terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Inscrições abertas - Vem ser blogueiro com a gente!

Estão abertas 5 vagas para alunos de Direito e 5 vagas para alunos de Relações Internacionais para compor a equipe de produção de conteúdo dos Blogs "Unicuritiba Fala Direito" e "Internacionalize-se". Os alunos selecionados ficarão responsáveis por produzir conteúdo para o Blog de uma das seguintes maneiras: entrevistando alunos egressos, entrevistando palestrantes que participam de eventos do UNICURITIBA, entrevistando alunos que participaram de eventos, intercâmbios e viagens institucionais, entrevistando professores sobre temas atuais relacionados aos cursos, coletando com professores e acadêmicos textos de opinião sobre temas atuais relacionados aos cursos, alimentando as Seções "Me indica um livro" e "Me indica um Filme" com indicações de livros e filmes que abordem temas relacionados aos cursos, entre outras atribuições.
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Processo Seletivo:

Inscrições: 
De 20 de fevereiro a 5 de março.

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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Em pauta: Roberto Alvim, Joseph Goebbels, Karl Popper e a intolerância ao intolerante







Por Amanda Delgado Gussão**



No último dia 16 de janeiro, circulou nas redes sociais da Secretaria Especial da Cultura um vídeo institucional para anunciar o Prêmio Nacional das Artes do governo de Jair Bolsonaro. Nele, o então secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, além de usar referências que remetem ao período liderado por Adolf Hitler, parafraseou uma citação do ministro de propaganda do regime nazista, Joseph Goebbels. O vídeo teve grande repercussão, inclusive internacional e, no dia seguinte (17), Roberto Alvim foi exonerado por Bolsonaro, que declarou em nota: “Um pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência".

No vídeo de cerca de 4 minutos e meio, a trilha sonora escolhida é obra de Richard Wagner, compositor alemão anti-semita, declarado por Hitler uma inspiração. A composição visual e o vocabulário utilizados por Roberto Alvim remetem àqueles dos discursos de Goebbels. O que realmente causou repúdio e levou à sua exoneração, no entanto, foi a infeliz frase: “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo. Ou então não será nada” (Roberto Alvim, ex-secretário oficial da Cultura). A frase imita parte de uma declaração de Goebbels (1933), feita à diretores de teatro alemães para especificar as diretrizes de como esse ramo artístico deveria ser naquela época: “A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”.

Paul Joseph Goebbels foi ministro de propaganda de Adolf Hitler durante o período de 1933 a 1945, sua função foi fundamental para garantir o apoio da população ao Führer dadas suas estratégias de “lavagem cerebral”. Através do controle de todos os meios de comunicação da época e de qualquer aparelho cultural e educativo, Goebbels tinha como objetivo fazer com que Hitler, o salvador nacional, fosse adorado, e que todo o antissemitismo e ódio declarado no regime nazista fosse disfarçado como amor à pátria e nacionalismo.

A exoneração de Roberto Alvim não apenas salienta a gravidade do seu discurso como também invoca questões de liberdade de expressão e tolerância. Deveria, o discurso do ex-secretário, ser tolerado em função de seu direito à liberdade de expressão? Seria a citação à Goebbels apenas uma má escolha de referência? A resposta é não. Simplesmente porque a sua fala traz toda a carga do período e do personagem que a pronunciou originalmente, sendo assim uma frase de citação preocupante que não pode ser aceita como liberdade de expressão. Junto com a frase utilizada por Alvim vem todo seu contexto histórico original o que desrespeita os grupos sociais afetados naquele período - especialmente, a comunidade judaica. Repetí-la livremente como que orgulhoso de sua fonte e não ter consequências, significa tolerar a carga negativa que ela representa e não se importar com seus desdobramentos no momento atual. Afinal, a principal preocupação é que o uso dos mesmos recursos um dia utilizados para o controle social nazista seja aceito como algo normal  e que pode se repetir.

A intolerância ao discurso do ex-secretário especial da Cultura, portanto, é necessária para que a tolerância e os tolerantes continuem existindo, como afirmou Karl Popper (1945): “Tolerância ilimitada leva necessariamente ao desaparecimento da tolerância. [...]  Nós deveríamos portanto reivindicar, no nome da tolerância, o direito de não tolerar os intolerantes.” Aceitar o discurso de Alvim, como o era aquele de Goebbels, é permitir que o que foi tolerado um dia, o volte a ser. Que as conjunturas desumanas do regime nazista passem como normais e honrosas de serem repetidas saudosamente. 

O limite da tolerância com o intolerante, assim, é fundamental para que a própria tolerância siga existindo. Afastar do cargo e responsabilizar aqueles que fazem uso de referências de um dos períodos mais sombrios da história é fundamental para que se entenda que os limites existem, e que o que um dia foi aplaudido, hoje não é mais tolerado, e não voltará a ser.   


POPPER, Karl. Open Society and Its Enemies. Londres: George Routledge & Sons, Ltd., 1945. 755 p.


** Amanda é egressa de Relações Internacionais do UNICURITIBA. Seu trabalho de conclusão de curso abordou as conexões entre o fascismo, a liberdade de expressão e o discurso de ódio na Internet. 


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quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Opinião: A politização pública e privada da internet: um silencioso movimento tectônico




Gustavo Glodes Blum *

Desde o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani no início do mês por parte de um ataque estadunidense em solo iraquiano, alguns usuários de redes sociais ocidentais no país têm percebido um comportamento não-usual das mesmas. De acordo com diversos relatos, posts relacionados à imagem de Soleimani, sobretudo em apoio ao general morto e às ações internacionais da força de elite Quds, que ele liderava, têm sido apagados de contas privadas e públicas do Instagram e do Facebook. O site CodaStroy (inglês), relata detalhadamente esse processo, que levanta várias questões.

