Europa [...] De ese modo, raza, una manera y un resultado de la dominación colonial moderna, pervadió todos los ámbitos del poder mundial capitalista. En otros términos, la colonialidad se constituyó en la piedra fundacional del patrón de poder mundial capitalista, colonial/moderno y eurocentrado. Tal colonialidad del poder ha probado ser más profunda y duradera que el colonialismo en cuyo seno fue engendrado y al que ayudó a ser mundialmente impuesto.” 
5 Processo de absorção entre grupos ou indivíduos em que ambos, em constante contato, assimilam/adquirem características culturais uns dos outros.
6 Processo pelo qual há o apagamento de uma cultura em detrimento de outra, na qual uma delas se considera “mais dominante; forte; superior”.
7Informação verbal fornecida pela professora Edviges Marta Ioris à disciplina de Relações Interétnicas, ofertada ao curso de Ciências Sociais, UFSC, em jul. 2021. 
8 Concepção de que a espécie humana se divide naturalmente em raças que correspondem a categorias biológicas distintas. 
9Informação verbal fornecida pela professora Clarissa Franzoi Dri à disciplina de Política Externa Brasileira, ofertada ao curso de Relações Internacionais, UFSC, em dez. 2021.
10 Saudosismo com o passado; ode a um passado que não existe. 
11 "[...] expressão aplicada a um diplomata ou representante estrangeiro que não é aceito pelo governo do Estado acreditador e que, por conta disso, não recebe o agrément (consentimento)." (BENZAQUEN, c2022). 

Referências
ACERVO, Cultne. CULTNE CINEMA – Exu Rei Abdias do Nascimento. YouTube, 2019. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=tIIqqtve-cI&feature=youtu.be. Acesso em: fev. 2022. 
ADICHIE, C. N. O perigo de uma única história. In: TEDGlobal. TED Ideas worth spreading, jul. 2009. 18 min. Disponível em: https://www.ted.com/talks/chimamanda_ngozi_adichie_the_danger_of_a_single_story?language =pt-br#t-14668. Acesso em: fev. 2022. 
ALENCAR. A. E. V. Cidadão Invisível e o direito à cidade negada. In: RAPOSO, Paulo; RENCK, Allende; HEAD Scott (org.). Cidades rebeldes: invisibilidades, silenciamentos, resistências e potências. Florianópolis: Editora da UFSC, 2019. p. 183-193. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/. Acesso em: fev. 2022. 
DOTY, R. L. Imperial Encounters: The Politics of Representation in North-South Relations. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1996. 232 p. 
FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Tradução de Renato da Silveira. 1.ed. Salvador: EDUFBA, 2008. 191 p. (título original: Peau noire, masques blancs). 
GONZALEZ, L. Por um feminismo Afro-latino-Americano. Caderno de formação política do Círculo Palmarino. [S.l], n. 1, 2011, p. 12-20. 
MACMILLAN, M. Os Mandatos. In:______. (org.). Paz em Paris, 1919. Tradução de Joubert de Oliveira Brízida. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2004, p. 115-124. 
MILANEZ, F. et al. Existência e Diferença: O Racismo Contra os Povos Indígenas. Revista Direito e Práxis, Rio de Janeiro, v. 10, n. 3, jul. 2019, p. 2161-2181. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revistaceaju/index. Acesso em: fev. 2022. 
MUNANGA K. Pan-africanismo, negritude e teatro experimental do negro. ILHA Revista de Antropologia, Florianópolis, v. 18, n. 1, jun. 2016, p. 109-122. Disponível em: https://doi.org/10.5007/2175-8034.2016v18n1p109. Acesso em: fev. 2022. 
NASCIMENTO, Abdias do. Uma reação contra o embranquecimento: O Teatro Experimental do Negro. In:______. (org.). O Genocídio do Negro Brasileiro: Processo de um Racismo Mascarado. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978. p. 129-135. 
ÔRÍ. Direção: Raquel Gerber. Narração: Beatriz Nascimento. Brasil: Transvídeo, 1989. 91 min. 
PIRES. T. Direitos humanos e Améfrica Ladina: Por uma crítica amefricana ao colonialismo jurídico. LASA Fórum, [S.l.], v. 50, n. 3, jul. 2019, p. 69-74. Disponível em: https://forum.lasaweb.org/past-issues/vol50-issue3.php. Acesso em: fev. 2022. 
QUIJANO, A. ¡Qué tal Raza!. Revista del CESLA, [S.l.], n. 1, nov. 2000, p. 192-200. Disponível em: https://www.revistadelcesla.com/index.php/revistadelcesla/article/view/379. Acesso em: fev. 2022. 
SILVA, K. S. BORBA DE SÁ, M. Do Haitianismo à nova Lei de Migração: Direito, Raça e Política Migratória Brasileira em perspectiva histórica. Revista nuestrAmérica, v. 9, n. 17, 2021 . Disponível em: https://doi.org/10.5281/zenodo.5650701 
SOUZA, Vanderlei S. de.; SANTOS, Ricardo V. O Congresso Universal de Raças, Londres, 1911: contextos, temas e debates. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, Belém, v. 7, n. 3, p. 745-760, set./dez. 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/bgoeldi/a/LpSkSW9hyH6jXDXDdYn7k9w/?lang=pt&format= pdf. Acesso em: fev. 2022. 




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segunda-feira, 11 de abril de 2022

Volta ao Mundo em 7 Dias - Notícias de 04/04 a 10/04

Por Pedro Oliveira

  • China
    China rebate críticas dos Estados Unidos sobre o confinamento contra a covid em Xangai - A potência asiática definiu, no último domingo (10) de "acusações não embasadas" as críticas dos Estados Unidos às suas medidas preventivas à covid-19, depois que, devido ao novo lockdown imposto em Xangai, Washington optou por retirar sua equipe da cidade.
    Pequim coloca fé na política de "covid zero", que está em ação devido a um surto de covid em Xangai, que causou cerca de 100.000 casos e levou as autoridades a decretarem um confinamento para seus 25 milhões de habitantes, que reclamam a falta de comida.
    Em tradução livre, Pequim expressou "seu descontentamento e sua firme oposição às acusações infundadas de parte dos Estados Unidos sobre a política chinesa de controle da epidemia", segundo o ministério das Relações Exteriores. 

  • Estados Unidos da América
    Ativistas humanitários criticam os EUA por maus-tratos a crianças imigrantes mantidas sob custódia - Um grupo humanitário apresentou uma denúncia ao Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) por maus-tratos de crianças migrantes sob custódia da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) na fronteira com o México, segundo um comunicado publicado nesta quinta-feira (7). 
    A Americans for Immigrant Justice (AI Justice) afirma que, em 2021, 70% das crianças com quem conversou disseram ter sofrido abuso enquanto estavam sob custódia do CBP. Elas se queixaram de detenção excessiva, abuso verbal e físico, privação de atendimento médico, falta de comida e água, baixas temperaturas sem acesso a cobertores e separação de suas famílias, afirma a nota. 
    "Estamos vendo abusos sistêmicos na custódia do CBP, independentemente de quem está no comando no nível federal", diz a organização, referindo-se a um relatório arquivado há mais de um ano, no qual milhares de crianças denunciaram abusos ocorridos em 2019, durante o governo do presidente Donald Trump. 
    O governo do presidente Joe Biden anunciou que em maio levantará as restrições à imigração impostas no início da pandemia. Com isso, se espera um aumento na chegada de migrantes à fronteira com o México, a organização considera vital que o CBP priorize condições de saúde e segurança para os jovens migrantes. 

  • México
    No México, desperdiçar água agora pode terminar em prisão - A multa é pesada, e pode chegar até 3,9 mil pesos (cerca de R$ 907) – e, em alguns casos, a punição pode levar a 24 horas na prisão. A decisão ocorre por conta de uma tradição mexicana para o Sábado de Aleluia, que antecede a Páscoa. Por lá, é comum que as pessoas arremessem água entre si em festas nas ruas.
    Apesar de ser um dia de luto para muitos cristãos, ele está associado no país à água, o que representa para os mexicanos vida e purificação. Em um comunicado oficial, a prefeitura da capital disse que realiza uma série de ações para evitar o desperdício de água durante a Semana Santa. 