Ao mesmo tempo, a Rússia anunciou no final de 2019 que tinha tido sucesso num teste de desconexão com a internet mundial. O teste, que ocorreu quase um ano após o anúncio oficial do Kremlin da tentativa, foi liderado pelo Ministério de Desenvolvimento Digital, Comunicações e Mídia de Massa da Federação Russa, órgão federal responsável por “propor e implementar políticas governamentais e regulação jurídica” em áreas como a tecnologia da informação, telecomunicações, imprensa escrita, rádio e outras. 

Segundo reportagens locais, o vice-ministro afirmou, após os testes, que “tanto as autoridades quanto os operadores [de internet] estão prontos para efetivamente responder a possíveis riscos e ameaças e garantir o funcionamento da Internet e da rede de comunicação unificada na Rússia”. É interessante notar que, enquanto um Ministério do governo russo, e embora os resultados dos testes sejam apresentados ainda neste início de ano ao presidente do país, Vladimir Putin, eles estão sob responsabilidade o Primeiro-Ministro, Dmitry Medvedev.

Ainda no ano passado, também, o Twitter, uma das principais redes sociais utilizadas no Ocidente e países de outras regiões como América Latina e Ásia, anunciou detalhes sobre sua nova política de propaganda política. Embora o anúncio tenha sido feito em meados de outubro de 2019, apenas em novembro a rede apresentou os detalhes, que envolvem a restrição de circulação de propaganda “sobre qualquer candidato, partido, governante, pesquisa eleitoral ou medida legislativa ou judiciária feita por qualquer usuário do sistema”, segundo o jornal Estado de Minas. A reportagem ainda indica que a arrecadação com anúncios políticos na eleição de 2018 dos EUA foi de US$ 3 milhões, o que representa “menos de 1% dos US$ 824 milhões declarados como receita do terceiro trimestre” da empresa.

O quê estes casos representam para as Relações Internacionais? Muita coisa, como demonstra o recente tweet do presidente estadunidense Donald John Trump em farsi, a língua oficial do Irã, no qual insta os líderes do país a não agir contra os protestos locais contra a derrubada de uma avião ucraniano em meio às tensões com os Estados Unidos. 

Vinte anos atrás, a internet era apresentada como “o novo espaço de interação social”, o espaço virtual que, inclusive, foi elencada por Thomas Friedmann como a principal força por trás da “planificação do mundo” – demonstrando que a teoria da Terra Plana tem sua adesão em outras variações também entre as elites intelectuais do mundo. A facilidade de comunicação, o fato de botar em contato pessoas de diferentes países e as oportunidades econômicas que se abriam eram elencados como representantes máximos da “nova era”, “despolitizada” e “livre” que a Internet representava no imaginário social.

Neste espaço de tempo, muita coisa mudou, mas principalmente a utilização política da internet em diversos assuntos, sobretudo naqueles relacionados à política e à segurança dos países ao redor do mundo. Ao menos desde o Ato Patriótico – legislação antiterror promulgada pelos Estados Unidos que lhes concedia acesso a todas as comunicações que passassem pelo território americano – estamos observando, como sempre aponta o grande pesquisador David Lyon, que “a nuvem não é fofa”.
 
Composta por uma série de redes técnicas, está submetida também às legislações territoriais de cada país, como demonstra não apenas a Grande Muralha Virtual da China, também chamada de “Projeto Escudo Dourado”, mas também os esforços do Google em desenvolver tecnologia em energia renovável – e assim, no futuro, potencialmente colocar os seus servidores em águas internacionais e impedir que governos nacionais possam regular sua atuação ou os dados que registra e armazena.

A grande inovação e o desafio que enfrentaremos nessa não-tão-nova disposição de poder no cenário internacional é conseguir lidar com a atuação não apenas de entes governamentais, mas também de entes privados nessas novas disputas geopolíticas. Afinal, o Instagram respondeu que apagou os posts sobre Soleimani, em resposta às novas sanções aplicadas pelo governo estadunidense ao Irã. Ao mesmo tempo, a extensão territorial das jurisdições estatais pode encontrar alongamentos nas redes sociais, criando uma nova situação que lembra a tese conspiratório das “guerras híbridas”, criando o que foi chamado por Guilherme Sandoval Góes de “judicialização da geopolítica”, um movimento muito importante de ser observado nas Relações Internacionais.

É difícil afirmar o quê nos espera – e exercícios de futurologia sempre são condenados ao fracasso, como bem demonstram Samuel Huntington e Francis Fukuyama. Porém, acredito que acompanhar essas movimentos a partir de uma perspectiva mais ampla pode nos permitir observar mudanças que não são relatadas cotidianamente no noticiário internacional, mas causam silenciosamente mudanças “tectônicas” na estrutura e prática do Sistema Internacional que habitamos.


* Gustavo Glodes Blum é internacionalista e professor de Geografia Política, Política Internacional Contemporânea e Segurança Internacional do curso de Relações Internacionais do Centro Universitário Curitiba (UNICURITIBA). Atualmente, é doutorando em Geografia das Relações Internacionais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
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sábado, 4 de janeiro de 2020

Em pauta: A Crise entre Estados Unidos e Irã, explicada pelo Professor Andrew Traumann








As tensões entre Estados Unidos e Irã não vem de hoje, mas o assassinato do general iraniano Qasem Soleimani em um bombardeio americano no aeroporto de Bagdá na data de ontem provocou uma onda de reações na comunidade internacional. 

Para melhor explicar a situação e seus possíveis desdobramentos, ninguém melhor do que o Professor de História das Relaçãos Internacionais, Andrew Traumann - grande referência quando o assunto é o  Oriente Médio e, em especial, o Irã. 

Confira o vídeo preparado pelo professor.








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