  • Rússia
    Rússia é suspensa de Conselho de Direitos Humanos da ONU - A Assembleia Geral das Nações Unidas suspendeu nesta quinta-feira (7) a Rússia do Conselho de Direitos Humanos da ONU. O motivo da suspensão são os relatos de "violações e abusos grosseiros e sistemáticos de direitos humanos" por tropas russas invasoras na Ucrânia. 
    Os Estados Unidos anunciaram que pediriam a suspensão da Rússia depois que a Ucrânia acusou tropas russas de matar centenas de civis na cidade de Bucha. A resolução adotada pela Assembleia Geral de 193 membros expressa "grave preocupação com a atual crise humanitária e de direitos humanos na Ucrânia", particularmente com os relatos de abusos de direitos pela Rússia.
    A Rússia nega atacar civis na Ucrânia. O embaixador na ONU, Vassily Nebenzia, disse na terça-feira que, enquanto Bucha estava sob controle russo, "nenhum civil sofreu qualquer tipo de violência". 

Referências
China slams US virus 'accusations' as Shanghai lockdown drags on – France24. Disponível em: https://www.france24.com/en/live-news/20220410-china-slams-us-virus-accusat ions-as-shanghai-lockdown-drags-on.
Denuncian maltrato a niñez migrante en custodia de EE. – DW. Disponível em: https://www.dw.com/es/denuncian-maltrato-a-ni%C3%B1ez-migrante-en-custod ia-de-ee-uu/a-61402951.
Companies are draining Mexico’s water supply amid drought: Activists – Latin America Reports. Disponível em: https://latinamericareports.com/companies-are-draining-mexicos-water-supply-a mid-drought-activists/6397/.
UN votes to remove Russia from Human Rights Council – CNBC. Disponível em: https://www.cnbc.com/2022/04/07/un-votes-to-remove-russia-from-human-rights -council.html.


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segunda-feira, 4 de abril de 2022

Volta ao Mundo em 7 Dias - Notícias de 28/03 a 03/04

Por Fernando Yazbek

  • Ucrânia
    Nesta segunda-feira (04), o conflito no leste europeu completa quarenta dias na data em que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky visitou a cidade de Bucha. Acusando Moscou de genocídio, Zelensky saiu de Kiev para averiguar a situação na cidade a oeste da capital, em que se espalham vídeos de civis mortos pelas ruas. Joe Biden, presidente estadunidense, se juntou ao seu homônimo ucraniano nas acusações a Rússia de Vladmir Putin. O democrata defendeu a exclusão da federação russa do Conselho de Direitos Humanos da ONU e voltou a chamar Putin de criminoso de guerra. 
    Kiev formalizou que o incidente em Bucha é um entrave para os avanços nas negociações de paz com o vizinho beligerante. Já a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, negou o massacre de civis e sugeriu que as imagens foram manipuladas e plantadas pelos EUA e pela OTAN. Para Zakharova – que ironicamente é tida como uma bucha de canhão de Putin – o ocidente encomendou o ocorrido com uma narrativa já pronta. 
    Enquanto isto, a cidade portuária de Mariupol continua cercada por tropas russas. Antes com 400 mil habitantes, estima-se que os remanescentes na metrópole em ruínas estão sendo regularmente privados de abastecimento energia e água. As negociações entre Rússia e Ucrânia de se criar um corredor humanitário para evacuação de civis de Mariupol esfriaram abruptamente – mesmo nunca estando de fato aquecidas – após o noticiário de Bucha. 

  • Sanções
    Desde o estopim da guerra, a Rússia vem sofrendo diversas sanções econômicas e políticas no cenário internacional. A Alemanha – ora acusada de leniência na não adoção de punições mais severas a Moscou – passou a assumir a filial da Gazprom, gigante energética russa, em seu território. Berlim é absolutamente dependente do gás vindo do leste e está “tomando decisões necessárias para garantir o abastecimento e não ficar exposta a arbitrariedades do Kremlin”, disse Robert Habeck, ministro das finanças alemão. 

  • Húngria
    O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, foi reeleito para seu quarto mandato consecutivo. Com mais de 71% dos votos, o eurocético conservador conquistou 134 das 199 cadeiras do parlamento. A chapa de oposição, encabeçada por Peter Marki-Zay, não obteve maioria nem mesmo no distrito onde Peter foi prefeito. 

  • Sérvia
    Aleksandar Vucic, presidente sérvio, foi reeleito neste domingo (3) com quase 60% dos votos. Aliado de Putin, Vucic terá de correr atrás de apoio no parlamento, uma vez que seu partido não conseguiu cadeiras suficientes para governar sem coalizão. Diferentemente de Orbán, a Sérvia pleiteia a entrada na União Europeia, mas defende a neutralidade militar em relação a OTAN pelos laços étnicos e históricos com a Rússia. 

  • San Marino
    Na contramão de Hungria e Sérvia, San Marino elegeu o primeiro chefe de estado abertamente homossexual do mundo. Paolo Rondelli assume o pequeno território de 34 mil habitantes no meio da Itália pelos próximos seis meses. 

  • Iêmen
    A guerra no Iêmen, que apesar de não receber uma décima parte que a cobertura midiática internacional dá a Ucrânia, leva atualmente à maior crise humanitária do mundo. Um alívio foi que, a partir do sábado (02), se chegou a um acordo de cessar-fogo de dois meses, o maior desde o começo do conflito em 2014. 
    Rebeldes houthis – apoiados pelo Irã – concordaram em suspender suas operações militares tanto em território iemenita quanto saudita, onde recentemente destruíram instalações petroleiras. 

  • Argentina
    Um respiro na perene crise econômica argentina: a taxa de pobreza na Argentina segue caindo. O governo do peronista Alberto Fernández não consegue, no entanto, controlar a inflação que, em 2021, chegou a bater inacreditáveis 50,9% ao ano. 
    O cenário só não é pior porque o PIB argentino rompeu com 3 anos de queda com um substancial aumento de mais de 10%, acompanhado da criação de quase dois milhões de novos postos de trabalho. A pobreza, embora diminuindo significativamente, ainda afeta 37% da população. 

  • Portugal
    Portugal enfrenta problemas semelhantes aos argentinos. Embora a pobreza não seja preocupação, a inflação tem subido para mais de 5%. A taxa é a maior desde 1994 e é pressionada pela alta dos combustíveis e alimentos, consequência da guerra na Ucrânia, que chegam a 19%. 

  • Equador
    O país andino enfrenta uma crise carcerária desde 2021, na qual mais de 300 presos já morreram em confrontos de facções criminosas. A cidade de Cuenca, no sul equatoriano, foi palco de um massacre no presídio de El Turi. Corpos foram encontrados mutilados, enforcados, envenenados e executados. Ao menos 20 mortos foram identificados e mais de 1000 soldados das forças de segurança foram mobilizados para conter o motim. 

Referências
ALEMANHA assume temporariamente o controle da filial alemã da empresa russa Gazprom, diz ministro. AFP. 4 abr. 2020. Disponível em <https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/04/04/alemanha-assume-tempora riamente-o-controle-da-filial-alema-da-empresa-russa-gazprom-diz-ministro.ght ml>
CONFRONTOS em presídio no Equador deixam ao menos 20 mortos. Folha de S. Paulo. 4 abr. 2022. Disponível em <https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/04/confrontos-em-presidio-no-equ ador-deixam-ao-menos-20-mortos.shtml>
GUERRA na Ucrânia: Zelensky visita Bucha após massacre e acusa Rússia de genocídio; Ucrânia diz ter encontrado mais de 400 corpos de civis na região. G1, Mundo. 4 abr. 2022. Disponível em <<https://g1.globo.com/mundo/ao-vivo/guerra-ucrania-russia-putin-invasao.ght ml>>
MIRANDA, Giuliana. Inflação em Portugal sobe em março e já é a mais alta desde 1994. Folha de S. Paulo. 31 mar. 2022. Disponível em << https://www1.folha.uol.com.br/blogs/ora-pois/2022/03/inflacao-em-portugal-sob e-em-marco-e-ja-e-a-mais-alta-desde-1994.shtml>>
PARTES em conflito no Iêmen concordam com cessar-fogo de 2 meses. Gazeta do Povo. 2 abr. 2022. Disponível em <https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/breves/partes-em-conflito-no-iemen- concordam-com-cessar-fogo-de-2-meses/>
POBREZA cai na Argentina, mas inflação alta impacta custo de vida. Gazeta do Povo. 31 mar. 2022. Disponível em << https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/pobreza-cai-na-argentina-mas-ainda- enfrenta-inflacao/>>
PRESIDENTE da Sérvia declara vitória em eleição e é parabenizado por Putin. Folha de S. Paulo. 3 abr. 2022. Disponível em <https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/04/presidente-da-servia-aliado-da- russia-deve-se-reeleger-mostram-projecoes.shtml>
SAN Marino elege primeiro chefe de Estado abertamente gay do mundo. Folha de S. Paulo. 4 abr. 2022. Disponível em <https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/04/san-marino-elege-primeiro-chef e-de-estado-abertamente-gay-do-mundo.shtml>
VIKTOR Orbán é reeleito primeiro-ministro da Hungria. Gazeta do Povo. 3 abr. 2022. Disponível em <<https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/breves/viktor-orban-reeleito-primeir o-ministro-hungria>> 


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terça-feira, 29 de março de 2022

Volta ao Mundo em 7 Dias - Notícias de 21/03 a 27/03

Por Alécia Alves

  • El Salvador
    Na manhã de domingo (27) foi decretado Estado de Exceção em El Salvador. A medida foi tomada após o sábado mais sangrento da história do país, em que 62 pessoas foram assassinadas. No domingo a onda de violência continuou totalizando 80 assassinatos. Segundo o governo, as vítimas da chacina perpetuada pelo próprio Estado estavam associadas a gangues locais, a MS-13 e Barrio 18, e especialistas temem que haja retaliação.
    A situação de violência em Salvador em decorrência de conflitos contra gangues não é novidade, porém, uma melhora nos números de casos e de assassinatos haviam diminuído consideravelmente durante o governo do atual presidente, Nayib Bukele. Acredita-se, no entanto, que esse resultado só foi possível devido a negociações diretas ocultadas do governo com esses grupos, mas Bukele nega que tenha havido qualquer diálogo entre eles. 
    O Estado de Exceção preocupa grupos de Direitos Humanos por suspender certas liberdades civis como o direito de associação, o direito de aconselhamento jurídico, além de estender o período de detenção sem acusação de 72 horas para 15 dias, a medida também foi considerada inconstitucional por não atender os critérios necessários para a implementação do Estado de Exceção, o que levanta mais uma vez o questionamento a respeito do autoritarismo do governo salvadorenho. 

  • Ucrânia
    A guerra na Ucrânia já deixou, pelo menos, 23 mil mortos, pouco menos de 2 mil feridos e aproximadamente 10 mil desalojados, segundo estimativas recentes da agência internacional britânica de notícias, Reuters. Mariupol é uma das cidades estratégicas para os russos criar pontes entre a Criméia, anexada por Moscou em 2014, e enclaves separatistas no leste da Ucrânia. Nesta invasão, quase 5 mil pessoas foram mortas, dentre adultos e crianças, desde o início da guerra, conforme divulgado pela prefeitura da cidade.
    Não é evidente como o prefeito chegou nessa estimativa, mas os dados expostos pelo gabinete apontam que cerca de 40% das construções como escolas, creches e hospitais foram totalmente destruídos, e 90% danificados. Além disso, estima-se que 170 mil pessoas ainda estejam em Mariupol, porém, a pesquisa não foi verificada tão rapidamente pela Reuters britânica.
    Interligado aos fatos recentes, algo que chamou atenção nesta segunda-feira foram os corpos de civis torturados e marcados com suásticas e símbolos neonazistas encontrados em porões da cidade, locais utilizados por forças nacionalistas ucranianas. A crescente onda desenfreada de movimentos e milícias neonazistas na Ucrânia está sendo muito utilizada como estratégia estadunidense para ameaçar e isolar a Rússia economicamente, construindo também políticas excludentes. Ainda, para além de sofrer com o contexto externo, civis sofrem ao mesmo tempo com o contexto interno. 
    O Batalhão de Azov, conhecido por ser um grupo miliciano de extrema direita, atacou civis que tentavam sacar dinheiro em caixas eletrônicos ou buscar por ajuda humanitária, utilizando-se também de morteiros instalados em veículos, o que deixou pelo menos 10 pessoas mortas, além de jogarem granadas em porões cheio de mulheres e crianças. Acredita-se também que membros da equipe de negociação ucraniana pela paz tenham sofrido tentativa de assassinato por parte do Kremilin. Roman Abramovich e outros negociadores, incluindo o Rustem Umerov, legislador da Crimeia, tiveram sintomas de envenenamento no início do mês após participarem de uma reunião em Kiev, a informação, no entanto, só foi revelada nesta segunda-feira (28). 

  • Itália
    Um encontro histórico entre líderes de uma delegação indígena canadense representante dos Metis de Ontário e o Papa Francisco, ocorreu nesta segunda-feira (28) em Roma. No encontro, os líderes falaram em crimes contra humanidade cometidos pela igreja católica, e também exigem há décadas que haja um pedido de desculpas formal por parte da Igreja Católica e do Papa. Mitch Case, membro do conselho provisório dos Metis, afirmou: “A Igreja tem um longo caminho a percorrer antes que possamos perdoá-los pelo que fizeram , mas se ele [Papa Francisco] estiver disposto a caminhar conosco, estaremos dispostos a caminhar com ele”. 
    Os crimes contra humanidade a que se refere Metis diz respeito especialmente ao fato de que a igreja católica foi responsável pela administração de mais de 60% das chamadas “Residential Schools”, internatos católicos para crianças indígenas que permaneceram em funcionamento entre 1800 e 1996 e nas quais foram encontradas centenas de tumbas sem nenhum tipo de identificação. Aproximadamente 150 mil crianças indígenas foram sequestradas de suas casas para passarem por uma assimilação cultural e religiosa forçada, além de sofrerem abuso verbal, físico, sexual, espiritual e emocional. 
    Os líderes acreditam que a igreja precisa ser responsabilizada por estes crimes. Uma comissão federal de inquérito, a Comissão da Verdade e Reconciliação, também solicitou ao Papa em 2015 que fosse emitido um pedido de desculpas aos sobreviventes destas escolas, seus familiares e as comunidades de crianças indígenas que frequentavam instituições administradas pelos católicos. No entanto, nenhum pedido de desculpas foi feito. 

Referências
ABRAMOVICH suffered symptoms of suspected poisoning: Reports. ALJAZEERA, 2022. Disponível em: https://www.aljazeera.com/news/2022/3/28/russias-abramovich-suffered-symptoms-of-suspe cted-poisoning-reports. Acesso em: 28 mar. 2022.
BROOKS, Darío. A obscura história da escola para crianças indígenas no Canadá onde foram encontradas 160 tumbas ocultas. BBC Brasil, 2021. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-58021143. Acesso em: 28 mar. 2022.
CORPOS de civis torturados e marcados com suásticas são encontrados em Mariupol, diz Defesa russa. Sputnik, 2022. Disponível em: https://br.sputniknews.com/20220328/corpos-de-civis-torturados-e-marcados-com-suasticas- sao-encontrados-em-mariupol-diz-defesa-russa-22013418.html. Acesso em: 28 mar. 2022.
EL SALVADOR aprova estado de exceção após registrar 62 homicídios em 1 dia. Folha de S.Paulo, 2022. Disponível em: https://www.google.com/amp/s/www1.folha.uol.com.br/amp/mundo/2022/03/el-salvador-apro va-estado-de-excecao-apos-registrar-62-homicidios-em-1-dia.shtml. Acesso em 28 mar. 2022.
ESTIMATIVA de perdas. Reuters, 2022. Disponível em: https://www.reuters.com/. Acesso em: 28 mar. 2022.
FERREYRA, Jaime P. Canadá vive comoção ao totalizar 1100 restos mortais localizados onde havia internatos de crianças indígenas. El País, 2021. Disponível em: https://www.google.com/amp/s/brasil.elpais.com/internacional/2021-07-01/comocao-no-cana da-apos-pais-chegar-a-1100-restos-mortais-localizados-onde-havia-um-internato-de-crianca s-indigenas.html%3foutputType=amp. Acesso em: 28 mar. 2022.
MORIN, Brandi. Delegados indígenas realizam primeiras conversas com o Papa Francisco em Roma. ALJAZEERA, 2022. Disponível em: https://translate.google.com/translate?sl=auto&tl=pt&hl=pt-BR&u=https://www.aljazeera.com /news/2022/3/28/indigenous-delegates-hold-first-talks-with-pope-francis-in-rome&client=web app. Acesso em: 28 mar. 2022.
QUASE 5 mil pessoas morreram em Mariupol desde o início da guerra, diz prefeitura. CNN Brasil, 2022. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/quase-5-mil-pessoas-morreram-em-mariupol-des de-o-inicio-da-guerra-diz-prefeitura/. Acesso em: 28. mar. 2022.
SIMON, Giovanna. Como os EUA utilizam do neonazismo na Ucrânia para isolar a Rússia. Brasil de Fato, 2022. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2021/05/13/como-os-eua-utilizam-do-neonazismo-na-ucrani a-para-isolar-a-russia. Acesso em: 28 mar. 2022.
SURGE in gang killings spurs fear, uncertainty in El Salvador. ALJAZEERA, 2022. Disponível em: https://www.aljazeera.com/news/2022/3/28/surge-in-gang-killings-spurs-fear-uncertainty-in-el -salvador. Acesso em: 28 mar. 2022.
 
 

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